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Doenças



1. Coccidiose


COCCIDIOSE: ENTENDENDO O MISTÉRIOCOCOCCIDIOSE: ET Entendendo o

Prezados leitores e amigos! Agora que estão todos com suas aves ganhando troféus conforme edição passada me volto a uma questão que nunca havia falado aqui. Eu trago hoje para vocês a verdade sobre a coccidiose. Aí vocês me perguntam vai ser a mesma historinha dos outros. Eu digo a vocês que vocês serão surpreendidos pela verdade. Então trazendo de forma descontraída e irreverente estaremos hoje abordando a verdade sobre a coccidiose e verminoses.Vamos separar o nosso bate papo. Vamos começar pelas verminoses. Vou tentar ser simples, ok. Sem muitas palavras difíceis. Uma ave pode ter verme propriamente dito que se dividem em nematóide e trematóides (redondo ou chato). O ciclo evolutivo da maioria dos vermes intestinais das aves necessita de um hospedeiro intermediário no ciclo que será sempre um invertebrado (minhocas). Então já começamos com a nossa primeira revelação: uma ave de gaiola dificilmente terá verme. Por que isso Dr.?? Por que esses nematóides em quase sua totalidade precisam de um hospedeiro intermediário ou paratêmico para fechar o ciclo. Esses hospedeiros são normalmente minhocas de vida livre. Ora ora.. então você concorda comigo que quem tem verme é ave de terreiro (galinha, pavão, etc). Aí vem uma duvida terrível na cabeça de vocês. E o verme da traquéia que muita gente fala, eu nunca vi!Isso se dá pelo fato do seu Trinca Ferro não ir ao chão comer hospedeiro intermediário. Mas fulaninho me falou que todo Trinca tem. Enfim, e como agem esses anti-parasitários?!Temos vermífugo que mata vermes, as bases são muitas como o mebendazol, albendazol, febendazol e por aí vai. Ora, se eu estou falando que ave de gaiola não tem verme. Porque dar vermífugo?! Enfim, comprovem fazendo exame de fezes em suas aves. Ave não é um cãozinho que toma remédio de verme de tempos em tempos. Vamos ser mais realistas e críticos. Vamos passar para o próximo raciocínio.Então ave de gaiola não tem nada? Claro que tem. Tem Coccídeos, esses coccídeos são divididos em uma série de espécies, em ordem de importância temos Isospora spp (90%) Eimeria spp (5%) e os outros (5%).E porque a ave tem mais coccídeos? Porque são de ciclo direto. A ave elimina o coccídeo nas fezes e este fica na gaiola e em média em 5 dias matura e vira infectante. Daí a ave se contamina de novo. Perceberam porque a lenda de dizer que a doença está na gaiola. Existe é verdade, mas existem desinfetantes para isso (Amônia Quaternária). O segredo além de combater o protozoário de forma correta está em desinfetar da mesma forma o ambiente em que sua ave viveComo você pode ver são inúmeras espécies de coccídeos e cada um se trata de uma forma. Isospora é de uma forma Eimeria é de outra. Enfim não adianta dar um remédio como preventivo entendeu!? Usar coccidiostático não mata o coccídeo. Você faz apenas uma espécie de encistamento do coccídeo (bradizoíta). Se o animal passar por um stress os coccídeos voltam a uma fase de taquizoíta e causa doença de novo. Não estou dizendo que não uso. Até uso, mas depende da clínica do animal, pois esses remédios agem de forma mais rápida e evita muitas vezes a morte do animal.Por isso você deve fazer exame de fezes para determinar qual o coccídeo e o grau de infecção. Com isso você vai saber qual medicamento utilizar de forma adequada e debelar a infecção no seu plantel ou na sua ave. Logicamente existem outras medidas principalmente higiênicas para acabar com a infecção, além de quarentena de animais novos e tal. Vai ter muita gente falando que besteira. baboseira e tal.. mas é verdade. Só que é mais fácil dar algum preventivo e rezar do que fazer exame de fezes. O assunto é longo.. mas o tempo é curto. Despeço-me por aqui e depois desse tema bombástico espero estar de volta na próxima edição. Como não poderia faltar deixo o pensamento do dia: ´´O fracasso é um excelente oportunidade para o sucesso´´.


 http://www.niaas.com.br/news/coccidiose-entendendo-o-misterio-/

Dr. Felipe Bath

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2. Exame de Fezes 
Como coletar material corretamente para exame Parasitológico de Fezes

Prezados leitores e amigos! Estou de volta mais uma vez para trazer aquela felicidade matinal ao ler esse artigo. Hoje não me recaiu nenhuma inspiração divina e não teremos nenhum tema bombástico como de praxe. Hoje estou nostálgico e ao som de Legião Urbana namúsica´´Será´´ em seu refrão que diz: ´´Sera só imaginação?! Seraque nada vai acontecer!? Será que é tudo isso em vao!? Sera que vamos conseguir vencer?!´´ É que escrevo para vocês.Já falamos de tanto temas super interessantes que da para no mínimo montar uma coletânea e quando a pessoa te perguntar alguma coisa você entregar para ela. Já falamos de forma bem direta e com fotos de 95% dos problemas das aves. Já falamos de coccidiose, ectoparasitas, rouquidão, pivite, sinusite, hepatopatias, supermáquinas de torneio e por aí vai. Por isso a minha nostalgia.. Já lanço o desafio do mês: Enviem sugestões de matérias para meu e-mail, ok. Criticas só construtivas.Hoje então falarei da maneira correta de se coletar material para exame de fezes. Vejo inúmeros laboratórios hoje que só faltam dar a receita para satisfazer o cliente, mas esquecem de orientar de maneira adequada a coleta. Falaremos sobre a coleta para o exame parasitológico de fezes que é o exame mais simples e que toda ave deve realizar no mínimo 1x ao ano. Já falamos de coccidioseanteriormente.Então funciona assim. Você compra um pote de MIF na farmácia mais perto. Coleta 3 fezes de manha e 3 fezes a tarde/noite por 3 dias seguidos. O intuito é ter uma variedade de coleta aumentando a probabilidade de umas dessas fezes ter ocorrido eliminação deovos/oocistos de parasitos, ok. Já vimos também a questão de verminose em aves ne?!Lacra-se esse pote, identifica e envie para seu laboratório. Ahh.. Dr. na minha cidade não existe laboratório, mas existe correios com certezane?! Entao poste pelos correios. Aproveita a oportunidade coloque uma folha branca (papel A4 de impressora) no fundo da gaiola no ultimo dia, espere a ave fazer umas 10 fezes, dobre, identifique e mande junto, pois é legal o veterinário observar as fezes ´´in natura´´.Fezes com muita ´´agua´´, ou seja, você tem um halo grande de absorção de agua no papel  podem significar lesão intestinal normalmente por enterobactérias que vão levar a morte nossosfilhotinhos com ate 5 dias de vida.. é bata não tem erro. Aí neste caso além do exame parasitológico de fezes é indicado fazer exame de cultura e antibiograma, ok. E no caso essa mesma folha enviada já servira... a forma varia de acordo com cada laboratório, mas para mim serve.E quando este halo apresenta-se no tamanho normal porem bem esverdeados. Já vimos que se trata de alguma hepatopatia. Deem uma olhada nas edições anteriores. O aspecto das fezes em si varia muito pouco e podem ter certeza que quando você visualiza sangue nela é que o pássaro esta mais pra lá do que pra cá, ok. Fezes amareladas podem indicar uma pancreatite ou processo inflamatório grave. Observar fezes é uma arte ne!?Viram como é simples. Não precisa ter nojinho como diria Nascimento. Em termos funcionais você precisa realizar de pelo menos 20% do seu plantel para ter uma significância/relevância prática na avaliação do mesmo, ok. Separe as categorias de idade e os machos das fêmeas. Se possuir poucas aves faça de todas, ok. Isso seria o ideal e poucos criadores o fazem de maneira correta. Infelizmente acham que ter um medico veterinário especializado a disposição é baratinho.. Olha o valor pago por filhotinho de 30 dias e olha quanto o veterinário recebe nesses criadouros. Deixa pra la..E para economizar o bolso pode-se ainda alocar em cada pote de exame ate 4 animais desde que respeitado os critérios acima, ok. Mas volto a dizer se tem poucos faça individual; ainda mais se for aves de competição ou de alto valor agregado como os galadores e tal..Ahh e comigo não tem essa frescura de não colocar a mão na ave não. Eu pego mesmo. Pego todas. Eheheh! Existe um momento adequado de pegar a sua ave por mais preciosa que seja. Não sei de onde vem essas lendas. Pássaro que é bom mesmo canta ate na tua mão de raiva. Mas meu Curió esfria.. mentira é porque não sabe pegar e demora uma eternidade para pegar a ave e ainda não sabe conter.. fica apertando a ave com medo de levar bicada.Voltando aos exames.. outro detalhe interessante é que muitos laboratórios não identificam os coccídeos adequadamente o que não resolve nada para o cliente, pois interfere na escolha do medicamento para o tratamento.Outro erro fatídico é a escolha das técnicas para a confecção do exame. As técnicas de escolha vão se Willis, Hoffman e principalmente Faust. Se teu laboratório não faz assim peça para que faça ou saia fora.. lógicoque isso seria o modelo excelente de exame, mas confesso que nem eu faço muitas vezes o preconizado; muitas vezes porque a pessoa já chega com o passarinho muito doente.Enfim, é isso que tinha para falar com vocês. Lembrando que a nova clinica já esta em funcionamento. As adversidades foram muitas ao longo desses quase 6 meses sem uma sede própria. Quem vem me acompanhando ao longo dessa trajetória sabe o quanto sofri, mas nunca desisti de meus objetivos e sonhos. Hoje a clinica ao qual estamos fazendo é um sonho que se torna realidade através de muito trabalho e suor. Valorizem o que é de vocês. Não esqueçam da família e deixo aqui o pensamento do dia que tenta sintetizar essa saga dos últimos meses:  O sucesso nunca é definitivo e o fracasso nunca é fatal. É a coragem que conta. Um grande abraço emocionado e ate a próxima!Dr. Felipe Victório de Castro Bath   Médico Veterinário CRMV-RJ 8772Especialista em Biologia, Manejo e Medicina da Conservação dos Animais Selvagens SENAC/RioZOO  Mestre em Microbiologia Veterinária pela UFRRJ   Tel.: (21)81014122/ (21)78795270ID.:10*96860 / (21)22786652  felipebath@hotmail.com / www.niaas.com.brRua Dona Zulmira, 11 Maracana Rio de Janeiro – RJ  CEP.: 20550-160

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3. Doenças Respiratórias X Verrugas
1- Sinusite Crônica / Verrugas sobre a narina dos pássaros A sinusite crônica em pássaros nada mais é do que uma inflamação dos seios nasais e paranasais normalmente associada a uma causa infecciosa ou parasitária. O pús na ave é denominado cáseo e se apresenta de forma endurecida e nunca líquido igual ao nosso. O sinal mais evidente da sinusite crônica é o aumento do diâmetro da narina normalmente de um dos lados e ainda a presença de uma massa endurecida nessa narina. Muito confundido com verruga. Qualquer ave pode ser acometida. É muito comum em pássaros de gaiolas. Essa massa na narina da ave deve ser removida e investigar a causa é fundamental.

Agentes bacterianos normalmente estão envolvidos, ácaros no sistema respiratório não são raros. A cura completa da ave é conseqüência de um diagnóstico correto. O tratamento muitas vezes é de médio prazo e além do uso de antibióticos muitas vezes é fundamental aumentar a imunidade da ave. Os fatores predisponentes que levam à doença são diversos, como exposição ao frio ou vento, fatores alérgicos, etc, mas sempre estão relacionados a uma queda de imunidade da ave, então na verdade muitas vezes uma ave acometida por sinusite demonstra que algo está errado as causas devem ser investigadas como clamidiose, coccidiose ou qualquer doença que determine a baixa imunológica. A narina assim como o bico em casos mais graves ficam deformados para sempre com um orifício maior na narina. Se não tratado a sinusite pode evoluir levando a seqüelas no canto. Aves com rouquidão em decorrência de sinusite normalmente apresentam gagueiras para sempre.

2- Olá pessoal, sou o Dr. Renan Cabral Cevarolli, Médico Veterinário especialista em aves e animais exóticos e em mais uma oportunidade concedida pela revista Pássaros trago um assunto que surge como rotina na clínica aviária: As doenças respiratórias.
Estes alados têm um dos sistemas respiratórios mais complexos do reino animal, com nove sacos aéreos ligados ao pulmão propriamente dito onde ocorrem as trocas gasosas. Diversas evidências mostram que as aves são descendentes diretas dos dinossauros e a evolução deste sistema respiratório foi um dos fatores que favoreceram sua perpetuação até os dias de hoje. Os sacos aéreos contribuem para o voo e otimizam a captação de oxigênio do ar.
O clima quente e úmido do Brasil favorece muito as doenças respiratórias em aves. Pois apesar da evolução do seu sistema respiratório ele contém falhas, uma delas e a má vascularização dos sacos aéreos, tal fator dificulta que fármacos que utilizamos para combater um determinado microrganismo ajam da melhor forma possível quando são administrados por via oral. Ou seja, não adianta que o medicamento que escolhemos caia na circulação sanguínea que ele não atuará bem em uma área pouco vascularizada sendo necessária a nebulização.
Outro fator crucial é a realização do diagnóstico. Diferentes dos mamíferos que possuem tórax e abdômen, as aves só possuem uma cavidade, a cavidade celomática; e como não possuem o diafragma, elas respiram relaxando e contraindo a musculatura intercostal e expandindo assim seus sacos aéreos e fazendo com que o ar passe pelos pulmões. Desta forma, uma ave pode ter dispneia pelo aumento de qualquer órgão da cavidade que pressione o trato respiratório, na minha rotina clínica o órgão que mais atrapalha a respiração é o fígado que muitas vezes está aumentado pela alimentação inadequada.
Assim sendo, é imprescindível que façamos no mínimo uma radiografia da cavidade celomática para termos um direcionamento de protocolo terapêutico e quando possível um hemograma, o qual já consigo fazer até em passeriformes pequeninos como coleiros, curiós e trincas. O hemograma diferencia se um animal está respondendo ou não a uma provável infecção e nos dá a gravidade do quadro, assim como nos mostra se ele tem hipoproteinemia, que pode levar a um edema pulmonar e também ser uma causa de dispneia, além de nos mostrar se está anêmico e qual a classificação desta anemia.
Entre as causas infecciosas mais comuns em patologias respiratórias temos a Clamidiose, a Micoplasmose, a Aspergilose, a Pasteurelose, a Poxvirose e outras viroses e infecções bacterianas oportunistas. Entre as intoxicações, praticamente todas mostrarão a ave com um quadro de dispneia mas uma das causas mais comuns em acidentes domésticos é a intoxicação por PTFE que é o material que reveste as panelas antiaderentes. A panela esquecida no fogo lança no ar uma substância tóxica letal para as aves.
Para ilustrar o artigo trago dois casos clínicos que apresentavam sintomas muito semelhantes e com causas diferentes. Na figura 1 temos uma calopsita com pneumonia e aerossaculite, onde podemos observar a radiopacidade do campo pulmonar, já na figura 2 temos um coleiro com hepatomegalia e sem nenhuma alteração no trato respiratório, apenas a compressão. Precisamos falar mais sobre a importância dos exames?
Encerro este pequeno artigo com a certeza de estarmos caminhando cada vez mais para transformar a clínica de aves em medicina e não só prática. Não mediquem sem exames, perguntem a opinião de um veterinário especialista para que este o oriente da melhor forma possível e até uma próxima.

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4. Dificuldade na Postura de Ovos 
Problemas de PosturaMuitos são os problemas que podem afetar a postura das aves.Cabe ao passarinheiro informar-se para prevenir situações desagradáveis. Na época de procriação os pássaros podem ter vários fatores que influenciam e refletem diretamente na postura dos ovos. Muitos dos problemas podem ser decorrentes de inadequações de manejo ou até mesmo de doenças que podem estar relacionadas ao trato reprodutivo da fêmea, levando a uma alteração da postura. Podemos assim ter uma grande variação de causas que afetam os fatores são de grande importância e determinam , de forma agressiva , a queda de produção de filhotes ou desgaste das fêmeas.--As causas são várias , e entre elas citamos : a) Alimentação deficiente, como exemplos, podemos citar: a deficiência de proteínas; minerais como o cálcio; deficiências de vitaminas (vitamina a e D3);b) Doença do trato reprodutivo, produtivo, como metrite ( que é a inflamação do útero), tumores, entre outras causas;c) Doenças crônica ou de ação sistemática ( age no corpo todo da ave );d) Alteração de estruturas que transportam os ovos;e) Medicamentos que agem na produção ou qualidade dos ovos;f) Causas psicológicas e estresse;g) Ambiente de criação;h) Qualidade de quantidade de luz;i) Limpeza e higiene;j) Outras causas. - A alimentação deficiente provoca muitos efeitos prejudiciais á criação, pois acarreta principalmente danos à produção e à postura dos ovos. Uma ave debilitada fatalmente terá: uma maior dificuldade de produção de ovos diminuindo a quantidade e qualidade dos mesmo; demora mais para aprontar para as posturas; terá maior dificuldade e problemas para se manter no período reprodutivo; terá menos condições de tratar de moco adequado os filhotes; provavelmente terá ciclos de postura irregulares; muitas vezes não chegará, nem mesmo, a entrar em postura; terá uma alta taxa de mortalidade de filhotes ou mesmo comer os próprios ovos; a falta de cálcio pode acarretar ovos de casca mole ou mesmo sem casca, o que dificultará a alimentação dos ovos pelo aparelho reprodutivo ( dificulta a contração do útero e postura dos ovos); a falta de vitamina D pode aumentar os sinais de deficiências de cálcio e suas complicações.Doenças do trato reprodutivo como: metrite ( que é a inflamação do útero da fêmea ) pode levar à dificuldade de formação de casca, dificuldade de postura, lesões da parede do útero, inclusive com rompimento e morte da ave; septicemias ( doença que se espalha para todo o corpo da ave ) e pode influenciar diretamente em morte de filhotes recém-nascidos, devido à contaminação dos ovos antes mesmo de serem botados; os tumores do aparelho reprodutivo podem ocasionar sérios danos à ave o que geralmente culmina na morte da mesma .- As doenças crônicas ( são doenças que a ave possui há bastante tempo ou por ter ou terem sido mal curadas ou não diagnosticadas ou não tratadas ). Podem levar a uma debilidade do quadro geral de saúde da ave levando a dificuldades de posturas e procriação das mesmas.Devemos lembrar que mesmo as aves doentes tendem a botar ovos e tentar a procriação como se estivessem sãs, e isso, muitas vezes, chega a ser a causa de sua morte. Às vezes, devemos pensar que uma ave aparentando bom estado, mas portadora de uma doença não vista clinicamente, ao entrar em postura ocorrerá uma facilitação do desenvolvimento da doença clínica, o que pode culminar em sua morte.Problemas na cloaca como cicatrizes, musculaturas fracas, cloaca pequena e sem elasticidade, papilomas ( são nódulos na parede da cloaca e geralmente de origem viral e podem ser passados de uma ave para outro de modo vênero) gerando uma má formação, podem, inclusive influencias de modo direto e decisivo na postura de ovos das aves em procriação.Alguns medicamentos podem acarretar problemas de má formação gravíssimas, como peritonite por ovo, que pode levar ao óbito da ave. Exemplo de medicamento que pode levar a alteração do ovo é a “sulfa” , que leva a um afinamento da casca dos ovos. Como alteração psicológicas e estresse, podemos dar o exemplo de ambiente muito agitado onde as aves ficam muito estressadas e podem apresentar alterações de comportamento com dificuldade de postura, queda da produção de ovos e até mesmo não botar.Quanto mais inquieta a ave estiver , menos a chance de uma boa postura, choco certo e bons cuidados com os filhotes, afetando diretamente o rendimento da procriação. Machos muito fogosos podem bater em fêmeas prontas ou em fase de “aprontamento” , provocando medo nas mesmas e gerando uma queda nas posturas de ovos.O ambiente de criação deve ser adequado para que acomode de modo satisfatório as gaiolas de criação ( fêmeas e machos). Devemos lembrar que cuidados de higiene, aeração (trocar de ar , sem correntes de vento e boa luminosidade local ,chocos sempre limpos e cheio de comida e água se possível desinfetados com frequência , pois são fatores básicos para se ter aves com saúde e assim obtermos um bom incide de postura e produção.Como os controles são muitos e todos têm sua devida importância na preparação das fêmeas, devemos ter em mente que qualquer fatos possa alterar o equilíbrio do plantel e principalmente da fêmea, terá como consequência, uma queda na produção e qualidade dos ovos postos, interferindo assim na produtividade das aves.A prevenção é o procedimento mais lógico para se evitar o problema. Devemos ter em mente que não devemos tirar o equilíbrio do plantel o para aqueles que não estiverem estabilizados, que devem chegar à estabilização na época de postura, Com isso teremos um rendimento aceitável em termos reais.Tomando esses cuidados básicos para manutenção da criação estaremos a um passo do sucesso. Com um bom ambiente de criação, água e comida de boa qualidade bem arejado , boa distribuição das gaiolas das fêmeas e dos machos, qualidade de luz , bastante dedicação às aves , boa higiene, entre outras recomendações ,com certeza teremos uma enorme probabilidade de sucesso.Como tratamento deveremos averiguar a acusa e assim efetuar o procedimento necessário para a recuperação das aves e conseguir um bom equilíbrio do plantel, com um bom índice de postura e ovos de boa qualidade.Todas as dúvidas devem ser sanadas para que possamos alcançar o êxito. Muitas vezes a resposta está ao nosso alcance, mas por motivos diversos parece que nos recusamos enxergar. A ponte que liga uma criação de um sucesso a uma de insucesso é muito estreita e frágil e por muitas vezes vemos verdadeiras catástrofes simplesmente por ignorância de nós mesmo. Na duvida , procure sempre o auxílio de um Médico veterinário.  Agradecimentos.:» Dr Luiz Alberto Shimaoka - Clinica veterinária Shimaoka - Edição 40» Veterinário atuante em Aves Exóticas e Silvestres - CRMV 6003» Membros do Clube dos Psitacídeos®

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5. Diarréia
A diarréia pode ser observada quando o pássaro está com suas penas arrepiadas, as fezes aguadas e verdes. Em volta da cloaca as penas ficam sujas e o pássaro apresenta uma impressão de sujeira por todo o corpo. Este pássaro deve ser isolado e sua gaiola e acessórios esterilizados. As causas podem ser Coccidiose, Verminose, infecção bacteriana, administração pelo criador de verduras mal lavadas ou alface, sementes velhas ou mal conservadas. Suspenda a alimentação de vegetais e cubra a gaiola para agasalhá-lo. A coleta das fezes deve ser providenciada para que o Médico Veterinário possa prescrever o tratamento correto, lembrando que isso deve ser feito o mais rápido possível, tendo em vista as aves estarem debilitadas e desidratadas. A coleta é feita diretamente de um papel limpo colocado no fundo da gaiola e posteriormente colocando em um coletor, que pode ser o vendido nas farmácias para coleta de fezes humanas.

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6. Diarréias em Pássaros

Por
Dr. José Carlos Pereira

Há um grupo de bactérias chamadas Enterobacteriáceas porque vivem no intestino (entero = relativo ao intestino), principalmente no cólon, embora possam também colonizar outros habitats. Têm a forma de bacilos (bastonetes), vivem em ambiente com oxigênio (aeróbias) ou sem ele (anaeróbias facultativas), fermentam a glicose produzindo ácidos e gases, possuem cromossomo com duas hélices de DNA e algumas apresentam flagelos que facilitam a movimentação. Resistem ao ambiente ácido do estômago e ao ambiente alcalino, detergente (determinado pelos sais biliares) e rico em enzimas do intestino delgado. Algumas são apenas comensais e outras podem ser extremamente patogênicas como as Salmonellas, as Shigellas, a Edwardsiella, o Citrobacter e a Yersinia. São resistentes a muitos agentes físicos, mas podem ser mortas pelo calor de 54.5 graus centígrados por uma hora ou 60 graus centígrados durante15 minutos. Permanecem viáveis alguns dias na temperatura ambiente ou nas baixas temperaturas e durante semanas no esgoto, alimentos secos, agentes farmacêuticos e material fecal. São bactérias de grande plasticidade genética que permite viverem em vários habitats. Na superfície contêm três antígenos: o somático (O), o flagelar (H) e o capsular (K) que servem para os testes sorológicos para a identificação. Os fatores de resistência situam-se em plasmídeos que passam de uma bactéria a outra, o que, explica a facilidade de resistência dessas bactérias aos antibióticos mais usados nos consultórios, hospitais e na pecuária. Nos países temperados ocorrem mais nos meses quentes e nos trópicos nos meses mais chuvosos, os meses que contêm a letra R no seu nome.
Nos humanos, a E. coli é uma das três principais causas de diarréia em todo o mundo, sendo as outras duas o Campylobacter e o Rotavírus. É responsável por mais da metade dos cinco milhões de casos anuais da diarréia dos viajantes, como o Casablanca crud, o Delhi belli, o Turkey trot, o Aztec two-step e, o mais famoso, a vingança de Montezuma.
As Escherichias são divididas em cinco variedades capazes de provocar doenças diarreicas por mecanismos diferentes:

E. coli enterotoxicogênica (ETEC), provoca doença por ação de potentes toxinas que não matam as células da parede intestinal, mas provocam alterações nos seus mecanismos de absorção de água e eletrólitos. Adere firmemente às células facilitando a colonização. É o agente mais comum da chamada diarréia dos viajantes e uma das principais causas de desidratação por diarréia em crianças nos países em desenvolvimento. Os sinais típicos são diarréia líquida explosiva, náuseas, vômitos, dor abdominal, febre baixa (ou sem febre) e que persistem por alguns dias;

E. coli enteroinvasiva (EIEC), atua, como a Shigella, fixando-se e invadindo as células que revestem o intestino. A clínica é de febre, cólicas abdominais, que podem ser muito fortes, sinais gerais de toxicidade, tenesmo (esforço doloroso para evacuar) e diarréia aquosa e sem sangue, mas, algumas vezes, pode ser sanguinolenta;

E. coli enteropatogênica (EPEC), não atua por toxinas e nem pela invasão celular. Age fixando-se às células e lesando as microvilosidades responsáveis pela absorção da água e dos eletrólitos. É importante causa de diarréia em crianças dos países em desenvolvimento, principalmente entre os neonatos, os menores de 2 anos de idade e crianças institucionalizadas. A diarréia não se apresenta com sangue, é aquosa, mas tem catarro e, geralmente, não há febre. Pode evoluir para a cronicidade prejudicando o crescimento da criança;

E.coli enterohemorrágica (EHEC), produtora de toxinas, uma delas semelhante à toxina de Shiga das Shigellas, com grande poder de destruição das células dos mamíferos. É responsável, principalmente o serotipo O157:H7, por uns 20000 casos de colites, muitas vezes hemorrágicas, nos Estados Unidos. A clínica é de diarréia inicialmente aquosa evoluindo, em poucos dias, para sanguinolenta (sangue vivo ou oculto), dor abdominal intensa e, diferentemente da EIEC, a febre não é muito comum. Pode complicar, principalmente em crianças pequenas e nos idosos, com a síndrome hemolítico-urêmica (anemia por destruição das hemácias, queda das plaquetas e insuficiência renal) e e- E. coli enteroagregadora (EaggEC), atua pela adesão às células e produção de toxinas. A clínica é de diarréia com grande perda de líquidos e eletrólitos que leva rapidamente à desidratação, mas os vômitos e o sangue nas fezes não são freqüentes. Geralmente o quadro é prolongado, como acontece com a EPEC, podendo prejudicar o estado nutricional da criança.

Excetuando a E. coli enterohemorrágica e algumas E. coli enteropatogênicas, exigem uma grande inoculação de organismos para produzir doenças, o que, explica ser a transmissão pessoa a pessoa menos comum. A ingestão de água ou alimentos contaminados é a maneira mais comum de infecção, principalmente se houver pouco cuidado na manipulação dos alimentos e com o tratamento dos esgotos. Nos Estados Unidos, o consumo de hambúrguer mal cozido é a causa isolada mais freqüente dos surtos das infecções pela E. coli enterohemorrágica, cujo serotipo 0157-H7 também pode ser transmitido pelas fezes de gado vacum, veados e outros ruminantes que podem contaminar alimentos e a água; nos Estados Unidos essa bactéria já foi encontrada contaminando cidras, vegetais crus, salames, iogurtes e a água de locais de recreação.

As Escherichias podem provocar outras doenças, como 80% das infecções urinárias em crianças e, principalmente em recém-nascido, septicemia (disseminação pelo sangue).

As medidas preventivas mais eficientes são a alimentação dos bebês no seio, atenção com a higiene pessoal, principalmente lavar as mãos, com água e sabão, antes das refeições ou após ida ao sanitário, tendo cuidado especial com as unhas das crianças que devem ser lavadas com auxílio de uma escovinha; lavar muito bem os alimentos consumidos crus (legumes, verduras e frutas que, quando possível, devem ser descascadas pela própria pessoa), deixando-os numa solução de água e vinagre; quem manuseia alimentos (merendeiras, cozinheiras, chapeiros de carrinhos de lanches, etc.) deve ter muito cuidado com o asseio das mãos e, quando indicado, usar luvas; ao comprar alimentos embalados, cuidado com a data do vencimento e com embalagens amassadas, enferrujadas, furadas ou rasgadas; somente comer carnes bem passadas, sem nenhuma parte ainda vermelha e leite cru nem pensar. As mãos também devem ser lavadas após os cuidados com os cabelos, depois de limpar o nariz, depois de pegar ou cuidar de animais e depois da jardinagem. Enfim, lavar as mãos é o ato mais simples e eficiente para evitar a disseminação de inúmeros parasitas.
Quem viaja para locais onde o saneamento básico e as condições de higiene são pobres deve tomar somente água engarrafada de boa procedência, evitar pedras de gelo, comer frutas que possam ser descascadas pela própria pessoa, não comer saladas e comer refeições cozidas ou assadas a grandes temperaturas servidas ainda quentes, pois, se assim não fizer, poderá engrossar as listas dos acometidos pela diarréia dos viajantes. Use luvas ao cuidar do jardim ou outras plantações, principalmente se houver o uso de excremento animal (esterco). Alguns autores aconselham cuidado especial ao manusear batatas, rabanetes e tudo o que der embaixo da terra.
Começada a diarréia, dar à criança o soro hidratante oral aos poucos e procurar orientação médica. Se não tiver o soro comprado na farmácia ou o soro oral fornecido pelos Postos de Saúde, preparar e usar o soro caseiro que pode ser preparado facilmente usando como medida uma tampinha de metal de garrafa, sem a rolha ou o plástico, devidamente fervida: 750 ml (igual a três mamadeiras cheias) de água fervida ou filtrada, uma tampinha de refrigerante rasa de sal de cozinha e nove tampinhas rasas de açúcar. Também pode ser usada, se estiver à mão, a medida fornecida pela Pastoral da Criança.

Para alguns autores, entre os pássaros a Escherichia coli chega a ser mais importante do que a Salmonella. Não há correlação entre os serotipos de Escherichias que acometem os humanos com os que acometem os pássaros porque ainda não houve a tipagem dos parasitas nos pássaros. Acredita-se que os serotipos 01, 02 e 078 estejam entre os mais freqüentes. Do mesmo modo, a patogenicidade da E. coli entre os pássaros não está bem clara. Na parede intestinal o mais encontrado é a inflamação catarral não específica provocada por uma enterotoxina, a qual leva a grande aumento da exsudação de líquidos para a luz intestinal. Mas, o grande achado, o orgasmo dos patologistas, é a lesão histológica que caracteriza a inflamação serofibrinosa (a fibrina é uma substância proteica, filamentosa, elástica e esbranquiçada que se deposita pela coagulação espontânea do sangue, da linfa e de alguns exsudatos. Faz parte dos processos inflamatórios) encontrada, principalmente, nos rins e no fígado.

A inflamação serofibrinosa pode atingir outros órgãos como o olho (depósito fibrinoso na câmara anterior e uveíte), as serosas (membrana que envolve alguns órgãos como um saco e que secreta serosidade na sua face interna, o que facilita o deslizamento dos órgãos contidos nelas. São serosas a pleura que reveste os pulmões, o pericárdio do coração, o peritônio das vísceras abdominais e a túnica vaginal do testículo), as articulações e, mais raramente, o sistema nervoso central.

As lesões serofibrinosas podem atingir os sacos aéreos. A pneumonia é rara, mas pode haver rinite primária ou secundária a outro foco da infecção. Os filhotes têm maior possibilidade de contraírem a pneumonia pela inalação de poeira do ninho contaminada.

Os filhotes também são mais predispostos às infecções das articulações (juntas) e da medula óssea (o popular tutano) durante a disseminação das Escherichias pela via sangüínea (septicemia). A infecção dos órgãos genitais dos machos é mais rara, mas, atingidos os testículos, a esterilidade pode ser permanente. Creio que não precisamos queimar muito fosfato para atinarmos para a gravidade de uma infecção dessas num aviário grande ou com um manancial genético feito durante anos. Perdas qualitativa e quantitativa irrecuperáveis.
As fêmeas podem apresentar inflamação fibrinosa do ovário e/ou do oviduto, geralmente processo crônico que termina com a infecção progredindo até o peritônio e daí, amigos, babau e partir para outra como diria minha avó. O ovário pode ser atingido por bactérias vindas por via ascendente da cloaca ou de outros focos infecciosos principalmente dos sacos aéreos. Como as fêmeas somente possuem um ovário pode-se raciocinar que a esterilidade seja mais comum do que entre os mamíferos que têm dois ovários.
Algumas cepas de Escherichias podem destruir a parede intestinal formando ulcerações e a temível enterite pseudomembranosa ou ulcerativa, caracterizada por ulcerações cobertas por pseudomembrana formada por material necrótico e fibrina que se destaca em placas e que são vistas geralmente em exames pós morte. Outro aspecto patológico interessante é o chamado coligranuloma (formação tumoral de tecido conjuntivo jovem muito vascularizado formado no processo de cicatrização de uma úlcera ou ferida) encontrado na pele, no baço, no fígado, nos rins, no intestino; o centro do granuloma pode estar mineralizado.

Nas infecções limitadas à parede intestinal há diarréia líquida, amarelada ou esverdeada, algumas vezes com catarro e/ou sangue nas lesões mais profundas e ulceradas, aumento do volume urinário (interessante que, nas crianças diarreicas, há diminuição do volume urinário), perda de peso e, nos casos mais graves, grandes perdas proteicas com conseqüente caquexia (fraqueza extrema). A grande perda de líquido e sais minerais pode levar às desidratações. O pássaro apresenta-se triste, encorujado (sempre ouvi dizer que o pássaro encolhido e com as penas arrepiadas por frio ou doença estava encorujado. Agora vejo nos dicionários que os termos certos para essa postura dos pássaros são engrujado ou engurujado. Desculpem, Aurélio e Houaiss, mas vou no popular: encorujado porque parece postura de coruja), deixa de comer ou come muito menos e, se não for cuidado, corre grande risco de vida.
Nos quadros septicêmicos há esses mesmos sinais, mas com características mais graves e acompanhados de letargia (indiferença ao meio ambiente e sonolência). Nos quadros com rinite o pássaro mantém o bico aberto para ajudar na respiração e podem ser observadas secreções nasais. Nos acometimentos pulmonares o pássaro pode apresentar-se com a pele cianótica (azulada) e dispneico (não gosto de dispnéico, parecendo-me muito afetado), respirando mais rápido e/ou profundo. As lesões articulares e da medula óssea são muito dolorosas, obrigando o pássaro a pousar num só membro e ficar relutante em movimentar-se (aí, caro Ivan de Sousa Neto, mais uma causa de lesão do trem de pouso dos passeriformes para preocupações). As infecções dos órgãos genitais serão sentidas na falta de ovos férteis e nos bolsos. Na realidade, ganhando a corrente sangüínea (septicemia) as Escherichias podem provocar abscessos em qualquer órgão.
Agora vem um probleminha. O diagnóstico laboratorial, diferentemente do que se pensa, não é fácil. Nas infecções que envolvem fluídos normalmente estéreis, como a urina, o sangue, a bile, as secreções pleurais ou peritoniais e o líquor, o isolamente da Escherichia por cultura é um dado fidedigno, desde que a coleta do material seja tecnicamente perfeita. Mas, no caso da cultura de fezes, sabendo-se que as Escherichias são também comensais integrantes da flora intestinal normal, o furo é mais embaixo e os resultados pouco orientarão no diagnóstico; para isso seria necessário tipar a bactéria por técnicas sofisticadas, como a ampliação do ácido nucléico, na busca de genes de bactérias potencialmente mais virulentas, as quais, somente são disponíveis em laboratórios de ponta a custos proibitivos.
Portanto, amigo passarinheiro, não quero desanimá-lo, mas não fique confiando muito que uma cultura de fezes positiva para Escherichia, com antibiograma baseado nela, irá resolver o problema dos seus pássaros. Confie mais no olho clínico, na experiência e no taco do seu veterinário.
Como digo sempre, tratamento é campo dos veterinários. Os genes que codificam a virulência e a resistência da bactéria aos antibióticos estão no mesmo plasmídeo (parte extracromossômica da célula bacteriana portadora de informação genética). O recado genético é o seguinte: se for usado antibiótico inadequado, cria-se a resistência e agrava-se virulência bacteriana. Praga de sogra. Portanto, se for indicado antibiótico, deve ser o mais adequado e usado dentro dos padrões técnicos que favoreçam a sua eficiência.
O uso de antibióticos para evitar a doença somente irá selecionar as bactérias mais resistentes. Não posso deixar de falar, está dando cócegas. A enterocolite pseudomembranosa é um dos terrores dos pediatras. É determinada por bactérias anaeróbias, principalmente o Clostridium difficile, no decorrer ou alguns dias após o uso de antibióticos como a ampicilina, a cefalosporina e a amoxicilina, os quais, causando desequilíbrio na flora intestinal, favorecem o crescimento das bactérias patogênicas.
Tem alto índice de mortalidade. Volto a insistir: somente usem antibióticos com a orientação do veterinário e evitem usá-los profilaticamente. Hoje, na medicina humana, não são mais usados nas gastroenterites medicamentos adsorventes como o caolin-pectina (entre outros motivos, por espoliarem alguns eletrólitos como o sódio e o potássio) e os antiespasmódicos como o elixir paregórico, o loperamide e o difenoxilato (diminuem a motilidade intestinal que é fator de defesa e prolongam o tempo de excreção de algumas bactérias patogênicas). O uso dos medicamentos contra vômitos é muito limitado (podem deprimir o sistema nervoso central do animal, piorando o quadro e dificultando a reposição do soro por via oral). Geralmente os vômitos melhoram com a hidratação. Creio que devemos seguir os mesmos preceitos com os nossos pássaros, inclusive para darmos exemplo mantendo posição ética com eles que somente nos alegram. Não temos o direito de agredi-los com baboseiras e que tais.

E daí, devem estar perguntando os passarinheiros, o que temos a ver com essa pendenga? Tudo. As Escherichias podem atingir o homem vindo dos animais (zoonose) e vice-versa para não ser injusto com os nossos pássaros. Portanto, além da importância do controle das Escherichias no plantel, as atitudes do criador passam a ter um sentido social mais amplo.

O controle é relativamente fácil. O principal modo de transmissão é o fecal-oral: saída dos parasitas pelas fezes, contaminação do meio-ambiente e entrada pela boca. Desconhecer esse princípio básico é dar mole para o bandido. Portanto, quase todos os cuidados citados aí em cima envolvendo o homem têm tudo a ver com os passarinheiros. Estão todos na mesma barca e o azar de um pode ser a desgraça do outro.
Especificamente, alguns cuidados podem ser tomados pelos passarinheiros para evitar que o seu criatório (criadouro. Na verdade, ainda não achei uma boa e definitiva palavra para definir o local onde são criados pássaros) torne-se foco exportador e importador de Enterobactérias:
Lavar rigorosamente as mãos com água e sabão, sabão mesmo, esfregando as unhas com uma escovinha antes de manusear as frutas, as hortaliças e a água que serão fornecidos aos pássaros. As mãos devem ser lavadas, sempre com água e sabão, antes e depois de manusear pássaros ou os utensílios;
Lavar rigorosamente, com água e sabão, frutas e as hortaliças que serão dadas aos pássaros e enxágua-las muito bem. Podem ser deixadas por alguns minutos em solução água e vinagre ou de hipoclorito de sódio, não se esquecendo de enxaguar copiosamente antes de dá-las aos pássaros. Pela simplicidade, creio que o lavar as mãos e as frutas e hortaliças já será uma grande ajuda no controle desses parasitas;
Oferecer aos pássaros somente água, no mínimo, filtrada. A água fervida seria mais seguro, desde que seja mantida no fogo pelos menos durante 20 minutos após levantar a fervura. Os mesmo cuidados devem ser tomados com a água para os banhos dos pássaros. Esfregar bem os bebedouros para remover o biofilme líquido que fica na superfície e que pode albergar muitas bactérias. O ideal seria ter jogos de dois bebedouros para intercalá-los diariamente, possibilitando a secagem completa de um dia para o outro do que não estiver sendo utilizado. É bom lembrar que as Enterobacteriáceas, como as Escherichias, adoram uma água, sendo mesmo conhecidas como bactérias dos meios líquidos e, para elas, qualquer filmezinho líquido é um piscinão de Ramos. Lavar, se possível de maneira individualizada, os utensílios também com água filtrada. Se for possível, pelo menos uma vez por mês, ferver os utensílios resistentes à fervura, principalmente as grades e as bandejas do fundo da gaiola. Se for organizada uma rotina, mesmo nos criatórios maiores as atividades profiláticas serão relativamente fáceis. Alguns criadores que dão sementes germinadas aos seus pássaros devem ter cuidado com a água usada para provocar a germinação. O mesmo cuidado deve-se ter com a água usada para umedecer as farinhadas;
A manutenção higiênica do prédio onde está instalado o criatório deve ser diária, evitando o acúmulo de dejetos e restos alimentares. Ter um jogo de mangueira, pazinha de limpeza, baldes, botas, vassouras, rodos, cestos de lixo, etc. somente para dentro do criatório. Se existirem mais de um ambiente, um jogo para cada um. Verão que vale a pena o investimento. O uso de detergentes e outros produtos de limpeza bactericidas deve ser feito com orientação técnica. Aqui não cabem improvisações. Ainda advogo o uso de vassouras de fogo tendo, é lógico, cuidado para não colocar fogo no prédio e nos pássaros. Sempre usei esse procedimento no canil e é tiro e queda. Nunca houve problemas com parasitas externos e, de quebra, elimino alguns parasitas internos que teimam em viver algum tempo fora do organismo. É método de fácil execução, rápido e não tem ação residual como os produtos químicos. Com técnica adequada não danificará paredes, desde que não se fique com o fogo muito tempo num só lugar como estivesse assando um churrasquinho, e, creio, poderá ser usada nas gaiolas de arame vazias. Tendo-se o cuidado de tirar os pássaros do ambiente, isolando-se as partes combustíveis das instalações, evitando-se a presença de líquidos inflamáveis, etc., o método é seguro. Aconselho procurar informações com alguém que já tenha alguma experiência para não cometer erros de principiante;
Tratar as fêmeas com Escherichia é essencialíssimo pela possibilidade delas infectarem verticalmente os filhotes;
Tratar os machos galadores infectados, pois, por ser comum usá-los com várias fêmeas (poligamia), poderão contaminar o plantel numa proporção geométrica. Não tenho qualquer dado sobre o assunto, mas seria esperada maior possibilidade de contaminação dos machos, devido às grandes aberturas do bico durante os cantos, pela poeira contaminada;
Manter em observação e isolados todos os filhotes nascidos de mãe e/ou pai contaminados. Os gaiolões com muitos filhotes funcionariam como creches ampliando a disseminação da bactéria;
Não caia naquela de dar antibióticos com finalidade profilática. São muito poucos os casos em que o uso profilático de antibióticos tem valor comprovado. E a Escherichia coli não é um deles. Fazendo isso você estará criando cepas resistentes da Escherichia, um problema para a sua própria família e para os seus pássaros. Cepas resistentes de uma bactéria que se propaga facilmente num canaril são pragas de sogra (só um xiste, porque a minha era ótima, não tenho queixas);
Muito cuidado com as fezes das aves. O papel do fundo da gaiola deve ser trocado diariamente. O costume de colocar várias camadas de papel não é bom, pois, o filtrado da parte líquida fecal pode levar os parasitas para a folha de baixo (lembrar que estamos lidando com seres microscópicos). Deve ser usada uma folha de papel e a bandeja deve ser limpa diariamente e colocada ao sol (para isso, seria bom ter, pelo menos, duas bandejas por gaiola). Individualizar as bandejas para evitar usar bandeja usada em gaiola de pássaro contaminado em a gaiola de pássaro não contaminado, criando, assim, condições para disseminação da infecção pelo criatório. Se você usa areia na bandeja, tenha muito cuidado, pois, se não houver troca constante e higiene impecável, será um meio propício para manutenção dos parasitas;
Muito cuidado com as gaiolas usadas para manter os machos ou levá-los aos torneios. Como ficam a maior parte do tempo fora do criatório, têm maiores possibilidades de ser depósitos de parasitas. São feitas de madeira, com muitos detalhes e têm muitas saliências e reentrâncias que facilitam a vida dos parasitas e dificultam higienizá-las. E, na maioria das vezes, não possuem grade separando a bandeja dos pássaros como acontece com as gaiolas de criação. Creio que, num futuro próximo, poderão ser substituídas por gaiolas feitas somente de arame;
As vasilhas contendo sementes, farinhadas, minerais e água devem ser colocadas de modo a evitar que sejam atingidas pelos jatos evacuatórios dos pássaros. Inspecioná-las diariamente e, se estiverem sujas com excrementos, desprezar o conteúdo e higienizá-las;
Muito cuidado com os poleiros. Devem ser colocados de maneira que não possam ser sujos pelas fezes, pois, pelo hábito das aves limparem o bico neles após alimentarem-se, a contaminação será fácil;
Cuidado especial com pássaros trazidos de fora do canaril, mesmo que seja somente para uma galadinha. Fazer quarentena nem sempre é praticável. Se o galador vier de canaril que mantenha boas condições higiênicas tudo fica mais fácil. Seria ótimo os donos dos bons pássaros galadores manterem os pássaros em ótimas condições de higiene física, social e até mental, pois, eles podem representar um boa fonte de renda para abater nas despesas do criatório;
Com as aves adquiridas para compor o plantel a quarentena é obrigatória, a não ser que venham de criatório que mantenha rígidas condições de controle sanitário do plantel. Creio que a quarentena de três semanas seja suficiente para a maioria das doenças infecciosas. Não trazer o pássaro em gaiolas do criatório de onde o adquiriu. Manter o pássaro entrante fora das instalações que albergam o plantel. O ideal seria uma pessoa para cuidar somente dele e que não tivesse acesso ao criatório. Se não, usar luvas ou lavar rigorosamente as mãos, com água e sabão, após o trato e cuidados com os utensílios da ave em quarentena. Todos os utensílios, produtos alimentares, vassouras, pazinhas, cestos de lixo, etc. devem ser mantidos separadamente dos usados para o plantel. Ponto de água para lavar os utensílios separados. Muito cuidado com os excrementos. A quarentena deve ser para valer ou nem vale a pena ser feita;
Cuidado com os machos que vão a torneios ou a outros criatórios para coberturas. Seria interessante ter uma gaiola somente para torneios e outra para a manutenção do pássaro no criatório. Um apresentador de cães do nosso canil colocava nas guias dos cães que iam às exposições uma fitinha vermelha do Senhor do Bonfim; foi bom porque nenhum cão voltou contaminado das expos. Cuidado porque cavalo não desce escadas, como dizia o famoso colunista social carioca;
Levar água filtrada e/ou fervida quando for a torneios, evitando dar ao pássaro água da torneira sem as condições higiênicas seguidas no criatório. Se esquecer, é preferível dar água de garrafa tipo natural. Nem para o banho deve ser usada água do local dos torneios;
Cuidado com a água do banho dos pássaros. Deve ser, pelo menos, filtrada e, sempre que possível, fervida. Tirar a vasilha logo que o pássaro terminar o banho;
Algumas vezes os parasitas podem ser trazidos para o criatório pelas patas de pássaros, como os pardais, ou das moscas. Telar as janelas, portas e as aberturas para a ventilação é medida heróica. Não deixar lixo ou restos de comida expostos é essencial porque eles atraem pássaros, moscas e predadores, inclusive ratos. Muitas plantas também são atrativos;
E sol, amigos, pois, onde entra o sol não entra o médico, ou o veterinário, como dizia minha avó. Locais escuros, muito quentes e úmidos jogam para os bandidos;
As medidas profiláticas são econômicas e, tornadas rotinas, de fácil execução. Servem também para evitar muitas outras doenças que infernizam os criadores, como as determinadas por outras bactérias intestinais (Salmonella, Yersinia e Campylobacter) e pelos protozoários intestinais.

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7. Sarna

Pássaros com perda de penas ao lado do bico, dos olhos em volta do pescoço.

Diluir 1 grama de Kill Red em 2 lts de água. Borrifar o coleiro 2 vezes na semana durante 1 mês.


Por
Drª Stella Maris Benez

A sarna das aves é o Knemidokoptes jamaicensis em canários e aves silvestres, e o Knemidokoptes pilae nos periquitos. Nos canários e curiós costuma aparecer nas patas, causando a formação de crostas, pseudodedos, escamas que soltam muito tecido. Nos periquitos a sarna apresenta na comissura bucal, na carúncula, no bico, na pele da cabeça, provocando escoriações, hiperplasia da pele e crescimento anormal do bico, dificultando até mesmo a apreensão dos alimentos. No início do processo é dificil observamos as lesões, mas no decorrer da evolução da doença, vão surgindo as escamas e crostas. Ao raspado de pele é muito fácil observar os ácaros. No ciclo evolutivo deste ácaro ocorre penetração da epiderme através do folículo da pena, com a formação de galeria. A pele desta região reage proliferando suas células, que descamam pela grande quantidade de queratina que possuem na superficie. As fêmeas alojadas neste local botam ovos, que evoluem para larva, ninfa e adulto. A transmissão ocorre ainda no ninho, embora se manifeste apenas nos adultos desequilibrados e susceptíveis. O tratamento pode ser local a base de enxofre ou pomadas de glicerina, 7 a 10 dias. Aplicações de Ivermectina costumam ser mais eficazes, desde que se repita após 15 dias, e 30 dias se necessário. O tratamento homeopático pode evoluir bem e ter menores efeitos posteriores. Os poleiros devem ser trocados ou flambados em fogo todos os dias do tratamento. O tratamento mais eficaz são feitos com a ave em gaiolas de metal, pois são mais fáceis de desinfetar. Gaiolas de madeira deve ser descartadas e queimadas. Esta patologia é contagiosa, mas de evolução lenta, por isso recomendamos o acompanhamento homeopático. Casos mais graves poderá causar infecções secundárias, edema, aumento de volume da pata e necrose porque as anilhas podem formar um estrangulamento da circulação. RECOMENDAÇÕES GERAL DE TRATAMENTO O tratamento é a base de piretróides. Costumo sempre recomendar que uma vez por semana as aves tenham água de banho com vinagre na dose de 10 gotas por litro de água, e durante o tratamento sejam banhadas com vinagre durante uma semana. Quando usamos piretróides, hidrossolúveis, devemos suspender o banho por dois dias após a aplicação do inseticida. Acompanhamento do plantel com homeopatia tende a reduzir a susceptibilidade aos parasitas, com relação a mortes e estresse. Quando ao uso da Ivermectina, as doses que os criadores usam escoriando a pele tem maior risco de intoxicação, pois não regulamos a dose. O correto é usar agulhas de insulina para injeção diluída, ou oral. A chama de fogo conseguida com a vassoura de foto pode ser muito eficaz na desinfecção de gaiolas de metal e instalações resistentes ao fogo.Na dúvida, procure sempre o auxílio de um Médico Veterinário.

Fonte: Revista Pássaros - ano 15 - nº 81 - Mensagem que nos foi enviada por Daniel Guarnieri (Trinca-ferro Verdadeiro)

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8. Arranque de Penas
Arranque de Penas, algumas das possíveis causas
  • Má nutrição
  • Obesidade
  • Excesso de medicação
  • Doença do fígado ou pâncreas
  • Aspergilose
  • Giardíase
  • Infecções de pele por estafilococos
  • Intoxicações por zinco, chumbo ou cobre
  • Alergias alimentares
 Não é normal que um pássaro arranque as penas. Se isso acontece, é porque algo está errado, pode estar existindo algum desequilíbrio na parte alimentar com distúrbio nutricional, estresse, o pássaro pode estar sendo acometida por infestação de piolhos, ácaros, efeitos colaterais de medicamentos entre outros.No caso de desequilíbrio alimentar o que ocorre é que o pássaro procura nas penas o alimento de origem animal que lhe falta na dieta diária. Esse é o único recurso de que dispõe. Muita das vezes, isso se torna um vício, mesmo após o tratamento e restabelecido o empenamento.
Sugestões:
Oferecer ao pássaro proteina animal tais como, ovo cozido, larvas de tenébrio, insetos, minhocas etc., sempre que notar um estranho apetite dos pássaros pelas penas.
A carência de sódio também pode provocar o arranque das penas, ministrar pequenas pitadas de sal no bebedouro ou pendure na gaiola um pedaço de barbante após mergulhá-lo em uma salmoura e secá-lo.
As vezes o fato de o pássaro estar em um ambiente demasiadamente seco também pode desencadear o mesmo processo, assim como carência de vitaminas e sais minerais.

Causas como ácaros, piolhos a solução seria desinfetar as gaiolas e pulverizar o pássaro com pio sana, (spray anti-automutilação) como exemplo

   No início da doença, a ave passa a coçar-se muito para logo depois começar a arrancar com o bico as penas das costas, das coxas e do abdômen. Costumam ficar com a pele à mostra. A profilaxia é tratar bem as aves, verificar periodicamente eventual infestação de piolhos e ácaros. Todo cuidado também com o manejo dos pássaros, antes que a muda anual esteja completa, isto é, evite manuseio da ave antes que as penas se apresentem brilhantes.Quando o problema é oriundo de estresse profundo, a única solução é colocar a ave em um viveiro grande, protegido das correntes de vento, onde ela possa tomar sol matinal.Temos aqueles casos em que a ave após o arranque da pena fica remoendo-a no bico, como se gostassem do seu sabor.Este comportamento pode ser interpretado como picacismo, condição causada por falta de minerais.Existem doenças infecciosas que podem induzir ao arranque da pena. Entre elas podemos destacar: A aspergilose (fungo que se deposita nas vias respiratórias, infecções bacterianas, giardíase (protozoário intestinal que dá muita comichão) que se pode manifestar pelo arranque das penas sobre as asas, peito, costas ou no ventre. 

Doenças do fígado , geralmente causados por excesso de medicamentos. O diagnóstico pode ser diagnosticado através de amostra de sangue. 

Qualquer outra doença que cause inflamação do organismo, seja em que lugar for, pode sugerir à ave arrancar as penas. Por outro lado este vício conduz a infecções secundárias que podem produzir toxinas e mais comichão ainda, agravando o ciclo vicioso. 


As infecções  bacterianas da pele que costumam ser resistentes aos antibióticos. Nestes casos torna-se importante fazer uma cultura bacteriana.
Parasitas tais como ácaros ou piolhos não devem ser descartados pelo veterinário, a análise pode ser feita através do exame de sangue. 

Outra causa são as alergias alimentares é um campo desconhecido, mas sabe-se que algumas aves são alérgicas aos corantes de certas rações ou produtos usados na conservação das sementes. As aves alérgica respondem bem a banhos de água com gotas de vinagre de maçã.

Intoxicações são outra causa possível, nomeadamente em aves que debicam tinta seca de parede ou outras superfícies. Os metais pesados são muitas vezes os responsáveis (chumbo, cobre e mesmo zinco). Outra forma de intoxicação é a inalação de produtos de limpeza.
CAUSAS EMOCIONAIS

Apesar de extremamente subjetivo, vamos apresentar algumas situações que podem conduzir ao stress e arranque das penas. 

Muitas das vezes dedicamos muita atenção ao adquirirmos um pássaro. Passado o período de  novidade as vezes deixamos de prestar tanta atenção, até porque enchemo-nos de expectativas acerca do pássaro e quando eles não correspondem a essas expectativas, o pássaro pode ficar em segundo plano. Até pode haver um certo desleixe ao fazer a limpeza da gaiola. Outras vezes a entrada de outra ave, ou mesmo quando não dispensamos a atenção, que vínhamos dispensando, principalmente aqueles pássaros acostumados a receberem com frequência um tenébrio, uma semente verde, passa a ficar esquecida, o pássaro pode encher-se de ciúmes e frustração passando a arrancar as penas para chamar a atenção.
Uma das comprovações é que geralmente o comportamento de um pássaro, acostumado ao tratamento recebido de seu dono, não demonstra o mesmo comportamento, quando manuseados por estranhos.

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9. Cegueira nas aves


Por
Drª Ana Roberta de A. Coutinho

A cegueira é incomum nas aves. Pode ser causada por lesões centrais ou perifericas. As lesões periféricas incluem uma opacidade nos meios visuais (por exemplo, cornea, cristalino) ou lesões retinianas.

A cegueira resultante de uma encefalite pode resultar em outros sinais neurologicos.

Causas mais comuns

Agentes Infecciosos: qualquer microrganismos que cause encefalite.

* Bacterianos: microrganismos que causam encefalite;
* Clamidias: Chlamydia psittaci;
* Virais: encefalomielite por picornavirose aviária, outras viroses que causam encefalite.
* Fúngicos: Microrganismos que causam encefalite;
* Parasitários: toxoplasmose, outras afeccções que causam encefalite.

Agentes Metabólicos: encefalopatias hepaticas (lipidiose hepatica, micotoxicose, hemocromatose e hepatopatia induzida por vacina).

Agentes Tóxicos: chumbo, organoclorados, cefaloridina.

Agentes Físicos: acidente vascular cerebral, infartamenteo isquêmico, cataratas, traumatismo, aterosclerose.

Agentes Neoplásicos: hipofisários, oculares.

Agentes Desenvolvimentares: criptoftalmia; microftalmia; mal desenvolvimento do corpo celiar, da retina e da pectina; displasia retiniana; cataratas congenitas.

As causas comuns de cegueira nos psitaciformes incluem traumatismos, toxicose por chumbo e encefalopatias hepaticas. Os acidentes cerebrovasculares também constituem uma causa comum de cegueira nos periquitos australianos.

Os passeriformes são comumente afetados por cataratas, lipidose e hepatica ou hemocromatose. As aves de rapina ficam comumente cegas como resultado de traumatismo.

As cataratas resultam comumente de traumatismos, idade avançadas ou inflamação intra-ocular, ou ainda é congenital. O traumatismo é uma causa comum de cataratas nas aves de rapina. As cataratas congenitas são comuns nos canários e araras.

A toxoplamose afeta primeiramente os Galináceos e os Passeriformes. A encefalomielite por picornavirose aviária pode causar uma cegueira nos pombos e galináceos. Os adenomas hipofisários são comuns nos periquitos australianos. As aves afetadas tem geralmente cerca de 4 anos de idade e são mais frequentemente machos.

Os truamatismo ou acesso a toxinas potenciais ou doenças infecciosas. As aves isoladas e as coleções fechadas ficam comumente doentes devido a toxicoses, traumatismos, problemas metabólicos, neoplasias ou acidentes cerebrovasculares. As aves recém-expostas a outras aves podem ficar doentes como resultado de doenças infecciosas, incluindo infecções virais, clamidias, parasitárias e bacterianas, ou de problemas que ocorrem em aves isoladas. Suspeitam-se de causas tóxicas e infecciosas quando muitas aves são afetadas.
Uma história de exposição ou acesso a uma toxina potencial é significativa em uma ave cega. As toxinas que podem causar cegueira incluem chumbo, organoclorados, cefaloridina e micotoxinas.

As rações contaminadas com micotoxinas podem resultar em anormalidades que causam cegueira. A ingestão dose tóxica de micotoxina pode resultar em morte em poucos dias. Uma exposição crônica pode causar hepatopatia, levando a encefalopatia hepatica e cegueira associada.

O início de sinais depois da ingestão alimentar pode indicar encefalopatia hepatica.

A exposição a fezes de gato possui importância clínica. A toxoplasmose é adquirida através da ingestão de oocistos nas fezes de gatos infectados e exposição a artrópodos coprófagos ou a suprimentos de alimento ou água contaminados com fezes provenientes de gatos infectados.

A catarata também pode ser comum nas aves idosas, onde pode-se observar uma opacidade causada pela degeneração do cristalino, proveniente da idade, também as aves apresentam uma coloração mais clara nos olhos, e muitos clientes chamam esse processo patológico de "mancha nos olhos", ou "olho turvo", "gota perena", entre outros.

A consulta com a medicina especializada em aves é de suma importância, para que se possa obter um diagnostico fidedigno e assim realizar o tratamento mais apropriado.

Não exite em procurar auxilio em qualquer problema nos olhos de suas aves, pois estes são extremamente sensíveis e precisam de tratamento específico. No caso de ter entrato um corpo estranho, pode-se antes ir para consulta, lavar com soro fisiológico 0,9%.

Dr.ª Ana Roberta de Almeida Coutinho
Medicina de Aves - Clínica Médica
Especializada em Aves
CRMV-RJ 6954
Fonte: http://trincaferroverdadeiro.blogspot.com/

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10. Salmonelose

Há um grupo de bactérias chamadas Enterobacteriáceas porque vivem no intestino (entero = relativo ao intestino), principalmente no cólon, embora possam também colonizar outros habitats. No grupo estão bactérias muito patogênicas como as Salmonellas, as Shigellas, a Edwardsiella, o Citrobacter e a Yersinia. Têm a forma de bacilos (bastonetes), vivem em ambiente com oxigênio (aeróbias) ou sem ele (anaeróbias), fermentam a glicose produzindo ácidos e gases, algumas possuem flagelos que facilitam a movimentação e possuem cromossoma com duas hélices de DNA. Resistem ao ambiente ácido do estômago e ao ambiente alcalino, detergente (determinado pelos sais biliares) e rico em enzimas do intestino delgado. Algumas vivem como simples comensais no intestino e outras podem ser extremamente patogênicas. São resistentes a muitos agentes físicos, mas podem ser mortas pelo calor de 54.5 graus centígrados por uma hora ou 60 graus centígrados durante 15 minutos.

Permanecem viáveis alguns dias na temperatura ambiente ou nas baixas temperaturas e durante semanas no esgoto, alimentos secos, agentes farmacêuticos e material fecal. São bactérias de grande plasticidade genética que permite viverem numa grande variedade de habitats. Há Salmonellas altamente adaptadas aos humanos, outras altamente adaptadas aos animais que geralmente não causam problemas para os humanos e outras não adaptadas a hospedeiros e que podem determinar doenças tanto em animais como em humanos. Na superfície contêm três antígenos: o somático (O), o flagelar (H) e o capsular (K) que servem para os testes sorológicos para a identificação. As Enterobacteriáceas, como as Salmonellas que nos interessam no momento, são consideradas os mais importantes patógenos intestinais das aves. As espécies aviárias que não possuem ceco (porção inicial e ampolar do intestino grosso), ou ele é rudimentar, são mais suscetíveis às Salmonellas do que as que possuem o ceco funcionando normalmente. Embora a transmissão mais comum seja a fecal oral, pode acontecer a transmissão por via respiratória pela inalação de bactérias contidas na poeira contaminada por penas ou fezes. O embrião pode ser contaminado por bactérias possuidoras de membranas ou sem elas (formas L) que penetram pelos poros da casca do ovo. Um número muito pequeno de bactérias, maior do que 9 ou 10, pode matar o embrião. Quando o número e a virulência da Salmonella não são capazes de matar o embrião, o filhote nasce contaminado e capaz de disseminar a bactéria por toda a ninhada. Também é importante o criador saber que pode haver uma adaptação entre o hospedeiro e o invasor durante o choco do ovo e o filhote nascer como um portador subclínico (portador são) da bactéria, mas capaz de disseminar o parasita. As aves livres, como os pardais e as rolinhas, também podem ser portadores sãos das Salmonellas e, assim, serem fontes de contaminação de aviários. Há outra forma de contaminação vertical do filhote quando ele é alimentado por conteúdo contaminado do papo da mãe ou do pai. e, assim, serem fontes de contaminação de aviários. Um dado interessante, importante e preocupante: normalmente o intestino do filhote recém-nascido é estéril e, aos poucos, vai sendo colonizado por bactérias acidófilas não patogênicas. Mas, na contaminação do embrião, a colonização inicial do intestino do filhote pode ser pela Salmonella. A fêmea com Salmonellas no ovário pode contaminar a gema ainda no próprio ovário. O ovo pode ser contaminado durante qualquer fase da postura e durante o choco. Algumas vezes podem haver aves que apresentam a doença de forma crônica, com períodos de septicemia (presença da bactéria no sangue) e sinais clínicos. A primeira descrição da Salmonella foi feita em 1894, por Theobald Smith, e o nome foi uma homenagem ao seu supervisor, Daniel Salmon. O gênero Salmonella possui três espécies: Salmonella typhi, S. choleraesuis e S. enteritidis, as primeiras duas com somente um serotipo cada uma e a terceira com mais de 1800 serotipos. A classificação baseada no estudo do DNA determina somente duas espécies: Salmonella entérica e Salmonella bongori. A espécie entérica possui seis subespécies(entérica, salamae, arizonae, diarizonae, houtenae e indica); a subespécie entérica possui um grande número de sorovares (paratyphi A, typhimurium, agona, derby, heidelberg, paratyphi B, cholerasuis, infantis, virchow, dublin, enteritidis, typhi e anatum). Hoje, os quadros epidêmicos podem ser acompanhados e controlados por técnicas muito refinadas como a análise dos plasmídeos e a digestão dos genes cromossômicos pelas endonucleases, capazes de diferenciar mínimas diferenças nas estruturas cromossômicas das bactérias. Aqui, somente interessam as Salmonellas chamadas não tifóides, ficando de lado os quadros sistêmicos graves conhecidos por febre tifóide ou febre entérica, determinados pela Salmonella typhi, cujo único hospedeiro é o homem. Acomete milhões de pessoas anualmente, sendo a metade de jovens abaixo de 20 anos de idade e um terço de crianças abaixo dos quatro anos. A maioria dos casos surge nos meses quentes. Os principais reservatórios dessas Salmonellas são o frango, os perus, os patos, as ovelhas, os porcos, o gado bovino, os pássaros e os animais de estimação, inclusive o gato. O uso de pequenas doses de antibióticos em animais facilita a emergência de cepas de bactérias resistentes aos mesmos no intestino dos animais; no ato da matança essas bactérias podem contaminar a carne. Geralmente ocorre em surtos ocasionados por alimentos ou, mais raramente, água contaminados. As carnes de aves domésticas ou os seus produtos, principalmente os ovos, são fontes importantes de infecção humana. Os ovos podem ser contaminados por Salmonellas que penetram pela casca ou diretamente por bactérias existentes nos ovários das aves e que infectam as gemas. Muito cuidado com o consumo de ovos crus ou mal cozidos diretamente ou contidos em maioneses, saladas, etc. O ovo da pata (a mulher do pato) criada nos quintais contamina-se facilmente na cloaca da ave ou pelo péssimo costume da postura no chão. Cuidado com as carnes de animais cruas ou mal passadas dos quibes, churrascos, bifes, etc. Um churrasquinho mal passado pode acabar com uma festa de casamento ou de aniversário. E encontro de passarinheiro que se preza termina, ou começa, sempre em volta de uma mesa ou de uma churrasqueira. Não seria de bom tom o pássaro voltar para casa são e o dono contaminado. Cuidado redobrado com animais de estimação, especialmente com as tartaruguinhas de aquário e as iguanas. Os passarinheiros devem ter cuidado especial com alimentos derivados de peixes e ossos fornecidos aos pássaros. Outras fontes são o leite ou seus produtos não pasteurizados, instrumental médico e medicamentos feitos com produtos animais contaminados. No passado aconteceram vários surtos de salmonelose dentro de hospitais e determinados pela Salmonella cubana, contaminante do corante carmim usado nos laboratórios; esse corante tem como matéria prima o inseto Dactylopius coccus costa, hospedeiro da S. cubana e encontrado originariamente no México e América Central. As frutas e verduras podem ser facilmente contaminadas pela água, devendo ser rigorosamente lavadas se forem consumidas com a casca ou cruas. Cuidado com a qualidade, o prazo de validade e a estocagem das rações dos animais. Já foi descrita a infecção da criança durante parto vaginal de mãe infectada. O estado de portador crônico das Salmonellas não typhi é raro entre pessoas sadias. Após uma infecção, o animal pode eliminar as Salmonellas por até 5 semanas. Na parede intestinal são notados inflamação difusa com inchação, algumas vezes erosões e microabscessos. Apesar da capacidade do organismo penetrar na parede intestinal, raramente são observadas ulcerações ou destruição do epitélio. A acidez do estômago, principalmente quando chega próximo ao pH 2, mata um grande número de bactérias, mas, os recém-nascidos e crianças, possivelmente os filhotes de pássaros, que têm acidez menor e o estômago é esvaziado mais rapidamente, são mais vulneráveis à salmonelose sintomática. A passagem estomacal mais rápida para os líquidos do que para os sólidos explica porque um número pequeno de bactérias pode provocar doença nos surtos determinados por água contaminada. No intestino as Salmonellas competem com as bactérias da flora normal para o crescimento; esse equilíbrio pode ser quebrado, em favor das Salmonellas, principalmente se forem resistentes, pelo uso inadequado de antibióticos. O uso de medicamentos que diminuem a motilidade intestinal, favorecendo o maior tempo de contato da bactéria com a parede, como os antiespasmódicos, favorece a atividade da bactéria. Após a multiplicação na luz intestinal, as Salmonellas aderem-se à parede da célula e penetram sem ocasionar lesões ou ulcerações. Embora muitas bactérias produzam citotoxina capaz de facilitar a penetração, o seu papel ainda não é muito claro. Algumas Salmonellas produzem uma enterotoxina semelhante a da cólera e que determina grande fluxo de água e eletrólitos para a luz intestinal, mecanismo principal da diarréia aquosa. A infecção pelas Salmonellas não tifóides caracteriza-se pelo início súbito com febre, náuseas e vômitos, cólicas abdominais inicialmente na região do umbigo e no quadrante inferior do abdome, diarréia com fezes aquosas, algumas vezes com aspecto disentérico com sangue e catarro mostrando que o cólon foi atingido. A incubação é curta, em média 24 a 48 horas. Outros sinais são dor de cabeça, tonteiras, confusão mental e distensão abdominal. Algumas vezes surgem sinais de meningismo e convulsões. Embora a salmonelose não tifóide se restrinja à parede intestinal, em condições especiais as bactérias podem invadir a corrente sangüínea (bacteremia) e chegar a qualquer órgão, sendo os preferidos as meninges, os pulmões e os ossos. Nos pássaros podem também chamar a atenção a sede intensa, o aumento do volume urinário, a falta de ar (algumas vezes pode não significar acometimento pulmonar e sim cardíaco), algumas vezes sinais articulares e a secreção ocular que caracteriza a conjuntivite. A possibilidade das Salmonellas poderem provocar infecções nos ovários e testículos é de importância prática para o criador preocupado com a fertilidade dos seus pássaros. Enfim, é doença que pode evoluir somente com sinais gastrintestinais, como a diarréia, ou tornar-se uma poliesculhambose, como diria um amigo de turma de medicina. Em ave encorujada (o neologismo é inevitável), com diarréia aquosa e, principalmente se houver catarro e sangue, a salmonelose deve fazer parte do diagnóstico diferencial. O diagnóstico laboratorial pode ser feito pela cultura das fezes ou de outros líquidos orgânicos, como o líquor, o líquido sinovial e a urina. Se houver possibilidade de colher material de supurações, o tingimento pelo método de Gram é de valia. As bactérias crescem bem em meios de cultura não seletivos como o agar-sangue ou o agar chocolate. Quando há possibilidade da presença de bactérias da flora, como nas fezes, podem ser usados meios seletivos como o MacConkey, XLD e bismuth sulfite (BBL). A identificação pode ser feita pelos exames bioquímicos e sorológicos usando anti-soros específicos. O uso do ADN para identificação das Salmonellas, uma fineza técnica, atualmente somente é possível em laboratórios experimentais. Nos humanos não há, a não ser em casos especiais determinados pelo médico, indicação para o uso de antibióticos nas gastrenterites determinadas pelas Salmonellas. Os cuidados gerais, como a hidratação, são suficientes. Além desses casos especiais de gastrenterites, os antibióticos estão indicados nos casos em que há a bacteremia ou focos fora do intestino. A dúvida de usar ou não antibióticos também é válida para as aves, mas, pela possibilidade da disseminação vertical ou horizontal da doença para um grande número de aves, o uso de antibióticos parece que deve ser mais liberal. Existem vários antibióticos que podem ser usados como a ampicilina, a associação sulfametoxazol-trimetoprima (na realidade um quimioterápico e não um antibiótico), cefalosporinas de terceira geração e as quinolonas. Volto a afirmar, o tratamento dos animais é prerrogativa do veterinário. Os criadores devem restringir a sua atuação aos cuidados profiláticos. Afinal, mais vale prevenir do que remediar. Aos governantes, à comunidade e às pessoas cabe procurar os meios para evitar o contágio pelas Enterobacteriáceas:
• Tratamento da água e fornecimento a toda a população em quantidade suficiente. Construção de sanitários públicos limpos, cuidados com o lixo e construção de esgotos são também atos governamentais essenciais.
• Construção de sanitários nas residências, evitando fossas e a eliminação dos dejetos no meio ambiente. O canis devem ser mantidos escrupulosamente limpos, devendo as fezes serem encaminhadas para a rede de esgotos tão logo sejam eliminadas pelos animais. As botas usadas durante a limpeza dos canis não devem ser usadas em outros compartimentos, assim como outros utensílios como vassouras, rodos, mangueiras de água, etc. Não esguichar a água diretamente no bolo fecal para não disseminar possíveis parasitos; recolhe-las com uma pazinha e somente depois lavar o chão.
• Evitar nadar em águas também freqüentadas por animais. É comum a natação em rios que são contaminados a jusante por excrementos de animais de fazendas, sítios e chácaras.
• Ficar atento ao tratamento dos animais domésticos, algumas vezes contaminantes do meio ambiente familiar. Animais domésticos não devem ficar dentro de casa, principalmente se houver crianças. Evitar que crianças brinquem nos locais destinados aos animais. Deixar o cão freqüentar a piscina é um risco que deve ser bem calculado.
• Lavar as mãos das crianças antes das refeições e após as evacuações usando sabão e uma escovinha para limpar as unhas. Lavar as mãos adequadamente é uma das ações mais importantes no controle das infecções, tanto por sua eficiência como pela facilidade de execução. Infelizmente, é muito negligenciada pelas pessoas. Se o criador conseguir lavar as patas dos filhotes, pelo menos uma vez por dia, usando água e sabão, evitaria algumas dores de cabeça
• Isolar o animal doente e procurar detectar os parasitas em outros animais do canil. Enfim, como as Salmonellas atuam como verdadeiras zoonoses, capazes da transmissão animal-homem, e também homem-animal para não ser injusto, os cuidados sempre devem envolver os dois elos. Nunca esquecer que o criador também tem família.
E daí, devem estar perguntando os passarinheiros, o que temos a ver com isso? Tudo. Como zoonoses, as Salmonellas podem atingir o homem vindo dos animais e vice-versa. Portanto, além da importância do controle da salmonelose no plantel, as suas atitudes passam a ter um sentido social mais amplo.
O controle é relativamente fácil. O principal modo de transmissão é o fecal-oral: saída dos parasitas pelas fezes, contaminação do meio-ambiente e entrada pela boca. Desconhecer esse princípio básico é dar mole para o bandido. Portanto, todos os cuidados citados aí em cima envolvendo o homem e o cão têm tudo a ver com os passarinheiros. Estão todos na mesma barca e o azar de um pode ser a desgraça do outro.
Especificamente, alguns cuidados podem ser tomados pelos passarinheiros para evitar que o seu criatório (criadouro. Na verdade, ainda não achei uma boa e definitiva palavra para definir o local onde são criados pássaros) torne-se foco exportador e importador de Enterobactérias:
• Lavar rigorosamente as mãos com água e sabão, sabão mesmo, esfregando as unhas com uma escovinha antes de manusear as frutas, as hortaliças e a água que serão fornecidos aos pássaros. As mãos devem ser lavadas, sempre com água e sabão, antes e depois de manusear pássaros ou os utensílios.
• Lavar rigorosamente, com água e sabão, frutas e as hortaliças que serão dadas aos pássaros e enxágua-las muito bem. Podem ser deixadas por alguns minutos em solução de água e vinagre ou de hipoclorito de sódio, não se esquecendo de enxaguar copiosamente antes de dá-las aos pássaros. Pela simplicidade, creio que o lavar as mãos e as frutas e hortaliças já será uma grande ajuda no controle desses parasitas.
• Oferecer aos pássaros somente água, no mínimo, filtrada. A água fervida seria mais seguro, desde que seja mantida no fogo pelos menos durante 20 minutos após levantar a fervura. Os mesmo cuidados devem ser tomados com a água para os banhos dos pássaros. Lavar, se possível de maneira individualizada, os utensílios também com água filtrada. Se for possível, pelo menos uma vez por mês, ferver os utensílios resistentes à fervura, principalmente as grades e as bandejas do fundo da gaiola. Se for organizada uma rotina, mesmo nos criatórios maiores as atividades profiláticas serão relativamente fáceis.
• A manutenção higiênica do prédio onde está instalado o criatório deve ser diária, evitando o acúmulo de dejetos e restos alimentares. Ter um jogo de mangueira, pazinha de limpeza, baldes, botas, vassouras, rodos, cestos de lixo, etc. somente para dentro do criatório. Se existirem mais de um ambiente, um jogo para cada um. Verão que vale a pena o investimento. O uso de detergentes e outros produtos de limpeza bactericidas deve ser feito com orientação técnica. Aqui não cabem improvisações.
• Tratar as fêmeas com salmonelose é essencialíssimo pela possibilidade delas infectarem verticalmente os ovos e a gema tornando o problema de difícil controle no criadouro. Somente os ovos postos um mês ou mais após o tratamento da fêmea devem ser chocados.
• Tratar os machos galadores infectados, pois, por ser comum usá-los com várias fêmeas (poligamia), poderão contaminar o plantel numa proporção geométrica. Não tenho qualquer dado sobre o assunto, mas seria esperada maior possibilidade de contaminação dos machos, devido às grandes aberturas do bico durante os cantos, pela poeira contaminada.
• Fazer exame de fezes em todos os filhotes nascidos de mãe e/ou pai contaminados e tratar os casos positivos deixando o restante em observação constante. Os gaiolões com muitos filhotes funcionariam como creches ampliando a disseminação da bactéria.
• Não caia naquela de dar antibióticos com finalidade profilática. São muito poucos os casos em que o uso profilático de antibióticos tem valor comprovado. E a salmonelose não é um deles. Fazendo isso você estará criando cepas resistentes da Salmonella, um problema para a sua própria família e para os seus pássaros.
• Cepas resistentes de uma bactéria que se propaga facilmente num canaril são pragas de sogra (só um xiste, porque a minha era ótima, não tenho queixas).
• Muito cuidado com as fezes das aves. O papel do fundo da gaiola deve ser trocado diariamente. O costume de colocar várias camadas de papel não é bom, pois, o filtrado da parte líquida fecal pode levar os parasitas para a folha de baixo (lembrar que estamos lidando com seres microscópicos).
• Deve ser usada uma folha de papel e a bandeja deve ser limpa diariamente e colocada ao sol (para isso, seria bom ter, pelo menos, duas bandejas por gaiola). Individualizar as bandejas para evitar usar bandeja usada em gaiola de pássaro contaminado em a gaiola de pássaro não contaminado, criando, assim, condições para disseminação da infecção pelo criatório. Se você usa areia na bandeja, tenha muito cuidado, pois, se não houver troca constante e higiene impecável, será um meio propício para manutenção dos parasitas.
• Muito cuidado com as gaiolas usadas para manter os machos ou levá-los aos torneios. Como ficam a maior parte do tempo fora do criatório, no ambiente externo e em locais diferentes, têm maiores possibilidades de ser depósitos de parasitas. São feitas de madeira, com muitos detalhes e têm muitas saliências e reentrâncias que facilitam a vida dos parasitas e dificultam higienizá-las. E, na maioria das vezes, não possuem grade separando a bandeja dos pássaros como acontece com as gaiolas de criação. Creio que, num futuro próximo, poderão ser substituídas por gaiolas feitas somente de arame.
• As vasilhas contendo sementes, farinhadas, minerais e água devem ser colocadas de modo a evitar que sejam atingidas pelos jatos evacuatórios dos pássaros. Inspecioná-las diariamente e, se estiverem sujas com excrementos, desprezar o conteúdo e higienizá-las.
• Muito cuidado com os poleiros. Devem ser colocados de maneira que não possam ser sujos pelas fezes, pois, pelo hábito das aves limparem o bico neles após alimentarem-se, a contaminação será fácil.
• Cuidado especial com pássaros trazidos de fora do canaril, mesmo que seja somente para uma galadinha. Fazer quarentena nem sempre é praticável. Se o galador vier de canaril que mantenha boas condições higiênicas tudo fica mais fácil. Seria ótimo os donos dos bons pássaros galadores manterem os pássaros em ótimas condições de higiene física, social e até mental, pois, eles podem representar um boa fonte de renda para abater nas despesas do criatório.
• Com as aves adquiridas para compor o plantel a quarentena é obrigatória, a não ser que venham de criatório que mantenha rígidas condições de controle sanitário do plantel. Creio que a quarentena de três semanas seja suficiente para a maioria das doenças infecciosas. Não trazer o pássaro em gaiolas do criatório onde o adquiriu. Manter o pássaro entrante fora das instalações que albergam o plantel. O ideal seria uma pessoa para cuidar somente dele e que não tivesse acesso ao criatório. Se não, usar luvas ou lavar rigorosamente as mãos, com água e sabão, após o trato e cuidados com os utensílios da ave em quarentena. Todos os utensílios, produtos alimentares, vassouras, pazinhas, cestos de lixo, etc. devem ser mantidos separadamente dos usados para o plantel. Ponto de água para lavar os utensílios separado. Muito cuidado com os excrementos. A quarentena deve ser para valer ou nem vale a pena ser feita.
• Cuidado com os machos que vão a torneios ou a outros criatórios para coberturas. Seria interessante ter uma gaiola somente para torneios e outra para a manutenção do pássaro no criatório.
• Levar água filtrada e/ou fervida quando for a torneios, evitando dar ao pássaro água da torneira sem as condições higiênicas seguidas no criatório. Se esquecer, é preferível dar água de garrafa tipo natural. Nem para o banho deve ser usada água do local dos torneios.
• Cuidado com a água do banho dos pássaros. Deve ser, pelo menos, filtrada e, sempre que possível, fervida. Tirar a vasilha logo que o pássaro terminar o banho.
• Algumas vezes os parasitas podem ser trazidos para o criatório pelas patas de pássaros, como os pardais, ou das moscas. Telar as janelas, portas e as aberturas para a ventilação é medida heróica. Não deixar lixo ou restos de comida expostos é essencial porque eles atraem pássaros, moscas e predadores, inclusive ratos. Muitas plantas também são atrativos.
• Cuidado muito especial com o micro-ambiente formado pelo ninho e com os seus habitantes. Examinar cuidadosamente as matrizes, somente colocando para procriar aquelas que estejam realmente em ótimas condições de saúde. Seria seguro fazer cultura das fezes e do material colhido da cloaca de todas elas ou, nos plantéis maiores, selecionar para o exame por amostragem. O mesmo procedimento deveria ser feito com os machos. Higienizar com muito cuidado as caixas, os ninhos e o material usado para confecciona-los.
• Durante a temporada de cria seria bom uma culturazinha do material dos ninhos, por amostragem ou não. Os ovos têm alguma defesa física contra a entrada de parasitas, mas, os ovos alterados, como casca muito fina ou pequenas quebraduras microscópicas da casca, os tornam mais vulneráveis.. Há técnicas para a lavagem da casca dos ovos usando desinfetantes apropriados ou solução com antibióticos como a gentamicina, mas não sei os resultados e não cabe nesse trabalho (se houver interesse, consulte o seu veterinário). Pode ser feito o exame dos ovos, entre o sétimo e o décimo dias de choco, usando uma fonte de luz apropriada para a transiluminação (ovoscopia); todos os ovos que não demonstrem atividade embrionária devem ser descartados, pois, além de provavelmente estarem vazios, serão presas mais fáceis dos parasitas. Se houver suspeita da contaminação do ovo, fazer cultura dos fluidos e tecidos de dentro deles. Embriões ou filhotes recém-nascidos que morrerem deverão ser submetidos à necropsia. São cuidados um pouco trabalhosos, mas deve ser lembrado que visam proteger as matrizes e os padreadores, as maiores riquezas do criador por serem os depositários de uma seleção genética de anos.
• E sol, amigos, pois, onde entra o sol não entra o médico, ou o veterinário, como dizia minha avó. Locais escuros, muito quentes e úmidos jogam para os bandidos.
• As medidas profiláticas são econômicas e, tornadas rotinas, de fácil execução. Servem também para evitar muitas outras doenças que infernizam os criadores, como as determinadas por outras bactérias intestinais (Escherichias, Yersinia e Campylobacter) e pelos protozoários intestinais.

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11. PIOLHOS, ÁCAROS e o uso de IVERMECTINA em Aves!?
Por
Dr. Felipe Victório de Castro Bath

Prezados leitores e amigos! Estou de volta. E depois de um tema bombástico anterior que foi a verdade sobre coccidiose hoje é a hora da verdade sobre os piolhos, ácaros e o uso de ivermectina em aves. A cada tema polêmico abordado percebo que as pessoas estão cada vez mais atentas e críticas à informação propagada principalmente na internet. Já publicamos aqui inúmeros artigos como pivite em Trinca Ferro, Sinusite em Aves, Clamidiose, Sucesso em aves de torneio e tanto outros ao longo desses quase 2 anos. Como o tempo passa rápido... Lembro como se fosse ontem eu todo humilde panfletando na feira da Tijuca (coisa que faço até hoje) antes que pensem que perdi a humildade... e encontrando pessoas que são realmente grandiosas como o Oscar Saldanha; Jose Luis (JLC) e tantos outros criadores de renome e hoje percebo como afeto e entro na vida das pessoas com os artigos escritos aqui. A grande satisfação é uma pessoa te ligar e falar exatamente o que você descreve no artigo sem omitir fato nenhum. A identificação precisa da carência de informação técnica sobre o assunto. Isso não tem preço. Mas antes que as lágrimas escorram vamos ao que interessa. Hoje o tema é longo! Estou empolgado! Por isso para não perder o hábito fiquem confortáveis e boa leitura. Os ectoparasitas vão se subdividir nas aves em dois grandes grupos de importância: piolhos e sarnas. E os carrapatos?! Também pertence aos ácaros, mas para nós aqui hoje em pássaros não possui muita importância. E não estou aqui para ficar falando classificação taxonômica. Esses piolhos e ácaros são subdivididos em chupadores (sangue) ou mastigadores (pena).
Sabendo-se disso vamos entender como funciona a ivermectina. Esta deve ser absorvida pelo organismo seja de forma tópica, oral ou outra via e ser metabolizada no fígado tornando-se ativa. Ela age efetivamente causando uma "paralisia muscular" do parasita e este acaba morrendo de inanição na maioria das vezes. Então já cai a primeira lenda que não adianta usar ivermectina direto em cima do parasita em questão, pois tem que metabolizar no fígado da ave. A segunda lenda é que a maioria dos ectoparasitas nas aves são mastigadores com raras exceções e por isso o produto não fará efeito, pois a ave esta comendo penas e o não terá contato com o produto mesmo depois de metabolizado. Então meus amigos usar ivermectina e ainda mais de forma indiscriminada para ectoparasitas há grandes chances de errar. E por outro lado vermifugar a ave com o produto vocês já viram na edição passada que é desperdício de tempo e dinheiro. Vejo milhares de pessoas usando 1 gotinha de ivermectina na coxa ou no bico ou o que é pior veterinários repetindo e propagando o erro em suas consultas dizendo que estão vermifugando a ave ou que é profilaxia para piolhos... e o pior que as pessoas acreditam e chega ao ponto da pessoa falar que você não vermifugou a ave dela na consulta... putz aí é o fim da picada aí essa pessoa merece ganhar a coletânea da Revista Pássaros para ler e fazer uma lavagem cerebral de conhecimento. Hoje existem produtos veterinários a base de ivermectina que possui as suas indicações, mas vejo tanta pessoa usar errado aí depois reclama que intoxicou ou que o produto é ruim. O problema está quando e onde usar. Essa é a grande questão. O exemplo clássico é sempre assim: minha ave está se coçando e já usei 1 gotinha na coxa e já usei o produto veterinário e ela continua se coçando e arrancando penas.

A resposta é simples, primeiro usar gotinha na coxa não é dosagem e nem terapêutica, isso é pajelança/curandeirismo e não medicina veterinária preventiva. Segunda mesmo que use o medicamento veterinário indicado para aves registrado tudo certinho com certeza faz subdosagem. O produto é claro é 1 gota para 5g de peso da ave. A pessoa quer fazer 3 gotas num Trinca Ferro... aí fica difícil no mínimo ele vai pesar 70g o que daria 14 gotas em contato direto com a pele do produto... outro erro muita gente não afasta as penas para administrar o produto corretamente. O produto é bom, mas não sabem usar. E por fim se você fez tudo certo ficará triste agora, é que ivermectina não possui ação sobre ectoparasitas malófagos (mastigadores)... ahhh... que triste... eu sei é um choque para todas as pessoas. Ahh... antes que me esqueça usar spray mata barata para acabar com piolhos também é pajelança e das brabas mesmo. Eu não sei o que leva uma pessoa a usar um produto que mata barata na sua ave de estimação! Podia usar na cabeça do filho também né!? Depois dessa proponho ate uma pausa para retomar o ar... Aí sua ave continua se coçando; daí já evolui para automutilação e piora tudo. Automutilação fica para outra hora. Outro exemplo é a ave que coça o olho no poleiro. Com quase toda certeza está com sarna. Mas o Dr. lá falou que era conjuntivite no meu cúrio. Pode até ser, mas a causa primaria foi pela sarna. Os sinais são claros: irritabilidade, coceira, emagrecimento, etc. Quando falo muitas vezes para a pessoa que a ave possui piolho ou ácaro ela tira o poleiro e bate no papel branco. Todos já fizeram isso. Todos querem ver o danadinho! Mas neste caso de bater o poleiro só vera piolhos vermelhos que chupam sangue das aves. Esse sim a ivermectina fará efeito, assim como nos ácaros que parasitam as vias aéreas principalmente de canários. Mas nem tudo é isso e muitas vezes devem ter uma Micoplasmose associada e cura não é total. Não é tão difícil de uma ave possuir piolhos vermelhos, mas é mais comum quando tem ninho e podem levar a morte rapidamente os filhotinhos. Então Dr. Felipe qual o melhor produto ou o mais indicado para esses piolhos ou ácaros que mastigam penas. Logicamente tem que ser um produto por contato. Que mate o ectoparasita quando entra em contato diretamente. Temos hoje produtos em pó ou líquidos. Eu particularmente não uso os produtos em pó pelo risco da ave esfregar o olho nas penas e ingestão do produto. Além do mais você fazer na clinica é uma coisa. A pessoa fazer em casa é totalmente diferente. A pessoa não consegue manusear a calopsita tão bem quanto você e ainda mais colocar produto em pó. Com certeza vai uma pitada no olho certo... Eu prefiro os produtos líquidos, pois alem de penetrar facilmente as penas e encharcar rapidamente a ave pode pegar nas mucosas que nada ira acontecer com a ave. Irritabilidade são raras pelo produto. O detalhe é fazer isso em dias quentes e secar a sombra ou ao sol dependendo do produto. Hoje existem produtos naturais muito bons, porém estes devem ser feitos por mais tempo e em intervalos menores de administração. E jamais esquecer que dependendo da espécie mais de 90% dos ectoparasitas está nas instalações do criadouro e gaiola, outro erro crucial. Toda ave é susceptível a piolhos e ácaros. A melhor maneira de evitar é profilaxia e controle. As mesmas coisas que comentamos sempre quarentena de aves novas; exames rotineiros e ter um acompanhamento de um profissional especializado.

Fonte: Boletim Campo das Caviúnas - Nº 2 - Abril de 2003 - COLABORAÇÃO: MARCIO OLIVEIRA

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12. ROUQUIDÃO EM TRINCA FERROS


Por
Dr. Felipe Bath

Prezados leitores e amigos! Já estava com saudades de escrever para vocês. Hoje conversaremos sobre rouquidão. Neste último mês creio que foi o recorde absoluto de atendimentos a trincas roucos, sendo a grande maioria de Torneios. Isso me leva a algumas perguntas. Será que foi o tempo frio e chuvoso aqui no RJ?! Será que é próprio de Trinca Ferro isso?! Vamos começar esclarecendo alguns ´´mitos e lendas´´ de forma bem objetiva. Pivite nada tem haver com rouquidão. Pivite nada mais é do que um espessamento na ponta da língua do passaro em decorrência de uma alimentação inapropriada, mas isso será o assunto na nossa próxima coluna prometo.
Aí vocês me perguntam: ´´Então Dr Felipe por que meu trinca ferro fica rouco? É verme?´´ A resposta também é que não. O verme a que muitos se referem que acometem os pássaros é o Syngamus trachea e os sinais clínicos envolvem normalmente dipneia. É uma outra longa história... Então pivite é uma coisa, Singamose é outra coisa e rouquidão é outra coisa. São totalmente distintos desde sua sintomatologia até o agente etiológico envolvido.
Então vamos começar a nossa reflexão de hoje. Toda ave possui um órgão que vibra com a passagem do ar chamado siringe, que está localizada no termino da traquéia e início dos brônquios. Então qualquer alteração neste órgão leva a uma passagem de ar com dificuldade, ocasionando um timbre diferente. As causas de comprometimento da siringe envolvem infestação por ácaros, micoplasmose e principalmente uma evolução bacteriana. Logicamente expor a ave a alimentos gelados e correntes de ar também são causas comuns, mas independente disso sempre haverá um fator perpetuante e quase sempre é uma bactéria envolvida. Então Dr Felipe é só dar antibiótico que vai ficra bom? Também não é assim que vai funcionar. Existem antibióticos muito bons para este sitio respiratório e digo ainda que nenhum se encontra em Pet Shop na dosagem correta, são eles: amoxicilina com clavulanato de potássio, norfloxacina e ciprofloxacina. A idéia é levar informação e conhecimento e não fazer com que pratiquem automedicação até porque não passei a dosagem a vocês e não vá pensando que a medida é uma tampa de caneta... isso não existe!
Os sintomas de um Trinca rouco é a voz fanhosa ou ainda a perda da voz parcial ou total. Caso não tratado a evolução é sempre crônica levando a ave a outros problemas de saúde. O interessante é se lembrar que o pus na ave não é fluido igual ao do mamífero e sim caseoso parecendo muito mais uma massa compacta. Daí usar somente antibióticos no tratamento não surtirá efeito. Devem ser associados expectorantes (guaifenesina), broncodilatadores, antiinflamatórios analgésicos, anestésicos e outros medicamentos visando aumentar a imunidade da ave. É uma miscelânea de medicamentos com certeza.
Se você possui uma ave em boas condições de saúde você deve evitar algumas armadilhas não expondo sua ave a correntes de ar, evitar deixá-la em locais mais frios como banheiro e cozinha, evitar o canto após um dia de torneio. Não se esqueça que aves que disputam Torneio de canto devem ser tratadas como atletas e devem possuir um acompanhamento especializado de forma contínua.
O diagnóstico correto do agente etiológico envolvido na rouquidão irá conduzir a melhor terapêutica, mas o fato mais importante é que seu Trinca Ferro deve ficar encapado e sem estimulo para o canto por pelo menos 2 meses. A qualquer sinal de anormalidade com sua ave procure um médico veterinário especializado.
O tratamento é longo (2 meses) e o índice de sucesso é bem grande. Como o tratamento envolve antibióticos muitas vezes temos um repasse de penas que é normal acontecer o que atrasa no desenvolvimento da ave naquele ano. Rouquidão não é esse pavor todo que muitos dizem, o tratamento é longo e chato, mas no final é gratificante com certeza e a cura é completa em 90% dos casos.
Despeço-me por aqui e deixo como reflexão a seguinte frase do O Diaário de um Mago: ´´ Ensinar é mostrar que é possível. Aprender é tornar possível a si mesmo´´. Um grande abraço e até a próxima!

Fonte: TRINCA FERRO VERDADEIRO

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13. Muda Vitaminada: Certo ou errado?!

Por
Dr. Felipe Bath

Prezados leitores a amigos! Estamos em uma época propícia ao tema daí a nossa escolha. A pergunta do momento é: o que posso fazer quando meu passaro está em muda? A resposta é complexa e vamos tentar discutir alguns pontos.
Quando a ave está nesse período de muda seja de penas ou de bico é uma fase de sensibilidade da ave e é neste momento que uma consulta de rotina com o seu médico veterinário especializado deve ser realizada, juntamente com um exame parasitológico de fezes e até outros mais elaborados como salmonelose e mocoplasmose. É o momento também de descanso dessa ave, principalmente se está for de competição.
Esse período de muda seja de penas e/ou bico a ave fica mais quieta e letárgica mesmo. O canto diminui bastante e este não deve ser estimulado. Nessa fase coloque sua ave em local tranqüilo, mais escuro e sem contato visual ou sonoro com outra ave. Pode se manter na capa na maioria do tempo para proteção mesmo. O uso de ferro ou iodo na água só deve ser feito com o acompanhamento de seu veterinário e o intuito é forçar ainda mais essa queda de penas. Vejo muita gente usando ferro após a muda de penas e o resultado é um repasse de penas. Tem o momento certo de se usar esse artifício, ok.
Neste período além do reforço na dieta as aves devem ter uma maior percentual de proteína na dieta, assim como de vitamina A, além dos aminoácidos essenciais para que estas penas e/ou bico se renovem mais rapidamente e com qualidade. Isso é alcançado se fornecendo farinhada de ovo a elas, ou ainda outra fonte de proteína como o próprio ovo cozido e tenébrias. Mas cuidado para não engordar essa ave.
O uso de vitaminas do complexo B não tem muita utilidade nesse período. Primeiro que não vai ajudar em nada nesse período e por acabar estimulando a ave a comer mais podemos terminar a muda com uma pequena a dieta a fazer depois.
O bico também passa por uma renovação natural e fica descascando ou com o aspecto rachado. Esse é um processo de maior sensibilidade nesse bico onde a alimentação deve ser tenra e verduras verdes escuras (couve, chicória, almeirão) são bem vindos na dieta assim como milho e pepino, por exemplo.
Ainda em relação ao bico uma técnica simples que suaviza a muda é lixar o bico com uma lixa de unha mesmo removendo as imperfeições; após isso pode se passar no bico óleo de cravo que se compra em lojas de produtos naturais. Cuidado com a narina do passaro e para ele não comer o produto. Na duvida procure auxilio veterinário especializado, ok.

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14. Hemocromatose - Artigo Revista Pássaros - Dr Renan Cevarolli


 Olá Criadores,
Para quem não me conhece sou o Dr. Renan Cabral Cevarolli, Pós-graduado em Clínica Médica e Cirúrgica de Animais Selvagens e criador há mais de 14 anos. Estarei aqui falando um pouco para vocês sobre algumas doenças mais comuns na minha rotina clínica.
Desta vez, fugindo um pouco da rotina de doenças infecciosas, falarei de hemocromatose, uma doença caracterizada por erro de manejo e desconhecimento da necessidade nutricional da ave criada em gaiola.
A hemocromatose ou doença do armazenamento do ferro, apesar de pouco falada, é comum em aves cuja alimentação baseia-se em alimentos macios, como os Mainás, Sabiás, Trinca-Ferros e todos os Ranfastídeos.
Na natureza, tais aves bebem água rica em Tanino, substância natural que por ser quelante de ferro, dificulta sua absorção. Esta substância, também encontrada em chás, é oriunda da decomposição de folhas e vegetais e impregnam a água de riachos e poças formadas em troncos de árvores de florestas, bebedouros naturais dos alados.
Em cativeiro, além de darmos água livre desta substância, muitas vezes oferecemos rações desbalanceadas ou suplementamos ferro indevidamente, erro mais comum na época de muda pelos passarinheiros. E o que acontece? As aves apresentam hepatomegalia (fígado aumentado), cardiomegalia (coração aumentado), dispneia, perda de peso, distensão abdominal e fraqueza. A popular “oveira” nem sempre é gordura, pode ser um aumento do fígado em resposta à dieta.
A vitamina C, ou ácido ascórbico, participa da oxidação do Ferro biodisponibilizando-o, ou seja, aumentando a sua absorção. Em humanos com a doença, recomenda-se não ingerir frutas cítricas junto com os alimentos, para evitar tal feito. Como temos dificuldade de adaptarmos essa recomendação para as aves, devemos ser cada vez mais criteriosos ao fornecer frutas cítricas, evitando excessos e rotina.
Os exames laboratoriais de sangue demonstram atividade de enzimas hepáticas aumentadas e hipoproteinemia. Em geral, aves frugívoras, insetívoras e onívoras tendem a acumular mais ferro no fígado do que as carnívoras, piscívoras e granívoras. O fechamento do diagnóstico é feito com biopsia hepática, sendo o conjunto de outros exames como o raio-X(figura 1) e a dosagem de enzimas hepáticas apenas sugestivo.
Entre os tratamentos comprovados cientificamente, destaca-se a flebotomia, que nada mais é do que a retirada de 1% de sangue do peso vivo do animal a cada sete dias, por 16 semanas consecutivas, visando retirar mecanicamente o excesso de ferro do organismo, presente também nos glóbulos vermelhos do sangue. Ou a correção da dieta para uma pobre em ferro e o uso de uma substância chamada deferoxamina, também por 16 semanas.
Hoje temos no mercado rações extrusadas adaptadas para cada espécie ou grupo, respeitando suas exigências nutricionais, o que facilita a criação e minimiza erros de manejo. Costumo dizer que uma ave bem alimentada não necessita de suplementação de vitaminas, minerais e aminoácidos; necessita sim de suplementação de atenção, carinho e, sobretudo, observação de seu comportamento.
Encerro este pequeno texto agradecendo o espaço e ressaltando que a profissionalização é fundamental em qualquer área. Estimulemos cada vez mais a assistência técnica de Zootecnistas, Veterinários e Biólogos. A multidisciplinaridade é importante demais nesses pequenos e complexos emplumados. Copiemos menos, entendamos mais, tragamos ideias novas ao coletivo e em breve seremos reconhecidos por realizarmos nossos próprios sonhos.

Artigo da Revista Pássaros 
   _________________
Dr Renan Cabral Cevarolli
CRMV-RJ 11092
Pós Graduado em Clínica Médica e Cirúrgica de Animais Selvagens

21-99666112 21-78553016

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15. Infertilidade na Criação de Aves - Dr Felipe Bath


A pergunta da moda agora é: O que fazer para meu galador voltar a encher ovo!? As pessoas pensam que existe um remédio único e milagroso que trará a sua maravilhosa ave ao apogeu de Afrodite. Não existe milagre. Infelizmente o preparo de uma ave ou plantel começa 1 ano antes. O primeiro passo é observar se sua ave esta em condições de reproduzir, ou seja, esta obesa ou não. Ave obesa não reproduz pelo simples fato de superaquecer a mesma levando a uma não produção de espermatozóides ou óvulos na fêmea na maioria das vezes.

O segundo passo é observar as condições higiênico-sanitários do plantel. Muitos criadores só gritam por ajuda quando já perdeu mais de 50 ovos em branco.. Todo criador deve pensar com 1 ano de antecedência os seus passos. Não adianta que não vai salvar a temporada no meio. Todo plantel deve fazer exame parasitológico de fezes. É o mínimo!! Mas se for uma pessoa com visão fará também cultura e antibiograma, salmonelose e micoplasmose.

A visão empresarial deve mudar. Isso se chama investir no seu plantel. Muitos compram galadores por pequenas fortunas e não investem 1 real com veterinário, exames e profilaxia. E quando investe quer resultado imediato, para estes prefiro nem atender.. Não tem outra matemática 90% das vezes de infertilidade existe alguma doença dessas atuando de forma subclínica o que leva muitas vezes a repetidas mudas ou ate mesmo a retirada da ave da reprodução.

O primeiro sinal de que alguma coisa não esta indo bem é exatamente sucessivas trocas de penas. Voce pode ter certeza que sua ave esta doente. Dificilmente é por carência de vitaminas e tudo mais. Mas dei uma vitamina melhorou você vai dizer. Melhorou por enquanto, mas continua sem encher ovo. Aí com certeza o curioso que te indicou o medicamento vai falar que a ave ainda não firmou e não esta com ordem.. pelo amor dos meus filhinhos vamos ser mais críticos um pouquinho. Vitaminas e suplementos são bons. Tem suas indicações também, mas nem tudo é isso.

Então, já vimos que obesidade atrapalha tanto o macho quanto a fêmea, assim como outras doenças como micoplasmose, salmonelose e outras bactérias. Conto um segredo, 90% dos seus problemas estão aqui. Agora o grande vilão de todos é o excesso de medicamentos que vejo usarem.. é remédio pra tudo.. é a tal da prevenção que escuto falar.. prevenção de que!? Alguém toma remédio para prevenir gripe, diarréia ou pneumonia.. só se for um hipocondríaco. Outro fato é o uso de medicamentos sem rótulos e inapropriados que se vendem por aí.. será que a Vigilância Sanitária nunca viu isso?! Se é tão bom porque não usa para si próprio!?

Vamos amadurecer e termos senso crítico das coisas. Ainda bem que proibiram a venda nas farmácias de antibióticos sem prescrição de um profissional. A guerra mercadológica é absurda e parece que existe alguém gritando comprem.. comprem.. medicamento só com o consentimento do seu veterinário especializado.

Não existe milagre. Em fêmeas vocês devem ter o mesmo raciocínio. Vejo muita gente sobrecarregar suas fêmeas de carbohidratos e proteínas como se isso fosse resolver todos os problemas. Vejo muita gente dar ração de codorna para Curió e outras aves somente pela ganância de vê-la colocar 3 ou 4 ovos. A fábrica um dia vai parar e uma fêmea que deveria viver no mínimo uns 20 anos não passa de 8. Valeu à pena?! A vida útil reprodutiva seria muito maior se respeitássemos mais a fisiologia de nossas aves.

Então retomando o raciocínio. Afinal Dr. o que faço de errado para meu macho não encher ovo?! É uma mistura de despreparo, desqualificação de mão-de-obra no plantel e desespero em ver seu patrimônio simplesmente desvalorizado em 1 ano. Então quando já vem com a história que o macho não enche ovo. Pergunto se sinceramente quer recuperá-lo ou não, pois amigo criar é uma arte. Tem tanta informação hoje disponível. Não automediquem suas aves, pois com certeza só vai piorar a situação delas. Despeço-me por aqui com o ar de tristeza de que poucos farão os exames e irão procurar um veterinário especializado, mas com a cabeça tranqüila de dever cumprido. Deixo o pensamento do dia: ´´ Ter falhado significa ter lutado. Ter lutado significa ter crescido´´.

Leia mais: http://www.niaas.com.br/news/infertilidade-na-cria%C3%A7%C3%A3o-de-aves/

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16. Muda de Bico e Penas - Dr Felipe Bath


Hoje abordaremos um assunto que corresponde a inúmeras dúvidas no atendimento de calopsitas na clínica que é a muda de pena. A calopsita assim como todo psitacídeo realiza muda de penas quase que ao longo do ano inteiro; então achar no fundo da gaiola uma pena ou outra é absolutamente normal. Logicamente esta muda é mais intensa após o período reprodutivo, ou seja, no final de abril ou início de maio. A calopsita filhote realiza uma muda de penas no período compreendido entre 4 e 6 meses de vida e essa muda damos o nome de muda de ninho. Essa ave realizará novamente outra muda quando completar aproximadamente 1 ano de vida e a partir daí a muda de penas passa a ser anual sempre após o período reprodutivo.

O bico também passa por uma renovação natural e fica descascando ou com o aspecto rachado. Esse é um processo de maior sensibilidade nesse bico onde a alimentação deve ser tenra e verduras verdes escuras (couve, chicória, almeirão) são bem vindos na dieta assim como milho e pepino.

Quando a ave está nesse período de muda seja de penas ou de bico é uma fase de sensibilidade da ave e é neste momento que uma consulta de rotina com o seu médico veterinário especializado deve ser realizada, juntamente com um exame parasitológico de fezes. Neste período além do reforço na dieta as aves devem ter uma maior percentual de proteína na dieta para que estas penas e/ou bico se renovem mais rapidamente e com qualidade. Isso é alcançado se fornecendo farinhada de ovo a elas, ou ainda outra fonte de proteína como o próprio ovo cozido ou ainda um pedacinho de queijo minas 2x por semana, isso se a ave aceitar e ingerir logicamente, caso contrario fique apenas na farinhada, que de preferência deve ser industrializada. Em relação a farinhada de ovo a empresa Vitaves lançou recentemente uma farinhada especifica para calopsita e agapornis.

E aí a essa altura da coluna você vai me perguntar assim: Dr, minha calopsita se coça muita e solta uma ´´caspinha``. O que é isso? Essa caspinha na verdade é a bainha queratinizada que recobre as penas novas e a ave remove naturalmente com o bico. Isso é normal durante a muda. O diagnóstico diferencial sempre deve ser feito com piolhos e sarnas. Aproveitando a coluna ainda, muitas calopsitas quando novas possuem uma carequinha na cabeça; as penas desse local da cabeça são mais tardias no seu crescimento e deve haver a total cobertura do local por volta de 8 meses de idade após a muda ninho, ok.

Despeço-me por aqui. Desejo a todos sucesso com suas calopsitas e atenção redobrada durante a muda! Um grande abraço!

Leia mais: http://www.niaas.com.br/news/muda-de-bico-e-penas/ 

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17. Hepatopatias - Quando o Fígado Acusa o Golpe - Dr. Felipe Bath


Prezados leitores a amigos! Quem nos vem acompanhando ao longo do ano já sabia que iria escrever sobre problemas hepáticos ou calosidade. Então como tive uma oportunidade única esta semana resolvi trazer até vocês um pouco mais sobre hepatopatias. Uma coisa interessante que sempre me perguntam na consulta é: Dr, já olhou o fígado do meu passaro?! Aí eu respondo: Olhe para as fezes que elas podem te dizer muita coisa.

As hepatopatias de maneira geral vão causar um aumento deste órgão realmente, sendo isso observado quando você pega o passaro na mão e assopra as penas da ´´barriga´´ dele. Você vai observar uma mancha mais escura além das costelas dele do lado direito da barriguinha vamos dizer assim. Mas nem sempre isso é fato e você deve se voltar para observação das fezes de sua ave.

De acordo com um cliente observar as fezes é uma arte nojenta, mas é bem interessante o que pode te revelar. Quando o animal sofre de alguma hepatopatia as fezes de sua ave tendem a ficar mais esverdeadas (musgo) e pegajosas ou se apresentarem esbranquiçadas completamente. Logicamente vocês não podem confundir essa tonalidade esverdeada com a influencia da alimentação dele.

Então proponho um teste. Não forneçam alimentos verdes as suas aves por 3 dias, isso inclui verduras e ração industrializada verde. Depois disso coloquem um papel branco no fundo da gaiola. Espere fazer umas 5 fezes e observe a coloração da folha ao redor das fezes e o verso da folha. Interessante né!? Se sua ave apresentar essas manchas verdes provavelmente ela é uma hepatopata. Qualquer que seja a ave, ok.

Agora que já fizeram o teste, temos que descobrir a causa dessa hepatopatia e normalmente está relacionado ao uso excessivo de medicamentos desnecessários ou a uma alimentação de má qualidade ou inapropriada a espécie em questão. Em termos medicamentosos o conselho é um só não automedique sua ave e procure um veterinário especializado para prescrição e orientação, ok.

Se o caso for alimentar caímos numa problemática constante hoje que é a má qualidade das sementes oferecidas no mercado. O acondicionamento dessas sementes é precário desde sua colheita até chegar a nossa casa. O fato da maioria delas já virem assopradas é ótimo e elimina as sujeiras e impurezas maiores, mas o grande problema hoje são as micotoxinas presente na maioria das sementes e mistura, principalmente nas mais oleosas.

Há 2 meses atrás atendi a distancia um Azulão que vinha apresentando convulsão.. Dentre as possíveis causas veio logo o tal do stress, que todo criador quer culpar ele, principalmente quando não temos respostas para o caso, mas logicamente temos as hepatopatias que no caso dessa ave foi a causa e a analise de micotoxinas na mistura de sementes estava 10x o valor permitido para consumo humano. Eu sei que é horrível, mas hoje ela está ótima. Essas hepatopatias podem levar as aves a quadros convulsivos em casos graves como esse. Mas a realidade não é bem essa. As hepatopatias são silenciosas e na maioria das vezes são crônicas.

O melhor remédio é a prevenção. Então invistam em uma alimentação de melhor qualidade, buscando frutas/verduras e legumes orgânicos para suas aves e portando livre de agrotóxico; acondicione melhor a embalagem de comida; forneçam produtos perecíveis como as farinhadas, adicionada de ovo, sempre fresca e retire da gaiola após algumas horas. Invista em um fornecedor idôneo para as suas misturas e rações. Não automediquem suas aves.

é isso, despeço-me por aqui com o pensamento do mês de Albert Einsten: ´´ A mente que se abre a uma nova idéia jamais volta ao seu tamanho original´´ 

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18. Hemograma em Trinca-Ferro - Dr Renan Cevarolli


É com grande alegria que após vários erros e experiências o exame de sangue passa a ser uma rotina no meu consultório. Me sinto feliz em ser um dos pioneiros a realizar o exame complementar mais importante na clínica de passeriformes. Tivemos que mudar o protocolo com relação ao anticoagulante que usávamos, pois este hemolisava as amostras e invalidava o exame. A veterinária de aves tem cada vez mais cara de medicina quando conseguimos fazer exames que parecem ser comuns em animais tão pequenos. Já tinha conseguido com curió e bicudo, mas as hemácias do trinca ferro têm esta característica de ser mais sensível, o que fez com que nos dedicássemos mais. Agora será possível classificar se um animal está anêmico e qual a classificação desta anemia, se está respondendo a alguma infecção e ou parasitose, sugerir diagnósticos que muitas vezes não eram dados por limitações que a tecnologia quebra a cada dia. O momento é de estudo e dedicação a cada dia e o caminho agora é realizar no mínimo 30 exames em aves saudáveis para termos referências hematológicas válidas para uma publicação. Qualquer dúvida e ou sugestão entre em contato! Terei todo o prazer em conversar com você! _________________ Dr Renan Cabral Cevarolli CRMV-RJ 11092 Pós Graduado em Clínica Médica e Cirúrgica de Animais Selvagens 21-99666112 21-78553016

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19. Aspergilose - Dr Renan Cevarolli


Olá Criadores, Sou o Dr. Renan Cabral Cevarolli, médico veterinário e criador há mais de 14 anos, competindo principalmente em torneios de passeriformes silvestres no Rio de Janeiro, onde consegui fazer muitas amizades e, graças a Deus, muitas vitórias. A experiência com criação e principalmente comportamento são fundamentais para obter sucesso na clínica. Coisas aparentemente sem importância como preferência alimentar, “prego”, capa em gaiola e companheiro (fêmea) são fundamentais para minimizar o estresse em uma eventual internação e termos sucesso na terapêutica de algumas doenças. O cortisol é um hormônio produzido em situações de estresse como mudanças para ambientes inapropriados, frequente exposição aos predadores, contenção física, períodos de fome e sede. Este hormônio suprime respostas inflamatórias e imunes, abrindo as portas do organismo para infecções oportunistas como a coccidiose e a aspergilose. Escolhi esta última para me aprofundar um pouco mais visto que é um assunto pouco lido por nós, criadores. Os fungos do gênero Aspergillus são onipresentes, ou seja, estão em praticamente todo lugar. Microscopicamente possuem hifas septadas e esporos que são agentes infectantes para nós e nossas aves. A inalação de esporos e hifas pode causar graves problemas respiratórios, tais como aerossaculite, pneumonia fúngica (figura 1) e aspergilomas de siringe; já a ingestão destes causa principalmente irritação no trato gastrointestinal aumentando a motilidade e causando diarreia. O trato respiratório das aves é o mais complexo dos vertebrados e ao mesmo tempo é delicado e pouco vascularizado, o que dificulta a chegada de medicamentos que combateriam uma provável infecção. Desta forma, a nebulização é de extrema importância para o sucesso na terapêutica de uma micose respiratória. A siringe (figura 2), órgão fonador das aves, pela sua localização anatômica, justamente na bifurcação da traqueia, predispõe ao bloqueio de certos debris como os esporos ou hifas de fungos que podem se instalar e causar a famosa e preocupante rouquidão. O diagnóstico de aspergilose é pelo exame de sangue, radiografia ou vídeo-laparoscopia; que necessitam de contenção física, e o tratamento é de no mínimo 40 dias. Ou seja, tudo que um criador de passeriformes como coleiros, curiós, bicudos e trinca-ferros não quer. Desta forma, a prevenção torna-se fundamental. Podemos prevenir nossas aves de tal infecção com a seleção dos alimentos que fornecemos, dando preferência a alimentos embalados e de sabida origem das matérias primas que os compõem. As rações extrusadas podem ser uma boa opção, visto que possuem teoricamente todas as vitaminas e aminoácidos essenciais aos nossos alados. É praticamente impossível impedirmos a inalação de um ou outro esporo diariamente e que acabam inativados pela própria imunidade do animal. Porém a quantidade de esporos inalados é fator a ser considerado, e uma gaiola suja, certamente possui muitos contaminantes que saturam o sistema imune. Pássaros frugívoros como trinca-ferro tendem a ter a gaiola mais suja e com mais umidade. Seria coincidência tamanha quantidades de problemas respiratórios nestes? Precisamos de diagnóstico! Finalizo este pequeno e simples artigo sabendo que falta muito a se falar deste grupo de doenças causadas por este bioagente, como espécies e toxinas, mas deixarei para uma próxima oportunidade e tendo a intenção, neste primeiro momento, de ter esclarecido os temas mais importantes. Link da página da revista no face, com as fotos: https://fbcdn-sphotos-e-a.akamaihd.net/hphotos-ak-snc7/427521_397861910276984_886635589_n.jpg _________________ Dr Renan Cabral Cevarolli CRMV-RJ 11092 Pós Graduado em Clínica Médica e Cirúrgica de Animais Selvagens 21-99666112 21-78553016

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