PRINCIPAL NOTÍCIAS LINKS FORUM DOWNLOAD CONTATO
  
   Bem vindo, visitante!    Login  
Menu


Publicidade

(1) 2 3 4 ... 45 »
Coleiros e Trincas :  TESOURINHA - Nasceu a Paixão
Enviado por jlouzada em 22/04/2014 23:00:00 (3 leituras)

TESOURINHA – Em 1957, mudamos de Ribeirão Preto para Uberaba MG, minha mãe resolveu estudar Pedagogia e lá havia a respectiva faculdade. Já gostava demais de todo tipo de passarinho, mas os meus eram somente coleirinhas e canários da terra. Volta e meia, ficava intrigado porque havia o Dr. Rocha que morava perto de casa e andava com um pássaro esquisito com a gaiola na palma da mão, subindo e descendo a rua Silva Jardim, e ele cantava muito bonito e alto.
Um dia, perguntei: Dr. esse bicho é muito caro? Respondeu: Ah, menino isso é um bicudo e não é pássaro pro cê, é muito caro e difícil, mexa com canário!!! É fiquei na minha e pensando: “realmente não tenho um vintém no bolso como querer um bicudo, isso é só pra Dr.” Daí, comecei por curiosidade a perguntar para alguns passarinheiros sobre o bicudo. Cada um ressaltava mais ainda: é bicho caro, só quem tem muito dinheiro pode ter um, se tiver com intenção de ter um tire da tua cabeça”. Realmente, tirei da cabeça, mas não do coração.
Passado um tempo, já estava eu com 14 anos em 1958, quando sentado em carteira na sala de aula no Colégio Diocesano em Uberaba MG, escutei um “buchicho” atrás de mim falando em “bicudo”. Perguntei “tão falando daquele passarinho preto do bico branco?”. “É sim, dizia um outro colega: “Paulinho tem um que é fera, né Paulo!!”. “É meu bicudo é muito bom, domingo tem um torneio aqui e ele vai ganhar!!!” Quer ir lá em casa para ver o bicho? Fiquei meio estupefato e admirado. Bicudo para mim, era que nem um caviar “só vi, só ouvi e não é pra ti, já dizia o Dr Rocha”.
Então, naquele momento, para minha surpresa o Paulo Borges meu colega de classe, – embora ele já tivesse 19 anos – vejam só, era uma pessoa que tinha “bicudo” e era muito simpático e afável. Até que enfim poderia sentir um bicudo de perto. No mesmo dia, fui até a casa dele para ver seus bicudos. Nascia uma grande amizade, embora ele tenha me tomado o Carequinha uma belo canário que tinha em troca de um “cheba”. Tudo bem, ele era mais velho, tive que pagar esse “mico”, rssss. Muito tempo depois teve acerto.
Havia lá uns cinco bicudos, entre eles um tal TESOURINHA, o deslumbramento foi total, perdi até a fala diante de um bicudo daquele naipe. Em seguida ele me narrou a estória dele. “O João Botica, o havia pegado na Água Limpa um povoado perto da cidade – hoje é zona urbana e nome de avenida em Uberaba - lá havia um brejo com bicudos que cantavam o Suim-Suim. Passou seis anos na casa dele, que tinha outro bicudo o Fuzil do qual o Tesourinha tinha respeito. Lá ele não tinha fogo, respeitando o bicudo véio. Cantava muito mas piava mole e não abria”.
Paulo Borges, com ajuda do amigo Onofre, percebendo que o bicho era diferenciado, o pegou. Continuando a descrição: “assim que foi chegando em casa ele, sem sentir mais o canto do Fuzil, já começou a trincar de fogo. Subindo a escada passou a voar aprumado. Em dez minutos, começou a dar “quem-quem” e ficar ereto em posição de atenção. A flor estava desabrochando!!!!” Seu canto, maravilhoso, o que havia de melhor à época denominado o “Suim-Suim”. Além de cantar bonito, ele era repetidor e dividia o canto no “cocotil”. Uma beleza total. Seu nome TESOURINHA foi posto porque estragava ponta do rabo de um lado, parecendo que havia sido cortado por uma tesoura. Além disso, não entrava na banheira.
Pouquíssimo tempo depois de adquirido, seria o Torneio de Uberaba onde afluíam criadores de Ribeirão Preto, Franca e Barretos, em especial. Paulo, continuou me contando: “resolveu levá-lo depois de ter se apresentado bem num pequeno treino que havia feito durante a semana. Ganhou o torneio, para espanto geral de todos. O João Botica quase morre do coração, seu Fuzil não cantava na roda.” Começou aí a carreira incrível do campeão.
Voltando então, ao episódio do meu primeiro contato com o Tesourinha na casa de Paulo, dali para a frente passei a acompanhar e a compartilhar as performances do campeão. Passei a ajudar levar os bichos ao brejo de uma forma bem interessante: para levar quatro bicudos utilizávamos dois bambus compridos escorados nos ombros com um deles em cada ponta. Era até engraçado mas ajudava a não irritá-los demais. Logicamente toda atenção era dedicada ao Tesourinha.
Na semana seguinte para minha alegria, seria o Torneio de Uberaba, nunca tinha visto um. Fui para casa do Paulo de madrugada, naquela época os torneios se iniciavam às seis horas da manhã. Dezenas de bicudos, vindos de todos os cantos, para mim uma loucura total, fiquei maravilhado. Mas já percebi o “frisson” dos criadores: cadê o Tesourinha; nossa ele está aí; estamos perdidos ele está aí” e assim por diante. Neste dia conheci o saudoso amigo o simpaticíssimo Roberto Benedetti de Ribeirão Preto, ele era o líder e o organizador dos torneios. Queria ver o Tesourinha antes de iniciar a roda, Paulo o colocou em cima do carro, o bicho danou a repetir e voar de lado para o outro, sensacional.
Daí, um pouco o torneio, um verdadeiro show Tesourinha não parava de cantar, as vezes no gogó, daí a pouco esguelhado e assim em diante. A marcação da final era por meia hora, encheu a ficha e não dava para marcar mais. Realmente demais. Uma festa danada em comemoração, se serviam chopps, pasteizinhos e salgadinhos no final, era costume. Desse dia em diante nasceu minha grande paixão por bicudos. Passei a me sentir um pouco o dono do Tesourinha por causa da amizade de irmãos que fiz com o Paulo.
E assim foi, naquele ano Tesourinha ganhou todos os torneios. Franca, Ribeirão, Uberaba, só em Barretos que foi segundo porque ficou um tanto espantado com as árvores em volta da roda. Lembrar que as viagens naquele tempo eram complicadíssimas, quando não era poeira demais, quando chovia vinham os atoleiros, sem dizer dos autos que eram verdadeiras carroças. Tinha que levar os bicudos no colo, os solavancos eram muitos. Para Franca de trem, Maria Fumaça chacoalhando de um lado para o outro e o bicudo na mão. Sofrimento misturado com diversão, rsss
No ano 60 as coisas complicaram, o Paulo mudou-se para Ouro Preto MG para estudar e eu sofri um grave acidente no “Pasto do Pereira”, perdi uma vista e só não morri porque não era hora e também pelas ajudas de todos os lados, da família, do saudoso Dr. Guerra, espiritual de Chico Xavier e da necessária interveniência Divina. A tristeza era grande, sem o amigo Paulo e sem ver o Tesourinha que ficou algum tempo amoitado em casa.
Paulo, para Ouro Preto e eu com a minha família de volta para Ribeirão Preto. Notícias quase nenhuma, naquele tempo não havia a facilidade de hoje para comunicação. Só via carta, nada de contato. Até que através de bicudeiros de Ribeirão que já havia conhecido soube que o Tesourinha estava em Goiânia com um senhor por nome de Fião. Estive em seguida no torneio de Ribeirão, onde encontrei o Roberto Potoca, falando pelos cotovelos dizendo que o Tesourinha tinha virado vaca e que era um bicudo corrido.
Estranhei demais, e corri para perguntar ao pessoal de Uberaba, o que era aquilo. Deram- me uma explicação meia truncada mas tinha algum sentido: “O Fião havia comprado o campeão e um tal de Louquinho de Brasília que estava no auge e o Tesourinha não havia se adaptado com a nova mexida e estranhado muito o local e assim não estava aprontando bem para roda. Fiquei deveras chateado com a notícia “não é possível, isso é demais, balbuciava”.
Soube que o Paulo Borges também ficou revoltado com a informação. Os criadores de Uberaba mais amigos também. Isso tudo, fez com que estimado Geraldo Fidélis, dono do Hotel Regina, fizesse um esforço muito grande para trazer Tesourinha de volta para Uberaba. Ainda bem, voltou e chegou com tudo logo retomando a forma e passando agora a ganhar torneios novamente.
O tempo passou, mudei para Santo André SP em 63, passei ter muitas dificuldades a ir a torneios porque tinha que vir de ônibus para Ribeirão para depois com os companheiros daqui viajar para os locais dos eventos. O companheiro que mais me deu carona foi o amigão já falecido Luis Andrade. No entanto, ficava sempre interessado e acompanhando o desempenho do Tesourinha, sempre em alto nível.
Foi assim até que num torneio em Barretos, ano de 66, Geraldo me chama para ver o Tesourinha lá no quarto do hotel. Quando entrei tive um susto, o bicho estava “grosso” e amuado. Hoje sei que pela aparência era um alto grau de coccidiose, infelizmente. Ele me disse: “quer ficar com ele”. Chorei de tanta emoção, mas me contive. Fui para o meu quarto e não sai mais naquele dia, amargurado que estava. Ninguém sabia lidar com essa doença naquele tempo. Pressenti que ele iria à óbito de forma iminente. Dito e feito dali alguns dias o campeoníssimo morreu.
O canto Suim-suim também extinto. Havia dezenas de bicudos com este canto, mas ninguém se preocupou em conservar. Os bicudos silvestres morreram, não se tirou filhotes, uma grande perda em todos os sentidos. A verdade é que não se vislumbrava nenhuma ação que se poderia fazer para preservar. Reproduzir não dava certo, era o sofisma que todos acreditavam. O pior é que a mesma situação ocorria em Franca, Barretos, e Ribeirão, os berços, para nós, dos bons bicudos de fibra e de canto. Estávamos naquela época num grande dilema. O que faríamos, não se sabia direito qual a direção tomar.
Soube, então que Paulo Borges mudou-se para Santo André logo depois que de lá sai, uma pena. E assim foi. De novo para Ribeirão Preto em 68, participei em alguns torneios e dei
uma parada de mexer com bicudos. Mudei para Brasília em 73, o tempo se passou quando já na década de 80 estava num super mercado e avistei o Paulo Borges por lá fazendo compras. Assustado, perguntei: “o que estás fazendo aqui?? Respondeu: “Estou morando em Brasília” !!! Ora que bom, vamos retomar nosso convívio!!” E assim foi. Ele com muitos bicudos e eu também. Depois me arrumou o Bicudo Paiakan para tirar filhotes resgatando a questão do canário Carequinha, daí esqueci completamente a “manta” que havia levado, rsss.
Numa visita em sua casa, lá no Lago Sul e conversando sobre o Tesourinha, comentamos: “Paulo, lembra que na época do torneio de 58 lá em Uberaba tocava na Rádio o canto dele e que o locutor falava”: “povo de Uberaba, domingo haverá o Torneio de Canto de bicudos na Exposição, todos estão convidados a entrada é de graça”. Paulo disse: é verdade, essa gravação está com o Geraldo e guardada em seu cofre. Na mesma hora ligamos e houve a confirmação a fita existia.
Ficamos felizes, sem muito esforço o amigo Geraldo nos disponibilizou a gravação. Só que quando vimos fita toda se desmanchando sentimos que seria difícil recuperar o som. Pensamos, pensamos até que surgiu a ideia de ir a Radio Nacional de Brasília. Fomos lá numa noite e por muito tempo, com a ajuda de um técnico de muito boa vontade conseguimos ir recompondo o canto emendando pedaços da fita com o módulo de entrada e o de repetição.
Depois disso, com alguma dificuldade mas bem orientados fomos aos poucos conseguindo editar e montar o canto original tal qual ele cantava para finalmente obter as frases do canto Suim-Suim Uberaba do Tesourinha originário da Água Limpa. Uma vitória que muito comemoramos, foi uma grande festa regada até a champanhe.
Para completar nosso trabalho de resgate, com o auxílio do amigo João Salles oferecemos e entregamos em meio magnético ao então prefeito de Uberaba a gravação do canto do Tesourinha que está guardada no acervo histórico da cidade. Recentemente disponibilizamos também no “you-tube” para que os interessados possam ouvir e cultivar o canto do grande campeão. Ele se foi, não deixou filhos mas deixou, uma grande amizade, muitas saudades e por nossa sorte seu melodioso canto preservado.
https://www.youtube.com/watch?
Aloísio Pacini Tostes
Bonfim Paulista – Ribeirão Preto SP
Multiplicar para Conservar
www.lagopas.com.br



CONFERE CONFERIU


CONFERE – Em 1986, recebi uma ligação de Nazaré das Farinhas BA, havia um curió super repetidor por lá e o dono resolveu me oferecer. Ouvi o bicho pelo telefone, era um Vi-te-téu de 30/40 repetições. Fechamos o negócio. Como estava chegando minhas férias, combinei com ele que dentro de uns dez dias iria buscar e levaria o numerário em dinheiro, na mão.
E assim fiz, chamei os amigos Walter Peba e Roberval Gambirinha e fomos viajar 1.400 kms só para lá chegar, numa veraneio à gasolina. Foram quase 4.000 kms viajados, ida e volta. Tudo para buscar um só curió, coisa de doido. Saímos de Brasília DF, viajamos dois dias, passamos no tal “Morro do Pai Inácio” de noite, um “cagaço danado” de repente um vento frio, senti calafrios, uma escuridão esquisita e apavorante. Parecia que estávamos chegando num lugar mal assombrado. Nesta viagem aconteceram muitas outras coisas estranhas. Algumas até inconfessáveis. Posso até contar no particular, mas escrever jamais, rsss.
Bom, depois de todo esse esforço, lá chegando o “home” nos disse: “o senhor é o sô Aloísio, pensei que não vinhas, vendi o curió ontem para um cabra de Salvador”. Respondi “o senhor está brincando, não é verdade”. Mas era verdade, não estava mais com o bicho. Levei um balde de água fria, me senti um idiota. Relutei um pouco, porém bom cabrito não berra, o que fazer. Veio a intuição: “fique frio, há males que vem pra bem”. Mesmo assim, por indicação dele adquiri até bem mais barato de um vizinho um “pintão” muito repetidor também, mas que nunca cantou em Brasília, dei de presente para um amigo de Santa Catarina.
Emburrei, travei e perdi o entusiasmo. Disse aos companheiros, não quero nem ver mais curió para comprar. Se vocês quiserem, vamos passear por aí, só vou “andar à toa”. E assim foi. De lá para Itabuna, Porto Seguro e depois subimos para Salvador, não sem antes comprar bastante farinha “da boa”, em Nazaré.
Vi muitos bons curiós pelo caminho, mas sem o mínimo interesse. No entanto, gostei de um em Itabuna que o dono estava tentando esconder, quando escutei o bicho cantando e repetindo dentro de casa. Disse ao Gambirinha: “o que é bom tá guardado e apontei pra dentro da casa, rsss”. Aí, não teve jeito, ele adquiriu o curió que estava amoitado. Em seguida, pegamos o caminho de Salvador. De repente, da estrada vimos umas gaiolas penduradas numa casa.
Com os Baianos, não tem muito “lero-lero”, “esse é de Painho, mas é tanto”. Vi um curió, também lindo, cantando rápido naquele canto gemido: “til-til-rém-rem” o famoso “Baiano Gemedor”, canto mais feio é difícil. Cantoria que era comum no litoral sul baiano. Mas quem gosta de roda não se importa com isso. O bicho tem é que cantar muito e retomar
rápido. Gostei demais, mas me contive. Falei Gambirinha: “vai fundo que este é bom, não tem erro”. Deu certo, ele pegou o curió.
Dali, fomos para Salvador, atravessamos de balsa a ilha de Itaparica, teve gente tão bêbada que supunha que estávamos num estacionamento durante a travessia, rsss. Lá chegando, comemos Acarajé “bem quente”, menos eu. Ficamos duas noites em Dias D’ávila. Ganhei um curió e o trouxe, cantador mas não se destacou. De lá passando ainda em Barreiras, com o Gaguinho arrumei um bicudo espetacular, o Bateria. Enfim voltamos para Brasília depois de uns dez dias, ufa!!!
Boa viagem, me senti, um tanto chateado mas recompensado pelo Bateria. Alguma coisa continuava a me dizer que tudo iria terminar da melhor qualidade. No mais, é só lembrar das passagens e dar muitas risadas. Que foram momentos muito divertidos foram. Logo em seguida peguei o curió repetidor de Itabuna, aquele “amoitado”. Era realmente fantástico, tinha um belíssimo futuro, inclusive na roda. Era rápido, com boa retomada. Mas, infelizmente veio à óbito de repente, não deu tempo para salvá-lo.
Passado um ano mais ou menos, fui a uma periferia de Brasília. Um cabra havia me oferecido um curió que dizia cantador, valente e muito bom. Fui lá, num sábado de manhã e qual não foi a minha surpresa. Era aquele que estava na casa da estrada, rodou por vários criadores até parar naquele lugar. Peguei o bicho e levei para casa, feliz da vida. Que sorte, por pura casualidade veio parar na minha mão.
Lá chegando, coloquei uma fêmea do lado e ele começou a cantar feito louco: “Til- til-rém-rém”, chiando rato uma fêmea de “quem-quem” linda do bico branco. A paixão foi recíproca e imediata. Tanto que levei ele no treino no outro dia e já se apresentou a contento. Percebi, no entanto, que ele tinha medo de estaca, se fosse de madeira pior ainda.
Faltava o nome, chamei o Gambirinha para ver: “é ele, sim confere, é aquele da estrada lá da Bahia” Aí, tava o nome CONFERE. Não conferiu apenas na origem, conferiu na qualidade e nas performances na roda. Pós Casinha, estava sem curió de ponta, ele preencheu o espaço pois cantava sempre para cabeça. Foi campeão do Brasil Central em 88 e Vice Campeão Brasileiro, só perdeu na classificação para o Trovoada do Marlon do Rio.
Lembro-me bem de algumas passagens, ganhou o torneio do Césio 157 em Goiânia, quando muitos ficaram com medo de dormir na cidade. Eu, ficava rindo de tanta bobeira, pareciam crianças, acreditando em assombração. Achavam que não podiam beber água, comer ou dormir em qualquer lugar da cidade, estava tudo contaminado, sic. Quase todos, menos eu só vieram no domingo. Estavam lá duas feras o Trovoada e o Corrupto que foram
batidos, neste dia pelo CONFERE e devidamente preparado desde sábado, sem precisar viajar de madrugada.
A outra, era a vontade de ganhar o primeiro torneio realizado na ACPB em 1988, clube havíamos criado, com muita luta a sede própria e condizente para realizar torneios de fibra e canto. Fizemos um esforço danado para realizar o torneio naquela sede e conseguimos. Queríamos ganhar a fibra curió, mas não deu certo, Trovoada (um show de curió) ganhou, o CONFERE ficou em segundo, cantou muito mas não deu. Neste mesmo ano, em Ribeirão Preto ficou em segundo lugar, empatado com outro curió da Lagopas o Cintila. Muito interessante nesse dia, foram quatro curiós da Lagopas entre os cinco primeiros, menos o primeiro lugar: Confere, Cintila, Carreta e Conserva.
Com essas e outras despertou a atenção de muitos. Depois da muda em 89, passei na Vice-Versa do amigo Celso Neves e ele me propôs: “me cede aquele teu curió, te dou o Calunga por ele e te volto o que é de direito”. Fiquei, calado e estupefato por alguns momentos. Sabia que o Calunga tinha muito mais volume mas estava desacertado porque a fêmea tinha morrido. Pensei “acertar ele com aquela minha fêmea é mole” Fizemos o negócio imediatamente, fui buscar o CONFERE (dei a fêmea certa, e avisei tem algum medo de estaca tem que ter cuidado ao colocar). A viagem que começou mal, estava se encaminhando para ter um final feliz, estava com o extraordinário Calunga na mão.
O amigo, não teve o cuidado devido com o CONFERE, o primeiro torneio era Goiânia, estaca de madeira. Não quis saber, colocou na estaca de qualquer jeito e deixou ele se bater, desacertou de vez; “Aloísio, sê me matou, num quento isso não”. Mas logo depois, num torneio em Cuiabá MT, foi o melhor colocado de Brasília, provou que mesmo fora de forma conferia. A paciência do Celso foi pouca, passou para o Rio e lá ele desapareceu. Também, não deixou filhotes, uma pena. Me lembro bem dele com muito carinho, só cantava pra cabeça, era um ótimo curió, recompensou e salvou a viagem maluca a Bahia.
Aloísio Pacini Tostes
Bonfim Paulista – Ribeirão Preto SP
Multiplicar para Conservar
www.lagopas.com.br




Leia mais... | Mais 20209 bytes | Comentários?
Coleiros e Trincas : AMEAÇAS À VIDA SELVAGEM DO BICUDO E DO CURIÓ
Enviado por jlouzada em 04/04/2014 22:20:00 (30 leituras)

AMEAÇAS À VIDA SELVAGEM DO BICUDO E DO CURIÓ
É certo que, se não houvesse poluição ambiental, não estaria a sociedade toda preocupada com esse assunto. É a ameaça que paira sobre todos. Durante os últimos cinquenta anos, mais de oitenta espécies de animais tiveram sua extinção provocada, ou pelo menos apressada, pela ação predatória do homem.
A verdade é que todos os animais silvestres, todas as plantas e organismos vivos estão seriamente ameaçados. A continuar da maneira que está sendo conduzida a questão, não vai demorar muito para que isso aconteça. A causa maior da progressiva extinção de espécies tem origem na perturbação geral da ecologia terrestre, ocasionada pelo crescimento geométrico da população humana e da ocupação de áreas cada vez maiores que os homens vêm disputando com os animais selva- gens, considerando, ainda, os efeitos colaterais indesejáveis causados pela multiplicação das atividades agropastoris e industriais.
É fácil entender, então, que deter e controlar a progressiva poluição do ar, das águas e do solo é um dos principais desafios da sociedade moderna. A vida e a permanência do homem na Terra estão debaixo de sério risco. Diante disso, então, os animais, para se defender, estão cada vez mais procurando abrigo nos pontos mais inacessíveis do planeta, tão longe quanto possível da ação nefasta de todos os tipos de poluição ambiental.
No Brasil, a degradação ambiental, os desmatamentos indiscriminados e a agricultura predatória, cujos exemplos maiores são as lavouras de arroz, cana-de-açúcar e soja, em geral praticadas em vastas extensões territoriais, estão provocando nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste um verdadeiro desastre ecológico. É a prática da monocultura que a natureza não aceita e contra o que sempre reage. Esse tipo de exploração exige a crescente utilização de agrotóxicos para combater as plantas daninhas e os insetos nocivos que a natureza vai deixando proliferar para se antepor à monocultura. E as pulverizações com DDT efetuadas às vezes pelo próprio poder público, é responsável pelo desaparecimento de imensas populações de aves, principalmente aquelas que habitam brejos e mangues, como é o caso do bicudo e do curió.
Uma máxima popular que trata da questão ecológica diz com muita propriedade: Se planejamos para um ano, devemos plantar cereais; se planejamos para daqui a dez anos, devemos plantar árvores; e se planejamos para toda a vida, devemos treinar e educar os homens, notadamente para a questão ambiental. Fica a pergunta, será que há alguém pensando nessa última hipótese? Não adianta ficar nessa de ensinar a dançar, a representar e ser músico. Tem que produzir, tem que se preparar para a realidade da vida a cuidar da terra em que vivemos.
Esperamos que algum acontecimento desperte as pessoas, para te- rem, doravante, consciência da degradação irreversível que estão causando à natureza e assim partam efetivamente para conter sua indiscriminada ação predatória. É lógico que a humanidade precisa se alimentar e é obrigada a ocupar novos espaços, não sem antes buscar melhoria na produtividade nas áreas já degradadas. Urge que se encontrem formas de cultivo e ocupação menos agressivas à natureza.
Examinando o levantamento aerofotogramétrico feito por satélite no centro e sudeste do Brasil, teremos uma ideia da devastação ambiental a que estão submetidas as citadas regiões. Necessário se faz que em qualquer tipo de empreendimento, tanto rural como urbano, se analise o tão falado impacto ambiental e, caso sejam comprovados prejuízos consideráveis ao meio ambiente, o projeto deve ser abandonado ou revisto.
Vamos citar em seguida os principais agentes na devastação ambiental a que é submetida a natureza brasileira e que tem relação direta com a vida silvestre do bicudo e do curió, a saber:
Lavoura de arroz - O tipo de lavoura que causou e continua causando maiores estragos à vida dos bicudos e curiós é a cultura do arroz. Infe- lizmente, para que o arroz tenha maior produtividade, mistura-se a semente com inseticidas para eliminar as pragas tipo cigarrinhas, cupins e outros insetos, proteína animal essencial e muito usada na alimentação dos filhotes dos bicudos e curiós. O veneno penetra na seiva da planta e fulmina todo o ser vivente que se atrever a utilizar o vegetal como alimento. Aquele que ingerir as sementes que sobram na superfície ou que a chuva descobre das covas, morre instantaneamente. Tem-se notícia de populações inteiras de aves dizimadas pelas lavouras de arroz. O pior de tudo está ainda no fato de que, em geral, as lavouras de arroz estejam ocupando, de preferência e continuadamente, cada vez maiores áreas de terras de baixadas, brejos, beiras de rios e várzeas, principais hábitats dos bicudos e curiós. As de arroz irrigado simplesmente impossibilitam a existência de qualquer tipo de ave nas cercanias. Tudo é derrubado, canais são abertos, os brejos drenados e a aplicação de inseticida intensificada. Grandes projetos do governo de incentivo à irrigação, tipo Provárzeas e Profir, causaram tantos prejuízos à ecologia que temos dúvida sobre sua adoção se fosse observada a questão ambiental.
Lavoura de Soja - A lavoura de soja tem uma característica básica; normalmente se estende por grandes extensões de terra. Começou no Rio Grande do Sul e hoje já adentrou pelo Sudeste e todo o Centro Oeste, chegando à parte oeste da Bahia, e agora até a Amazônia, áreas onde existiam em abundância o bicudo e o curió. Os agricultores desse cereal têm o costume de não deixar uma só árvore em pé, dizem que dificulta o trabalho da colheitadeira. Como, normalmente, não são pessoas nascidas no lugar, não têm o menor respeito e apreço pela natureza das terras onde estão cultivando a soja. Não há nenhuma preocupação ou mesmo lembrança com a questão ecológica. Observem as grandes fazendas de produção de soja. Será que tem jeito de alguma ave ali viver? O pior é que a constante e crescente ocupação de novas áreas não vai parar, é preciso exportar, o mercado mundial está sempre comprador. É sabido que a soja assume papel de destaque entre os alimentos básicos para saciar, hoje, a crescente fome de seis bilhões de pessoas do planeta. O interessante é que alguns supõem que não se alimentando de carne de animais só de vegetais de soja, em especial, estarão ajudando o meio ambiente. Ledo engano, pois as lavouras de soja provocam muito mais degradação ambiental do que uma área de pasto para bovinos. Lavoura de Cana-de-açúcar - O açúcar para adoçar e o álcool para movimentar nossas máquinas. O preço é muito amargo para o meio ambiente. Vinhoto nos rios, milhões de hectares de áreas rurais utilizadas, incêndio provocado nos canaviais e agrotóxicos despejados por avião. É demais. Não há natureza que aguente. O Norte do Paraná, grande parte do Estado de São Paulo, Alagoas e Pernambuco têm hoje o privilégio de possuírem um deserto, o deserto verde. Onde estão as matas ciliares e a parte de vegetação natural exigida por lei? Só o Estado de São Paulo possui 4,5 milhões de hectares plantados em cana. Por que a sociedade não reage contra as violações e os exageros? Tudo foi derrubado, as pequenas propriedades, os sítios, os pomares, as chácaras foram destruídas pelas correntes dos poderosos tratores cada vez mais sofisticados. Em seus lugares surgiram as verdejantes lavouras de cana-de-açúcar. Nem uma árvore diferente, nem um arbusto; é um verde uniforme, triste e apavorante. E o fogo que ateiam, cercando todos os lados dos canaviais, na época da colheita, é um absurdo. Explicam dizendo que o Brasil é muito grande e há lugar de sobra para ser explorado. Será que alguém, ligado à produção de açúcar e álcool, está preocupado com a sobrevivência dos animais silvestres? Supomos que, diante do atual quadro, a natureza vai logo, logo, reagir. Aí, certamente, toda a sociedade e o poder público vão ter que fazer algo.
Poluição das Águas dos Rios - Os agrotóxicos utilizados nas lavouras acabam entrando no lençol freático ou são carregados pelas águas da chuva, que os leva para os cursos d’água. Quase todos os rios brasileiros próximos às grandes culturas de cereais e cana-de-açúcar estão poluídos pelos agrotóxicos. A vida das aves em suas margens está muito dificultada. Além disso, nas regiões inexploradas, há a poluição por mercúrio dos garimpos e, nas zonas urbanas, pelos metais pesados oriundos de dejetos industriais. A questão mais perigosa da poluição das águas para nossos pássaros é que o Brasil é um dos maiores centros do mundo em produção de aves industriais (para alimentação humana), isso é bom, traz riquezas para o País. Acontece porém que quase todos os dejetos são lançados nos rios, até para alimentação de peixes. E as bactérias, os protozoários, os vírus e demais microrganismos estão se multiplicando descontroladamente e atingindo ambientes supostamente selvagens ajudando a exterminar nossas aves. É difícil, ainda, encontrar um agricultor mais esclarecido que respeite as margens dos rios e as matas ciliares, o que está provocando o assoreamento dos leitos d’água, reduzindo a lâmina d’água, favorecendo o crescimento indiscriminado de algas que consomem oxigênio e inviabilizam a vida dos peixes e de outros animais ribeirinhos. Até porque há pouco tempo o próprio governo incentivava o produtor rural a limpar as margens dos rios para evitar malária e outros “males”, aí ficou a cultura e a impressão de era salutar a “limpeza” nas matas ciliares, sic. Outros tipos de poluição da água importantes são: a do esgoto sem tratamento e o lixo doméstico das cidades, lançados água abaixo. Essa mistura acumula tanta matéria orgânica e espuma de detergentes que o rio - cuja missão também é de levar a vida - se torna um carrasco, espalhando desgraça e morte para o vizinho de baixo. A observação das águas poluídas de um rio é um espetáculo dos mais deprimentes que se possa ver e sentir. O mau cheiro característico é a prova evidente da irresponsabilidade e da falta de noção do mínimo de cuidado com a substância água - a razão da vida na Terra. Quem já observou a nascente de um rio com o correr de suas águas límpidas e cristalinas fica chocado e revoltado com essa questão. Muitos consideram que o maior crime que se pode cometer contra a natureza é provocar a poluição das águas dos rios e depois correr o risco da falta de água potável vendo correr a sua frente um mundão do precioso líquido todo poluído. O maior exemplo no Brasil é o Rio Tietê na cidade de São Paulo. O pior é que, estando à vista de todos, pouco se tem feito para resolver esse grave problema, fundamental para melhorar a qualidade de vida dos animais que vivem em suas margens, principalmente dos racionais. Não adianta falar e explicar, até quando esperaremos uma solução para isso?
Poluição do Ar - A poluição do ar também tem colaborado para a dizimação de nossa fauna e de nossa flora. A chuva ácida, a fumaça de queimadas e os compostos de enxofre. Isso tudo acaba se depositando sobre as plantas, criando uma camada de sujeira sobre elas, carregando-as de materiais muito prejudiciais à saúde das aves. Essas substâncias tóxicas vão também se incorporando aos alimentos consumidos pelos homens; a água, assim poluída, também não poderá mais ser utilizada. Se não houver a conscientização das pessoas, se não forem tomadas providências pelas autoridades, se as leis existentes não forem cumpridas sistematicamente com a finalidade de coibir a degradação ambiental pela poluição do ar, talvez daqui a alguns anos já seja muito tarde para reparar o mal que está sendo feito.
Inundações por excesso de chuvas - As inundações sempre causaram muitos prejuízos aos bicudos e curiós, pelo hábito que têm de fazer os ninhos nas beiradas de brejos à baixa altura. Os ovos ou filhotes são, assim, levados correnteza abaixo. Há também a registrar que, hoje em dia, com o assoreamento e desmatamentos das margens dos rios, as inundações se tornaram mais frequentes, devastando temporariamente os navalhais, dificultando a alimentação dos pássaros e obrigando-os a migrarem de seus territórios exatamente na época da procriação.
Hidrelétricas - As hidrelétricas brasileiras quase sempre foram construídas exatamente nos maiores hábitats dos bicudos e curiós. Quem não se lembra do famoso Canal de São Simão, na divisa dos Estados de Minas com Goiás, da Cachoeira dos Índios, na divisa de Minas, São Paulo e Goiás, da Cachoeira do Marimbondo, na divisa de Minas com São Paulo, entre outras? As terras inundadas são a parte mais baixa do relevo, compreendendo lagoas, brejos, várzeas etc. Ademais, como a barragem regula a vazão d’água, o ciclo natural é interrompido, a parte que fica à jusante da represa também fica prejudicada. Os brejos secam, as lagoas desaparecem e o capim navalha escasseia. A solução para as aves é migrar.
Queimadas - O insensato hábito de incendiar as áreas de terra para desmatar, limpar as roças, para formar pastos etc., tem contribuído para colaborar com o extermínio de inúmeros tipos de animais, bem como destruir toda a vegetação nativa existente na região atingida. Ambientes que a natureza demorou longos períodos para montar são destruídos para sempre, em poucas horas. É mais um absurdo inexplicável praticado pelo homem do século XXI. Os navalhais nativos dos brejos são um alvo muito procurado para se atear fogo, porque não é um bom alimento para os rebanhos e dificulta o trânsito das pessoas nas várzeas e nos cerrados. Com isso, vai se reduzindo cada vez mais o número de locais que se prestam à morada dos bicudos e dos curiós. Acresça-se a isso o fogo por combustão natural e espontânea que é, na época da seca e calor, comum nas regiões de cerrado e campos gerais brasileiros. Assim, extensas áreas naturais, repletas de capinzais do capim navalha, são também destruídas.
Caça predatória - Depois de tudo que foi dito, ainda falta mencionar outra irresponsabilidade: caça predatória que também colaborou para dizimar populações inteiras de aves em certas regiões. A falta de escrúpulo, de sentimento, de amor e educação, infelizmente, levam um segmento de pessoas a praticar esse tipo de ação. A coisa está muito ligada também à miséria e à nossa condição educacional, em que a maioria das pessoas é desinformada. Obter-se lucro com o aprisionamento de animais silvestres é muita crueldade e insensibilidade. O mais grave ainda é que a maioria dos animais capturados morre em consequência dos maus tratos a que é submetida no trajeto, até ser colocada em lugar mais adequado. Há, ainda, o estresse causado pelo trauma do choque sofrido no momento do aprisionamento. Infelizmente a caça foi responsável pelo desaparecimento de grandes populações de pássaros de seus ambientes naturais; não podemos concordar com isso, e temos que fazer de tudo para que esta ação predatória não continue mais. A caça realizada com rede, então, é a mais prejudicial de todas e responsável pelo desaparecimento de extensas populações de aves em todo o mundo.
É muito difícil conter as ações dos caçadores profissionais, porque normalmente agem em regiões de difícil acesso. A fiscalização intensa nas estradas, contudo, talvez seja uma boa forma de coibir o tráfego dos animais capturados.
O Tráfico - A comercialização ilegal, o tráfico está num processo de arrefecimento, pela ação dos órgãos fiscalizadores, conscientização da população e leis mais rígidas. Mancha a imagem do criador sério, é um grande problema que a sociedade toda tem que combater. É exatamente a comercialização ilegal que alimenta e estimula a caça predatória. As famosas feiras livres têm sido muito perseguidas pelos fiscais. Outro fator que está ajudando é a pressão da opinião pública, horrorizada com as barbaridades praticadas contra os animais, focalizadas periodicamente nas telas dos principais jornais televisados do país. Os criadores em ambiente controlado também tem colaborado bastante com suas crias provindas da alta genética e que por isso provocam o desinteresse por aves sobre as quais não se conhece a origem. Esse é o maior trunfo que temos. Essa é, com certeza, a maior arma que se tem contra o tráfico. Os criadores que se preocupam com a qualidade de canto não querem nem ouvir falar em ave silvestre. Elas não aprendem mais o dialeto que se quer ensinar. Louve-se também o trabalho dos ambientalistas bem intencionados que, sem dúvida, ajudam na ação de exterminar o comércio ilegal de animais. Como no caso da caça predatória, a melhor forma de impedir esse comércio é exercer intensa fiscalização consciente nas estradas, educação ambiental nas escolas e conscientização das populações mais carentes.
Os predadores naturais - Falamos de vários tipos de ações predatórias. Nossos amigos ainda são obrigados a sofrer ataques de seus inimigos naturais, tais como aves de rapina (anu, caboré, gralha e gaviões), serpentes, lagartos, macacos e outros animais predadores. É muito comum bicudos e curiós serem vítimas desse tipo de ataque, com a agravante de que o desequilíbrio ecológico os deixa mais expostos ainda. Quando são filhotes, estão muito mais vulneráveis porque, inclusive, não podem voar para fugir do perigo. Outra ocorrência comum consiste na ação do berne da mosca varejeira, que penetra na pele dos filhotes, como é comum acontecer com outros pássaros, mutilando-os, prejudicando o crescimento, e, muitas vezes, levando-os à morte.
Depois disso tudo, ainda há as questões ligadas ao comportamento intrínseco das espécies de que tratamos e que muito acontece no ambiente do território, em especial na época da reprodução:
Brigas mortais - Os bicudos e curiós são muito agressivos e qualquer motivo, principalmente na época do acasalamento, serve para levá-los entrar em vias de fato. Tanto os machos como as fêmeas brigam para defender seu território. Deve ficar claro, porém, que em situações normais respeitam o espaço do outro, porque sabem que entrar ali é agressão certa. Se têm que passar pelo território do vizinho, voam por cima, o mais alto que podem, para não serem alcançados ainda dentro da área. Quando perdem o/a companheiro/a por algum acidente, vão logo procurar outro/a. É nessa hora que acontecem os embates. Entram em choques violentos, que muitas vezes acabam em morte e, mesmo que isto não aconteça, se machucam tanto que as sequelas são sempre muito graves. Quando estão em luta, ficam à mercê das ações dos predadores, que aproveitam a desatenção momentânea para agir. Quando estão agarrados na luta, não enxergam mais nada à sua volta e é muito comum caírem n’água, onde são engolidos por peixes como a traíra, por exemplo. Quando estão “enfezados” ficam cegos e a luta vira vida ou morte, com seu bico poderoso o entrevero termina em óbito e o vencedor, em geral, fica aleijado com falta de dedos, cego de um olho ou com marcas indeléveis na cabeça ou na face.
Isto posto, viver em paz e em segurança é muito difícil para eles. É uma luta diária. As aves sofrem como vimos, em sua vida silvestre, dificuldades de toda ordem. Os que estão aí, são, na verdade, os remanescentes. Aqueles que a sorte ajudou a preservar.
Em contra partida, sabemos evidentemente que estas espécies estão salvas da extinção, são milhares deles produzidos em ambientes controlados cujo manejo foi estritamente desenvolvido pela ação dos criadores abnegados e sem qualquer ajuda oficial. Trabalho esse que serve de exemplo do Brasil para o mundo em face do sucesso obtido na efetiva conservação de aves nativas de origem silvestre como é o caso do bicudo e do curió duas joias da natureza.
Texto original publicado em 1997 no Livro Criação de Bicudos e Curiós do autor
Aloísio Pacini Tostes Bonfim Paulista – Ribeirão Preto SP Multiplicar para Conservar www.lagopas.com.br

Comentários?
Coleiros e Trincas : POLIGAMIA EM PÁSSAROS
Enviado por jlouzada em 26/03/2014 21:40:00 (22 leituras)
Coleiros e Trincas



POLIGAMIA NA CRIAÇÃO DE PÁSSAROS
A criação, ex situ, de pássaros canoros nativos brasileiros obteve um grande incremento a partir da década de 90, em especial depois da publicação das Portarias 131/88 e 118/98 do IBDF/IBAMA que regulamentaram a utilização de anilhas para os criadouros amadoristas e depois para os comerciais. Com efeito, com muito custo, a partir dessa base regulamentar, os criadores vem desenvolvendo técnicas cada vez mais eficientes para melhorar seu manejo e para obter filhotes de alta genética com perfeita sanidade sem o menor auxílio ou estímulo oficial, pelo contrário. Antes porém, muitas pesquisas, dificuldades, erros e acertos. É um trabalho complexo, não é como criar galinhas. Exige muita dedicação e determinação, uma verdadeira ciência. O fato de poder conhecer o comportamento diferenciado de cada espécie, de cada indivíduo, é um grande estímulo e motivo de muita paixão. Lógico que há uma base para todos mas cada tipo de pássaro tem um manejo reprodutivo diferente. Na natureza, embora vivam em comunidade, em grandes bandos, ficam todos juntos só quando não estão em fase de reprodução. Pois, nossos pássaros nativos são monogâmicos, extremamente territorialistas, tanto os machos como as fêmeas, na época do choco. Por isso, não aceitam, nesses momentos, ficar ou se aproximar de outro diferente, independente do sexo. Passam por um processo para formar o casal. Primeiro se conhecem no meio do bando, brigam entre si para escolher o parceiro, em seguida vem a corte que tem todo um ritual, namoram, depois escolhem a morada ou voltam ao território e logo vem a definição e localização do ninho. Aí, ficam acasalados e sempre juntos, se saúdam vocalizando (sussurros, gorrichados e macheados), um protege o outro. Permanecem assim, enamorados com muito carinho recíproco, até o final do período reprodutivo. No próximo ano, nova batalha, novo processo ou para recompor o casal ou para formar novo par. Essa é uma situação recorrente na natureza e que a princípio teria que ser adotada na criação em ambiente controlado para se obter sucesso na empreita. No início, a respeito desse tipo de criação havia muitas dúvidas, como fazer? Primeiro, pensava-se muito difícil, quase impossível. Poderia ser em grande viveiros, tentando recompor um ambiente natural, seria o melhor jeito. Ainda mais, se o bicho (filhote) sobrevivesse seria um animal estranho, sem os instintos naturais e características da espécie. Um ser abobado seria produzido e não serviria para nada, um enfeite. Ora aparência para os passericultores de canto e fibra não tem a mínima importância. Sem dizer ainda que não sabíamos nada sobre manejo, não havia ninguém com experiência positiva para ensinar ou demonstrar algum tipo de sucesso. Essa era a consciência que tínhamos lá pelos anos 70. Então, estávamos num “mato sem cachorro”. Isto porque já dava para sentir que os exemplares capturados na natureza começavam a escassear e já vigia a Lei de Fauna 5.197 de 67 que passou a considerar os animais silvestres como propriedade do Estado. Pela lei não se podia buscar mais pássaros na natureza, realmente um contrassenso e um crime ambiental. Para “salvar a pátria” e encaminhar para melhor, surgiram então criadores abnegados, pesquisadores, inteligentes e verdadeiros “quebradores de lança”. Em primeiro lugar o Mestre Marcílio Picinini em Matias Barbosa MG, nos curiós e o saudoso Ernesto Scatena em Ribeirão Preto, nos bicudos. Ai, começou-se a ter uma nova ideia sobre a criação doméstica, primeiro o estabelecimento da poligamia, depois a evidência que o bicho produzido não tinha nada de abobado. Herdava sim, as características dos seus genitores e conservavam o instinto selvagem e o comportamento inerentes às respectivas espécies. Está provado hoje que mesmo em décima geração conservam todos os atributos inatos a raça. Ficou claro então que estávamos procurando o caminho do melhor manejo e que era possível produzir-se passeriformes com viés de comportamento para serem ótimos cantadores, valentes e fibrados como seu primo nascido em habitat natural com instinto silvestre. O Marcílio ainda mais, contrariando tudo que existia, montou uma infraestrutura de prateleiras onde as curiolas ficavam lado a lado separadas por uma divisória de forma que no momento da gala o macho era trazido para fecundar essa ou aquela fêmea. Do mesmo jeito o Scatena fazia só que as bicudas ficavam em gaiolas piracicabas número cinco comuns no beiral de residência (bem mais rudimentar). Esse tipo de processo revelou-se fundamental para uma boa produtividade e também para evitar-se a morte de filhotes porque na hora do nascimento o pai e a mãe ficam com o sentimento de proteção exacerbados e por isso entram em conflito por causa da proximidade que há com outro casal. Neste caso, passam na maioria das vezes, a se agredir mutuamente ou matam os respectivos filhotes.
Conclusão, a poligamia é um procedimento fundamental ao incremento da criação de passeriformes canoros em ambientes controlados. Quase todos os criadores a praticam e também por vários outros motivos. Levando em conta, inclusive que, as fêmeas por não estarem acasaladas mas com a libido em alta, na maioria das vezes, aceitam a gala de um macho desconhecido para ela. Em nossa experiência na manutenção de pássaros constatamos que na fase de reprodução os machos dão pelo menos uma galada por dia em sua fêmea, notadamente quando acordam. Pegam-na quando ainda estão meio que dormindo, estejam ou não no cio. Na natureza, dá, também, para perceber quando ele voa mais para o alto ele a persegue e a agarra, os dois chegam a se embolar caindo alguns metros é o momento do ato sexual diário. Na questão qualidade de canto é fundamental que as fêmeas fiquem longe dos machos porque como é complicadíssimo obter-se espécimes de canto clássico perfeito o nascituro não pode escutar um canto com detalhes, só a produção sonora que é editada sem qualquer impropriedade. Bom lembrar, também, que criamos em recintos reduzidos e que o espaço tem que ser bem aproveitado, então, se usarmos cinco a seis fêmeas para um macho teríamos um ganho significativo, que muito representa em termos de custo fixo. Todavia, há aqueles que preferem produzir com casais em viveiros grandes e isolados uns dos outros, desse jeito também pode dar certo, só que o manejo é bem mais complicado, a produtividade é prejudicada e os custos serão bem mais altos.
Quem não trabalha qualidade tem muita dificuldade em transacionar as crias, então, o importante de tudo é o desenvolvimento de altíssima genética a partir de um macho de reconhecida qualidade na modalidade requerida pelo criador (fibra, propensão para aprender canto ou repetição). Ele pode galar uma fêmea todos os dias, no máximo duas (excepcionalmente) durante toda a temporada de choco sem qualquer prejuízo a respectiva fertilidade. Lógico, temos já a comprovação que referidos atributos e que se deseja são herdados. Para tanto, um raçador com as características exigidas tem alto preço no mercado além de difícil disponibilidade. Fêmeas de qualidade são sempre mais fáceis de aquisição, tem menor preço e bem mais ofertas. Estamos falando, em especial dos pássaros: Bicudos, Canários da Terra, Curiós, Coleiros e Trincas. Produzir exemplares de qualidade, diferenciada, desses bichos, é o que mais estimula a reprodução em ambiente doméstico. Certamente por isso, a atividade vem cada vez mais despertando alto interesse nos aficionados por pássaros canoros brasileiros. Passados apenas vinte anos, quem hoje, em sã consciência, teria interesse em um exemplar capturado, ilegal, de qualidade duvidosa, uma verdadeira perda de tempo, e mais oriundo do tráfico e assim o cometimento de crime ambiental. Isto posto, fica bem claro que a busca da alta genética na questão comportamento dos passeriformes nativos é a maior arma que há contra o tráfico e que a prática da poligamia é um fator preponderante para o sucesso que a classe tem conseguido no verdadeiro uso sustentado de nossa biodiversidade.
Aloísio Pacini Tostes
Bonfim Paulista – Ribeirão Preto
www.lagopas.com.br
Mar/14

Comentários?
Coleiros e Trincas : CLASSIFICAÇÃO FINAL CCAP-ES - PRÉ-TEMPORADA 2013 - TRINCA FERROS
Enviado por jlouzada em 25/08/2013 16:30:00 (379 leituras)

COLOC____PÁSSARO________PROPRIETÁRIO__________CIDADE_______PONTUAÇÃO
1º LUGAR__TRIUNFO_________CLEDSON_____________V. VELHA______1988_PONTOS
2º LUGAR__CIPÓ____________GIRAFA_______________VITÓRIA______1811_PONTOS
3º LUGAR__VENENO__________ELTON________________CARIACICA___1495_PONTOS
4º LUGAR__FAISCA___________PAULO B. OLIVEIRA____VILA VELHA____1407_PONTOS
5º LUGAR__BIN LADEN________ROBERTO MOURA______VILA VELHA____1251_PONTOS
6º LUGAR__CHICO___________ISAAC _______________SERRA________1244_PONTOS
7º LUGAR__MOSKITO_________ADRIANO______________SERRA_______1053_PONTOS
8º LUGAR__THANDERA________BADEJO_______________GUARAPARI____959_PONTOS
9ºLUGAR___LEÃO BRANCO_____PAULO BERGER________VILA VELHA____939_PONTOS
10ºLUGAR__ELÉTRICO________FERNANDO____________VITÓRIA_______934_PONTOS
11ºLUGAR__FORMIGA ________EVERALDO OLIVEIRA ___SERRA_________907_PONTOS
12ºLUGAR__SANSUNG________LEO/ÁLVARO__________SERRA_________343_PONTOS
13ºLUGAR__STYLO___________FERNANDO ___________VITÓRIA_______836_PONTOS
14ºLUGAR__PREDADOR_______CLAUDIO SILVA________VILA VELHA____831_PONTOS
15ºLUGAR__MAXIMUS________LUANE________________GUARAPARI____807_PONTOS
16ºLUGAR__BOUKA__________JEER__________________CARIACICA____667_PONTOS
17ºLUGAR__BARRERAS_______IVAN_________________SERRA_________564_PONTOS
18ºLUGAR__GLADIADOR______EDMAR ______________SERRA_________563_PONTOS
19ºLUGAR__TITANIUN________TIAGO________________GUARAPARI____510_PONTOS
20ºLUGAR__RIO ALTO________MARCELO_____________VILA VELHA_____479 PONTOS

Comentários?
Coleiros e Trincas : TORNEIO - COMUNICADO CCAP-ES E ACAP-ES
Enviado por jlouzada em 19/05/2013 15:52:07 (415 leituras)

COMUNICADO CCAP-ES e a ACAP-ES
A CCAP-ES e a ACAP-ES comunicam, que a partir do dia 01/06/2013 as inscrições para participação nos torneios será de R$15,00 por cartela.
Desde agradecem à compreensão de todos os participantes.

Comentários?
(1) 2 3 4 ... 45 »



Publicidade

Parceiros
Pesquisa
Pesquisa personalizada
Contador


PRINCIPAL NOTÍCIAS LINKS FORUM DOWNLOAD CONTATO

Coleiros e Trincas © 2008 Fabiano Louzada