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Coleiros e Trincas : AMEAÇAS À VIDA SELVAGEM DO BICUDO E DO CURIÓ
Enviado por jlouzada em 04/04/2014 22:20:00 (22 leituras)

AMEAÇAS À VIDA SELVAGEM DO BICUDO E DO CURIÓ
É certo que, se não houvesse poluição ambiental, não estaria a sociedade toda preocupada com esse assunto. É a ameaça que paira sobre todos. Durante os últimos cinquenta anos, mais de oitenta espécies de animais tiveram sua extinção provocada, ou pelo menos apressada, pela ação predatória do homem.
A verdade é que todos os animais silvestres, todas as plantas e organismos vivos estão seriamente ameaçados. A continuar da maneira que está sendo conduzida a questão, não vai demorar muito para que isso aconteça. A causa maior da progressiva extinção de espécies tem origem na perturbação geral da ecologia terrestre, ocasionada pelo crescimento geométrico da população humana e da ocupação de áreas cada vez maiores que os homens vêm disputando com os animais selva- gens, considerando, ainda, os efeitos colaterais indesejáveis causados pela multiplicação das atividades agropastoris e industriais.
É fácil entender, então, que deter e controlar a progressiva poluição do ar, das águas e do solo é um dos principais desafios da sociedade moderna. A vida e a permanência do homem na Terra estão debaixo de sério risco. Diante disso, então, os animais, para se defender, estão cada vez mais procurando abrigo nos pontos mais inacessíveis do planeta, tão longe quanto possível da ação nefasta de todos os tipos de poluição ambiental.
No Brasil, a degradação ambiental, os desmatamentos indiscriminados e a agricultura predatória, cujos exemplos maiores são as lavouras de arroz, cana-de-açúcar e soja, em geral praticadas em vastas extensões territoriais, estão provocando nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste um verdadeiro desastre ecológico. É a prática da monocultura que a natureza não aceita e contra o que sempre reage. Esse tipo de exploração exige a crescente utilização de agrotóxicos para combater as plantas daninhas e os insetos nocivos que a natureza vai deixando proliferar para se antepor à monocultura. E as pulverizações com DDT efetuadas às vezes pelo próprio poder público, é responsável pelo desaparecimento de imensas populações de aves, principalmente aquelas que habitam brejos e mangues, como é o caso do bicudo e do curió.
Uma máxima popular que trata da questão ecológica diz com muita propriedade: Se planejamos para um ano, devemos plantar cereais; se planejamos para daqui a dez anos, devemos plantar árvores; e se planejamos para toda a vida, devemos treinar e educar os homens, notadamente para a questão ambiental. Fica a pergunta, será que há alguém pensando nessa última hipótese? Não adianta ficar nessa de ensinar a dançar, a representar e ser músico. Tem que produzir, tem que se preparar para a realidade da vida a cuidar da terra em que vivemos.
Esperamos que algum acontecimento desperte as pessoas, para te- rem, doravante, consciência da degradação irreversível que estão causando à natureza e assim partam efetivamente para conter sua indiscriminada ação predatória. É lógico que a humanidade precisa se alimentar e é obrigada a ocupar novos espaços, não sem antes buscar melhoria na produtividade nas áreas já degradadas. Urge que se encontrem formas de cultivo e ocupação menos agressivas à natureza.
Examinando o levantamento aerofotogramétrico feito por satélite no centro e sudeste do Brasil, teremos uma ideia da devastação ambiental a que estão submetidas as citadas regiões. Necessário se faz que em qualquer tipo de empreendimento, tanto rural como urbano, se analise o tão falado impacto ambiental e, caso sejam comprovados prejuízos consideráveis ao meio ambiente, o projeto deve ser abandonado ou revisto.
Vamos citar em seguida os principais agentes na devastação ambiental a que é submetida a natureza brasileira e que tem relação direta com a vida silvestre do bicudo e do curió, a saber:
Lavoura de arroz - O tipo de lavoura que causou e continua causando maiores estragos à vida dos bicudos e curiós é a cultura do arroz. Infe- lizmente, para que o arroz tenha maior produtividade, mistura-se a semente com inseticidas para eliminar as pragas tipo cigarrinhas, cupins e outros insetos, proteína animal essencial e muito usada na alimentação dos filhotes dos bicudos e curiós. O veneno penetra na seiva da planta e fulmina todo o ser vivente que se atrever a utilizar o vegetal como alimento. Aquele que ingerir as sementes que sobram na superfície ou que a chuva descobre das covas, morre instantaneamente. Tem-se notícia de populações inteiras de aves dizimadas pelas lavouras de arroz. O pior de tudo está ainda no fato de que, em geral, as lavouras de arroz estejam ocupando, de preferência e continuadamente, cada vez maiores áreas de terras de baixadas, brejos, beiras de rios e várzeas, principais hábitats dos bicudos e curiós. As de arroz irrigado simplesmente impossibilitam a existência de qualquer tipo de ave nas cercanias. Tudo é derrubado, canais são abertos, os brejos drenados e a aplicação de inseticida intensificada. Grandes projetos do governo de incentivo à irrigação, tipo Provárzeas e Profir, causaram tantos prejuízos à ecologia que temos dúvida sobre sua adoção se fosse observada a questão ambiental.
Lavoura de Soja - A lavoura de soja tem uma característica básica; normalmente se estende por grandes extensões de terra. Começou no Rio Grande do Sul e hoje já adentrou pelo Sudeste e todo o Centro Oeste, chegando à parte oeste da Bahia, e agora até a Amazônia, áreas onde existiam em abundância o bicudo e o curió. Os agricultores desse cereal têm o costume de não deixar uma só árvore em pé, dizem que dificulta o trabalho da colheitadeira. Como, normalmente, não são pessoas nascidas no lugar, não têm o menor respeito e apreço pela natureza das terras onde estão cultivando a soja. Não há nenhuma preocupação ou mesmo lembrança com a questão ecológica. Observem as grandes fazendas de produção de soja. Será que tem jeito de alguma ave ali viver? O pior é que a constante e crescente ocupação de novas áreas não vai parar, é preciso exportar, o mercado mundial está sempre comprador. É sabido que a soja assume papel de destaque entre os alimentos básicos para saciar, hoje, a crescente fome de seis bilhões de pessoas do planeta. O interessante é que alguns supõem que não se alimentando de carne de animais só de vegetais de soja, em especial, estarão ajudando o meio ambiente. Ledo engano, pois as lavouras de soja provocam muito mais degradação ambiental do que uma área de pasto para bovinos. Lavoura de Cana-de-açúcar - O açúcar para adoçar e o álcool para movimentar nossas máquinas. O preço é muito amargo para o meio ambiente. Vinhoto nos rios, milhões de hectares de áreas rurais utilizadas, incêndio provocado nos canaviais e agrotóxicos despejados por avião. É demais. Não há natureza que aguente. O Norte do Paraná, grande parte do Estado de São Paulo, Alagoas e Pernambuco têm hoje o privilégio de possuírem um deserto, o deserto verde. Onde estão as matas ciliares e a parte de vegetação natural exigida por lei? Só o Estado de São Paulo possui 4,5 milhões de hectares plantados em cana. Por que a sociedade não reage contra as violações e os exageros? Tudo foi derrubado, as pequenas propriedades, os sítios, os pomares, as chácaras foram destruídas pelas correntes dos poderosos tratores cada vez mais sofisticados. Em seus lugares surgiram as verdejantes lavouras de cana-de-açúcar. Nem uma árvore diferente, nem um arbusto; é um verde uniforme, triste e apavorante. E o fogo que ateiam, cercando todos os lados dos canaviais, na época da colheita, é um absurdo. Explicam dizendo que o Brasil é muito grande e há lugar de sobra para ser explorado. Será que alguém, ligado à produção de açúcar e álcool, está preocupado com a sobrevivência dos animais silvestres? Supomos que, diante do atual quadro, a natureza vai logo, logo, reagir. Aí, certamente, toda a sociedade e o poder público vão ter que fazer algo.
Poluição das Águas dos Rios - Os agrotóxicos utilizados nas lavouras acabam entrando no lençol freático ou são carregados pelas águas da chuva, que os leva para os cursos d’água. Quase todos os rios brasileiros próximos às grandes culturas de cereais e cana-de-açúcar estão poluídos pelos agrotóxicos. A vida das aves em suas margens está muito dificultada. Além disso, nas regiões inexploradas, há a poluição por mercúrio dos garimpos e, nas zonas urbanas, pelos metais pesados oriundos de dejetos industriais. A questão mais perigosa da poluição das águas para nossos pássaros é que o Brasil é um dos maiores centros do mundo em produção de aves industriais (para alimentação humana), isso é bom, traz riquezas para o País. Acontece porém que quase todos os dejetos são lançados nos rios, até para alimentação de peixes. E as bactérias, os protozoários, os vírus e demais microrganismos estão se multiplicando descontroladamente e atingindo ambientes supostamente selvagens ajudando a exterminar nossas aves. É difícil, ainda, encontrar um agricultor mais esclarecido que respeite as margens dos rios e as matas ciliares, o que está provocando o assoreamento dos leitos d’água, reduzindo a lâmina d’água, favorecendo o crescimento indiscriminado de algas que consomem oxigênio e inviabilizam a vida dos peixes e de outros animais ribeirinhos. Até porque há pouco tempo o próprio governo incentivava o produtor rural a limpar as margens dos rios para evitar malária e outros “males”, aí ficou a cultura e a impressão de era salutar a “limpeza” nas matas ciliares, sic. Outros tipos de poluição da água importantes são: a do esgoto sem tratamento e o lixo doméstico das cidades, lançados água abaixo. Essa mistura acumula tanta matéria orgânica e espuma de detergentes que o rio - cuja missão também é de levar a vida - se torna um carrasco, espalhando desgraça e morte para o vizinho de baixo. A observação das águas poluídas de um rio é um espetáculo dos mais deprimentes que se possa ver e sentir. O mau cheiro característico é a prova evidente da irresponsabilidade e da falta de noção do mínimo de cuidado com a substância água - a razão da vida na Terra. Quem já observou a nascente de um rio com o correr de suas águas límpidas e cristalinas fica chocado e revoltado com essa questão. Muitos consideram que o maior crime que se pode cometer contra a natureza é provocar a poluição das águas dos rios e depois correr o risco da falta de água potável vendo correr a sua frente um mundão do precioso líquido todo poluído. O maior exemplo no Brasil é o Rio Tietê na cidade de São Paulo. O pior é que, estando à vista de todos, pouco se tem feito para resolver esse grave problema, fundamental para melhorar a qualidade de vida dos animais que vivem em suas margens, principalmente dos racionais. Não adianta falar e explicar, até quando esperaremos uma solução para isso?
Poluição do Ar - A poluição do ar também tem colaborado para a dizimação de nossa fauna e de nossa flora. A chuva ácida, a fumaça de queimadas e os compostos de enxofre. Isso tudo acaba se depositando sobre as plantas, criando uma camada de sujeira sobre elas, carregando-as de materiais muito prejudiciais à saúde das aves. Essas substâncias tóxicas vão também se incorporando aos alimentos consumidos pelos homens; a água, assim poluída, também não poderá mais ser utilizada. Se não houver a conscientização das pessoas, se não forem tomadas providências pelas autoridades, se as leis existentes não forem cumpridas sistematicamente com a finalidade de coibir a degradação ambiental pela poluição do ar, talvez daqui a alguns anos já seja muito tarde para reparar o mal que está sendo feito.
Inundações por excesso de chuvas - As inundações sempre causaram muitos prejuízos aos bicudos e curiós, pelo hábito que têm de fazer os ninhos nas beiradas de brejos à baixa altura. Os ovos ou filhotes são, assim, levados correnteza abaixo. Há também a registrar que, hoje em dia, com o assoreamento e desmatamentos das margens dos rios, as inundações se tornaram mais frequentes, devastando temporariamente os navalhais, dificultando a alimentação dos pássaros e obrigando-os a migrarem de seus territórios exatamente na época da procriação.
Hidrelétricas - As hidrelétricas brasileiras quase sempre foram construídas exatamente nos maiores hábitats dos bicudos e curiós. Quem não se lembra do famoso Canal de São Simão, na divisa dos Estados de Minas com Goiás, da Cachoeira dos Índios, na divisa de Minas, São Paulo e Goiás, da Cachoeira do Marimbondo, na divisa de Minas com São Paulo, entre outras? As terras inundadas são a parte mais baixa do relevo, compreendendo lagoas, brejos, várzeas etc. Ademais, como a barragem regula a vazão d’água, o ciclo natural é interrompido, a parte que fica à jusante da represa também fica prejudicada. Os brejos secam, as lagoas desaparecem e o capim navalha escasseia. A solução para as aves é migrar.
Queimadas - O insensato hábito de incendiar as áreas de terra para desmatar, limpar as roças, para formar pastos etc., tem contribuído para colaborar com o extermínio de inúmeros tipos de animais, bem como destruir toda a vegetação nativa existente na região atingida. Ambientes que a natureza demorou longos períodos para montar são destruídos para sempre, em poucas horas. É mais um absurdo inexplicável praticado pelo homem do século XXI. Os navalhais nativos dos brejos são um alvo muito procurado para se atear fogo, porque não é um bom alimento para os rebanhos e dificulta o trânsito das pessoas nas várzeas e nos cerrados. Com isso, vai se reduzindo cada vez mais o número de locais que se prestam à morada dos bicudos e dos curiós. Acresça-se a isso o fogo por combustão natural e espontânea que é, na época da seca e calor, comum nas regiões de cerrado e campos gerais brasileiros. Assim, extensas áreas naturais, repletas de capinzais do capim navalha, são também destruídas.
Caça predatória - Depois de tudo que foi dito, ainda falta mencionar outra irresponsabilidade: caça predatória que também colaborou para dizimar populações inteiras de aves em certas regiões. A falta de escrúpulo, de sentimento, de amor e educação, infelizmente, levam um segmento de pessoas a praticar esse tipo de ação. A coisa está muito ligada também à miséria e à nossa condição educacional, em que a maioria das pessoas é desinformada. Obter-se lucro com o aprisionamento de animais silvestres é muita crueldade e insensibilidade. O mais grave ainda é que a maioria dos animais capturados morre em consequência dos maus tratos a que é submetida no trajeto, até ser colocada em lugar mais adequado. Há, ainda, o estresse causado pelo trauma do choque sofrido no momento do aprisionamento. Infelizmente a caça foi responsável pelo desaparecimento de grandes populações de pássaros de seus ambientes naturais; não podemos concordar com isso, e temos que fazer de tudo para que esta ação predatória não continue mais. A caça realizada com rede, então, é a mais prejudicial de todas e responsável pelo desaparecimento de extensas populações de aves em todo o mundo.
É muito difícil conter as ações dos caçadores profissionais, porque normalmente agem em regiões de difícil acesso. A fiscalização intensa nas estradas, contudo, talvez seja uma boa forma de coibir o tráfego dos animais capturados.
O Tráfico - A comercialização ilegal, o tráfico está num processo de arrefecimento, pela ação dos órgãos fiscalizadores, conscientização da população e leis mais rígidas. Mancha a imagem do criador sério, é um grande problema que a sociedade toda tem que combater. É exatamente a comercialização ilegal que alimenta e estimula a caça predatória. As famosas feiras livres têm sido muito perseguidas pelos fiscais. Outro fator que está ajudando é a pressão da opinião pública, horrorizada com as barbaridades praticadas contra os animais, focalizadas periodicamente nas telas dos principais jornais televisados do país. Os criadores em ambiente controlado também tem colaborado bastante com suas crias provindas da alta genética e que por isso provocam o desinteresse por aves sobre as quais não se conhece a origem. Esse é o maior trunfo que temos. Essa é, com certeza, a maior arma que se tem contra o tráfico. Os criadores que se preocupam com a qualidade de canto não querem nem ouvir falar em ave silvestre. Elas não aprendem mais o dialeto que se quer ensinar. Louve-se também o trabalho dos ambientalistas bem intencionados que, sem dúvida, ajudam na ação de exterminar o comércio ilegal de animais. Como no caso da caça predatória, a melhor forma de impedir esse comércio é exercer intensa fiscalização consciente nas estradas, educação ambiental nas escolas e conscientização das populações mais carentes.
Os predadores naturais - Falamos de vários tipos de ações predatórias. Nossos amigos ainda são obrigados a sofrer ataques de seus inimigos naturais, tais como aves de rapina (anu, caboré, gralha e gaviões), serpentes, lagartos, macacos e outros animais predadores. É muito comum bicudos e curiós serem vítimas desse tipo de ataque, com a agravante de que o desequilíbrio ecológico os deixa mais expostos ainda. Quando são filhotes, estão muito mais vulneráveis porque, inclusive, não podem voar para fugir do perigo. Outra ocorrência comum consiste na ação do berne da mosca varejeira, que penetra na pele dos filhotes, como é comum acontecer com outros pássaros, mutilando-os, prejudicando o crescimento, e, muitas vezes, levando-os à morte.
Depois disso tudo, ainda há as questões ligadas ao comportamento intrínseco das espécies de que tratamos e que muito acontece no ambiente do território, em especial na época da reprodução:
Brigas mortais - Os bicudos e curiós são muito agressivos e qualquer motivo, principalmente na época do acasalamento, serve para levá-los entrar em vias de fato. Tanto os machos como as fêmeas brigam para defender seu território. Deve ficar claro, porém, que em situações normais respeitam o espaço do outro, porque sabem que entrar ali é agressão certa. Se têm que passar pelo território do vizinho, voam por cima, o mais alto que podem, para não serem alcançados ainda dentro da área. Quando perdem o/a companheiro/a por algum acidente, vão logo procurar outro/a. É nessa hora que acontecem os embates. Entram em choques violentos, que muitas vezes acabam em morte e, mesmo que isto não aconteça, se machucam tanto que as sequelas são sempre muito graves. Quando estão em luta, ficam à mercê das ações dos predadores, que aproveitam a desatenção momentânea para agir. Quando estão agarrados na luta, não enxergam mais nada à sua volta e é muito comum caírem n’água, onde são engolidos por peixes como a traíra, por exemplo. Quando estão “enfezados” ficam cegos e a luta vira vida ou morte, com seu bico poderoso o entrevero termina em óbito e o vencedor, em geral, fica aleijado com falta de dedos, cego de um olho ou com marcas indeléveis na cabeça ou na face.
Isto posto, viver em paz e em segurança é muito difícil para eles. É uma luta diária. As aves sofrem como vimos, em sua vida silvestre, dificuldades de toda ordem. Os que estão aí, são, na verdade, os remanescentes. Aqueles que a sorte ajudou a preservar.
Em contra partida, sabemos evidentemente que estas espécies estão salvas da extinção, são milhares deles produzidos em ambientes controlados cujo manejo foi estritamente desenvolvido pela ação dos criadores abnegados e sem qualquer ajuda oficial. Trabalho esse que serve de exemplo do Brasil para o mundo em face do sucesso obtido na efetiva conservação de aves nativas de origem silvestre como é o caso do bicudo e do curió duas joias da natureza.
Texto original publicado em 1997 no Livro Criação de Bicudos e Curiós do autor
Aloísio Pacini Tostes Bonfim Paulista – Ribeirão Preto SP Multiplicar para Conservar www.lagopas.com.br

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Coleiros e Trincas : POLIGAMIA EM PÁSSAROS
Enviado por jlouzada em 26/03/2014 21:40:00 (21 leituras)
Coleiros e Trincas



POLIGAMIA NA CRIAÇÃO DE PÁSSAROS
A criação, ex situ, de pássaros canoros nativos brasileiros obteve um grande incremento a partir da década de 90, em especial depois da publicação das Portarias 131/88 e 118/98 do IBDF/IBAMA que regulamentaram a utilização de anilhas para os criadouros amadoristas e depois para os comerciais. Com efeito, com muito custo, a partir dessa base regulamentar, os criadores vem desenvolvendo técnicas cada vez mais eficientes para melhorar seu manejo e para obter filhotes de alta genética com perfeita sanidade sem o menor auxílio ou estímulo oficial, pelo contrário. Antes porém, muitas pesquisas, dificuldades, erros e acertos. É um trabalho complexo, não é como criar galinhas. Exige muita dedicação e determinação, uma verdadeira ciência. O fato de poder conhecer o comportamento diferenciado de cada espécie, de cada indivíduo, é um grande estímulo e motivo de muita paixão. Lógico que há uma base para todos mas cada tipo de pássaro tem um manejo reprodutivo diferente. Na natureza, embora vivam em comunidade, em grandes bandos, ficam todos juntos só quando não estão em fase de reprodução. Pois, nossos pássaros nativos são monogâmicos, extremamente territorialistas, tanto os machos como as fêmeas, na época do choco. Por isso, não aceitam, nesses momentos, ficar ou se aproximar de outro diferente, independente do sexo. Passam por um processo para formar o casal. Primeiro se conhecem no meio do bando, brigam entre si para escolher o parceiro, em seguida vem a corte que tem todo um ritual, namoram, depois escolhem a morada ou voltam ao território e logo vem a definição e localização do ninho. Aí, ficam acasalados e sempre juntos, se saúdam vocalizando (sussurros, gorrichados e macheados), um protege o outro. Permanecem assim, enamorados com muito carinho recíproco, até o final do período reprodutivo. No próximo ano, nova batalha, novo processo ou para recompor o casal ou para formar novo par. Essa é uma situação recorrente na natureza e que a princípio teria que ser adotada na criação em ambiente controlado para se obter sucesso na empreita. No início, a respeito desse tipo de criação havia muitas dúvidas, como fazer? Primeiro, pensava-se muito difícil, quase impossível. Poderia ser em grande viveiros, tentando recompor um ambiente natural, seria o melhor jeito. Ainda mais, se o bicho (filhote) sobrevivesse seria um animal estranho, sem os instintos naturais e características da espécie. Um ser abobado seria produzido e não serviria para nada, um enfeite. Ora aparência para os passericultores de canto e fibra não tem a mínima importância. Sem dizer ainda que não sabíamos nada sobre manejo, não havia ninguém com experiência positiva para ensinar ou demonstrar algum tipo de sucesso. Essa era a consciência que tínhamos lá pelos anos 70. Então, estávamos num “mato sem cachorro”. Isto porque já dava para sentir que os exemplares capturados na natureza começavam a escassear e já vigia a Lei de Fauna 5.197 de 67 que passou a considerar os animais silvestres como propriedade do Estado. Pela lei não se podia buscar mais pássaros na natureza, realmente um contrassenso e um crime ambiental. Para “salvar a pátria” e encaminhar para melhor, surgiram então criadores abnegados, pesquisadores, inteligentes e verdadeiros “quebradores de lança”. Em primeiro lugar o Mestre Marcílio Picinini em Matias Barbosa MG, nos curiós e o saudoso Ernesto Scatena em Ribeirão Preto, nos bicudos. Ai, começou-se a ter uma nova ideia sobre a criação doméstica, primeiro o estabelecimento da poligamia, depois a evidência que o bicho produzido não tinha nada de abobado. Herdava sim, as características dos seus genitores e conservavam o instinto selvagem e o comportamento inerentes às respectivas espécies. Está provado hoje que mesmo em décima geração conservam todos os atributos inatos a raça. Ficou claro então que estávamos procurando o caminho do melhor manejo e que era possível produzir-se passeriformes com viés de comportamento para serem ótimos cantadores, valentes e fibrados como seu primo nascido em habitat natural com instinto silvestre. O Marcílio ainda mais, contrariando tudo que existia, montou uma infraestrutura de prateleiras onde as curiolas ficavam lado a lado separadas por uma divisória de forma que no momento da gala o macho era trazido para fecundar essa ou aquela fêmea. Do mesmo jeito o Scatena fazia só que as bicudas ficavam em gaiolas piracicabas número cinco comuns no beiral de residência (bem mais rudimentar). Esse tipo de processo revelou-se fundamental para uma boa produtividade e também para evitar-se a morte de filhotes porque na hora do nascimento o pai e a mãe ficam com o sentimento de proteção exacerbados e por isso entram em conflito por causa da proximidade que há com outro casal. Neste caso, passam na maioria das vezes, a se agredir mutuamente ou matam os respectivos filhotes.
Conclusão, a poligamia é um procedimento fundamental ao incremento da criação de passeriformes canoros em ambientes controlados. Quase todos os criadores a praticam e também por vários outros motivos. Levando em conta, inclusive que, as fêmeas por não estarem acasaladas mas com a libido em alta, na maioria das vezes, aceitam a gala de um macho desconhecido para ela. Em nossa experiência na manutenção de pássaros constatamos que na fase de reprodução os machos dão pelo menos uma galada por dia em sua fêmea, notadamente quando acordam. Pegam-na quando ainda estão meio que dormindo, estejam ou não no cio. Na natureza, dá, também, para perceber quando ele voa mais para o alto ele a persegue e a agarra, os dois chegam a se embolar caindo alguns metros é o momento do ato sexual diário. Na questão qualidade de canto é fundamental que as fêmeas fiquem longe dos machos porque como é complicadíssimo obter-se espécimes de canto clássico perfeito o nascituro não pode escutar um canto com detalhes, só a produção sonora que é editada sem qualquer impropriedade. Bom lembrar, também, que criamos em recintos reduzidos e que o espaço tem que ser bem aproveitado, então, se usarmos cinco a seis fêmeas para um macho teríamos um ganho significativo, que muito representa em termos de custo fixo. Todavia, há aqueles que preferem produzir com casais em viveiros grandes e isolados uns dos outros, desse jeito também pode dar certo, só que o manejo é bem mais complicado, a produtividade é prejudicada e os custos serão bem mais altos.
Quem não trabalha qualidade tem muita dificuldade em transacionar as crias, então, o importante de tudo é o desenvolvimento de altíssima genética a partir de um macho de reconhecida qualidade na modalidade requerida pelo criador (fibra, propensão para aprender canto ou repetição). Ele pode galar uma fêmea todos os dias, no máximo duas (excepcionalmente) durante toda a temporada de choco sem qualquer prejuízo a respectiva fertilidade. Lógico, temos já a comprovação que referidos atributos e que se deseja são herdados. Para tanto, um raçador com as características exigidas tem alto preço no mercado além de difícil disponibilidade. Fêmeas de qualidade são sempre mais fáceis de aquisição, tem menor preço e bem mais ofertas. Estamos falando, em especial dos pássaros: Bicudos, Canários da Terra, Curiós, Coleiros e Trincas. Produzir exemplares de qualidade, diferenciada, desses bichos, é o que mais estimula a reprodução em ambiente doméstico. Certamente por isso, a atividade vem cada vez mais despertando alto interesse nos aficionados por pássaros canoros brasileiros. Passados apenas vinte anos, quem hoje, em sã consciência, teria interesse em um exemplar capturado, ilegal, de qualidade duvidosa, uma verdadeira perda de tempo, e mais oriundo do tráfico e assim o cometimento de crime ambiental. Isto posto, fica bem claro que a busca da alta genética na questão comportamento dos passeriformes nativos é a maior arma que há contra o tráfico e que a prática da poligamia é um fator preponderante para o sucesso que a classe tem conseguido no verdadeiro uso sustentado de nossa biodiversidade.
Aloísio Pacini Tostes
Bonfim Paulista – Ribeirão Preto
www.lagopas.com.br
Mar/14

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Coleiros e Trincas : CLASSIFICAÇÃO FINAL CCAP-ES - PRÉ-TEMPORADA 2013 - TRINCA FERROS
Enviado por jlouzada em 25/08/2013 16:30:00 (378 leituras)

COLOC____PÁSSARO________PROPRIETÁRIO__________CIDADE_______PONTUAÇÃO
1º LUGAR__TRIUNFO_________CLEDSON_____________V. VELHA______1988_PONTOS
2º LUGAR__CIPÓ____________GIRAFA_______________VITÓRIA______1811_PONTOS
3º LUGAR__VENENO__________ELTON________________CARIACICA___1495_PONTOS
4º LUGAR__FAISCA___________PAULO B. OLIVEIRA____VILA VELHA____1407_PONTOS
5º LUGAR__BIN LADEN________ROBERTO MOURA______VILA VELHA____1251_PONTOS
6º LUGAR__CHICO___________ISAAC _______________SERRA________1244_PONTOS
7º LUGAR__MOSKITO_________ADRIANO______________SERRA_______1053_PONTOS
8º LUGAR__THANDERA________BADEJO_______________GUARAPARI____959_PONTOS
9ºLUGAR___LEÃO BRANCO_____PAULO BERGER________VILA VELHA____939_PONTOS
10ºLUGAR__ELÉTRICO________FERNANDO____________VITÓRIA_______934_PONTOS
11ºLUGAR__FORMIGA ________EVERALDO OLIVEIRA ___SERRA_________907_PONTOS
12ºLUGAR__SANSUNG________LEO/ÁLVARO__________SERRA_________343_PONTOS
13ºLUGAR__STYLO___________FERNANDO ___________VITÓRIA_______836_PONTOS
14ºLUGAR__PREDADOR_______CLAUDIO SILVA________VILA VELHA____831_PONTOS
15ºLUGAR__MAXIMUS________LUANE________________GUARAPARI____807_PONTOS
16ºLUGAR__BOUKA__________JEER__________________CARIACICA____667_PONTOS
17ºLUGAR__BARRERAS_______IVAN_________________SERRA_________564_PONTOS
18ºLUGAR__GLADIADOR______EDMAR ______________SERRA_________563_PONTOS
19ºLUGAR__TITANIUN________TIAGO________________GUARAPARI____510_PONTOS
20ºLUGAR__RIO ALTO________MARCELO_____________VILA VELHA_____479 PONTOS

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Coleiros e Trincas : TORNEIO - COMUNICADO CCAP-ES E ACAP-ES
Enviado por jlouzada em 19/05/2013 15:52:07 (412 leituras)

COMUNICADO CCAP-ES e a ACAP-ES
A CCAP-ES e a ACAP-ES comunicam, que a partir do dia 01/06/2013 as inscrições para participação nos torneios será de R$15,00 por cartela.
Desde agradecem à compreensão de todos os participantes.

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Coleiros e Trincas : TORNEIOS AOS SÁBADOS CCAPES
Enviado por jlouzada em 31/03/2013 13:20:00 (493 leituras)
Coleiros e Trincas

A CCAPES CONVIDA E COMUNICA, QUE A PARTIR DO DIA 06/04/2013 TAMBÉM REALIZARÁ TORNEIOS AOS SÁBADOS.
LOCAL: CLUBE NÁUTICO BRASIL.
LOCALIZADO À AVENIDA SANTO ANTÔNIO Nº 111
CEP.: 29025-645

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