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Coleiros e Trincas :  TESOURINHA - Nasceu a Paixão
Enviado por jlouzada em 23/04/2014 02:00:00 (593 leituras)

TESOURINHA – Em 1957, mudamos de Ribeirão Preto para Uberaba MG, minha mãe resolveu estudar Pedagogia e lá havia a respectiva faculdade. Já gostava demais de todo tipo de passarinho, mas os meus eram somente coleirinhas e canários da terra. Volta e meia, ficava intrigado porque havia o Dr. Rocha que morava perto de casa e andava com um pássaro esquisito com a gaiola na palma da mão, subindo e descendo a rua Silva Jardim, e ele cantava muito bonito e alto.
Um dia, perguntei: Dr. esse bicho é muito caro? Respondeu: Ah, menino isso é um bicudo e não é pássaro pro cê, é muito caro e difícil, mexa com canário!!! É fiquei na minha e pensando: “realmente não tenho um vintém no bolso como querer um bicudo, isso é só pra Dr.” Daí, comecei por curiosidade a perguntar para alguns passarinheiros sobre o bicudo. Cada um ressaltava mais ainda: é bicho caro, só quem tem muito dinheiro pode ter um, se tiver com intenção de ter um tire da tua cabeça”. Realmente, tirei da cabeça, mas não do coração.
Passado um tempo, já estava eu com 14 anos em 1958, quando sentado em carteira na sala de aula no Colégio Diocesano em Uberaba MG, escutei um “buchicho” atrás de mim falando em “bicudo”. Perguntei “tão falando daquele passarinho preto do bico branco?”. “É sim, dizia um outro colega: “Paulinho tem um que é fera, né Paulo!!”. “É meu bicudo é muito bom, domingo tem um torneio aqui e ele vai ganhar!!!” Quer ir lá em casa para ver o bicho? Fiquei meio estupefato e admirado. Bicudo para mim, era que nem um caviar “só vi, só ouvi e não é pra ti, já dizia o Dr Rocha”.
Então, naquele momento, para minha surpresa o Paulo Borges meu colega de classe, – embora ele já tivesse 19 anos – vejam só, era uma pessoa que tinha “bicudo” e era muito simpático e afável. Até que enfim poderia sentir um bicudo de perto. No mesmo dia, fui até a casa dele para ver seus bicudos. Nascia uma grande amizade, embora ele tenha me tomado o Carequinha uma belo canário que tinha em troca de um “cheba”. Tudo bem, ele era mais velho, tive que pagar esse “mico”, rssss. Muito tempo depois teve acerto.
Havia lá uns cinco bicudos, entre eles um tal TESOURINHA, o deslumbramento foi total, perdi até a fala diante de um bicudo daquele naipe. Em seguida ele me narrou a estória dele. “O João Botica, o havia pegado na Água Limpa um povoado perto da cidade – hoje é zona urbana e nome de avenida em Uberaba - lá havia um brejo com bicudos que cantavam o Suim-Suim. Passou seis anos na casa dele, que tinha outro bicudo o Fuzil do qual o Tesourinha tinha respeito. Lá ele não tinha fogo, respeitando o bicudo véio. Cantava muito mas piava mole e não abria”.
Paulo Borges, com ajuda do amigo Onofre, percebendo que o bicho era diferenciado, o pegou. Continuando a descrição: “assim que foi chegando em casa ele, sem sentir mais o canto do Fuzil, já começou a trincar de fogo. Subindo a escada passou a voar aprumado. Em dez minutos, começou a dar “quem-quem” e ficar ereto em posição de atenção. A flor estava desabrochando!!!!” Seu canto, maravilhoso, o que havia de melhor à época denominado o “Suim-Suim”. Além de cantar bonito, ele era repetidor e dividia o canto no “cocotil”. Uma beleza total. Seu nome TESOURINHA foi posto porque estragava ponta do rabo de um lado, parecendo que havia sido cortado por uma tesoura. Além disso, não entrava na banheira.
Pouquíssimo tempo depois de adquirido, seria o Torneio de Uberaba onde afluíam criadores de Ribeirão Preto, Franca e Barretos, em especial. Paulo, continuou me contando: “resolveu levá-lo depois de ter se apresentado bem num pequeno treino que havia feito durante a semana. Ganhou o torneio, para espanto geral de todos. O João Botica quase morre do coração, seu Fuzil não cantava na roda.” Começou aí a carreira incrível do campeão.
Voltando então, ao episódio do meu primeiro contato com o Tesourinha na casa de Paulo, dali para a frente passei a acompanhar e a compartilhar as performances do campeão. Passei a ajudar levar os bichos ao brejo de uma forma bem interessante: para levar quatro bicudos utilizávamos dois bambus compridos escorados nos ombros com um deles em cada ponta. Era até engraçado mas ajudava a não irritá-los demais. Logicamente toda atenção era dedicada ao Tesourinha.
Na semana seguinte para minha alegria, seria o Torneio de Uberaba, nunca tinha visto um. Fui para casa do Paulo de madrugada, naquela época os torneios se iniciavam às seis horas da manhã. Dezenas de bicudos, vindos de todos os cantos, para mim uma loucura total, fiquei maravilhado. Mas já percebi o “frisson” dos criadores: cadê o Tesourinha; nossa ele está aí; estamos perdidos ele está aí” e assim por diante. Neste dia conheci o saudoso amigo o simpaticíssimo Roberto Benedetti de Ribeirão Preto, ele era o líder e o organizador dos torneios. Queria ver o Tesourinha antes de iniciar a roda, Paulo o colocou em cima do carro, o bicho danou a repetir e voar de lado para o outro, sensacional.
Daí, um pouco o torneio, um verdadeiro show Tesourinha não parava de cantar, as vezes no gogó, daí a pouco esguelhado e assim em diante. A marcação da final era por meia hora, encheu a ficha e não dava para marcar mais. Realmente demais. Uma festa danada em comemoração, se serviam chopps, pasteizinhos e salgadinhos no final, era costume. Desse dia em diante nasceu minha grande paixão por bicudos. Passei a me sentir um pouco o dono do Tesourinha por causa da amizade de irmãos que fiz com o Paulo.
E assim foi, naquele ano Tesourinha ganhou todos os torneios. Franca, Ribeirão, Uberaba, só em Barretos que foi segundo porque ficou um tanto espantado com as árvores em volta da roda. Lembrar que as viagens naquele tempo eram complicadíssimas, quando não era poeira demais, quando chovia vinham os atoleiros, sem dizer dos autos que eram verdadeiras carroças. Tinha que levar os bicudos no colo, os solavancos eram muitos. Para Franca de trem, Maria Fumaça chacoalhando de um lado para o outro e o bicudo na mão. Sofrimento misturado com diversão, rsss
No ano 60 as coisas complicaram, o Paulo mudou-se para Ouro Preto MG para estudar e eu sofri um grave acidente no “Pasto do Pereira”, perdi uma vista e só não morri porque não era hora e também pelas ajudas de todos os lados, da família, do saudoso Dr. Guerra, espiritual de Chico Xavier e da necessária interveniência Divina. A tristeza era grande, sem o amigo Paulo e sem ver o Tesourinha que ficou algum tempo amoitado em casa.
Paulo, para Ouro Preto e eu com a minha família de volta para Ribeirão Preto. Notícias quase nenhuma, naquele tempo não havia a facilidade de hoje para comunicação. Só via carta, nada de contato. Até que através de bicudeiros de Ribeirão que já havia conhecido soube que o Tesourinha estava em Goiânia com um senhor por nome de Fião. Estive em seguida no torneio de Ribeirão, onde encontrei o Roberto Potoca, falando pelos cotovelos dizendo que o Tesourinha tinha virado vaca e que era um bicudo corrido.
Estranhei demais, e corri para perguntar ao pessoal de Uberaba, o que era aquilo. Deram- me uma explicação meia truncada mas tinha algum sentido: “O Fião havia comprado o campeão e um tal de Louquinho de Brasília que estava no auge e o Tesourinha não havia se adaptado com a nova mexida e estranhado muito o local e assim não estava aprontando bem para roda. Fiquei deveras chateado com a notícia “não é possível, isso é demais, balbuciava”.
Soube que o Paulo Borges também ficou revoltado com a informação. Os criadores de Uberaba mais amigos também. Isso tudo, fez com que estimado Geraldo Fidélis, dono do Hotel Regina, fizesse um esforço muito grande para trazer Tesourinha de volta para Uberaba. Ainda bem, voltou e chegou com tudo logo retomando a forma e passando agora a ganhar torneios novamente.
O tempo passou, mudei para Santo André SP em 63, passei ter muitas dificuldades a ir a torneios porque tinha que vir de ônibus para Ribeirão para depois com os companheiros daqui viajar para os locais dos eventos. O companheiro que mais me deu carona foi o amigão já falecido Luis Andrade. No entanto, ficava sempre interessado e acompanhando o desempenho do Tesourinha, sempre em alto nível.
Foi assim até que num torneio em Barretos, ano de 66, Geraldo me chama para ver o Tesourinha lá no quarto do hotel. Quando entrei tive um susto, o bicho estava “grosso” e amuado. Hoje sei que pela aparência era um alto grau de coccidiose, infelizmente. Ele me disse: “quer ficar com ele”. Chorei de tanta emoção, mas me contive. Fui para o meu quarto e não sai mais naquele dia, amargurado que estava. Ninguém sabia lidar com essa doença naquele tempo. Pressenti que ele iria à óbito de forma iminente. Dito e feito dali alguns dias o campeoníssimo morreu.
O canto Suim-suim também extinto. Havia dezenas de bicudos com este canto, mas ninguém se preocupou em conservar. Os bicudos silvestres morreram, não se tirou filhotes, uma grande perda em todos os sentidos. A verdade é que não se vislumbrava nenhuma ação que se poderia fazer para preservar. Reproduzir não dava certo, era o sofisma que todos acreditavam. O pior é que a mesma situação ocorria em Franca, Barretos, e Ribeirão, os berços, para nós, dos bons bicudos de fibra e de canto. Estávamos naquela época num grande dilema. O que faríamos, não se sabia direito qual a direção tomar.
Soube, então que Paulo Borges mudou-se para Santo André logo depois que de lá sai, uma pena. E assim foi. De novo para Ribeirão Preto em 68, participei em alguns torneios e dei
uma parada de mexer com bicudos. Mudei para Brasília em 73, o tempo se passou quando já na década de 80 estava num super mercado e avistei o Paulo Borges por lá fazendo compras. Assustado, perguntei: “o que estás fazendo aqui?? Respondeu: “Estou morando em Brasília” !!! Ora que bom, vamos retomar nosso convívio!!” E assim foi. Ele com muitos bicudos e eu também. Depois me arrumou o Bicudo Paiakan para tirar filhotes resgatando a questão do canário Carequinha, daí esqueci completamente a “manta” que havia levado, rsss.
Numa visita em sua casa, lá no Lago Sul e conversando sobre o Tesourinha, comentamos: “Paulo, lembra que na época do torneio de 58 lá em Uberaba tocava na Rádio o canto dele e que o locutor falava”: “povo de Uberaba, domingo haverá o Torneio de Canto de bicudos na Exposição, todos estão convidados a entrada é de graça”. Paulo disse: é verdade, essa gravação está com o Geraldo e guardada em seu cofre. Na mesma hora ligamos e houve a confirmação a fita existia.
Ficamos felizes, sem muito esforço o amigo Geraldo nos disponibilizou a gravação. Só que quando vimos fita toda se desmanchando sentimos que seria difícil recuperar o som. Pensamos, pensamos até que surgiu a ideia de ir a Radio Nacional de Brasília. Fomos lá numa noite e por muito tempo, com a ajuda de um técnico de muito boa vontade conseguimos ir recompondo o canto emendando pedaços da fita com o módulo de entrada e o de repetição.
Depois disso, com alguma dificuldade mas bem orientados fomos aos poucos conseguindo editar e montar o canto original tal qual ele cantava para finalmente obter as frases do canto Suim-Suim Uberaba do Tesourinha originário da Água Limpa. Uma vitória que muito comemoramos, foi uma grande festa regada até a champanhe.
Para completar nosso trabalho de resgate, com o auxílio do amigo João Salles oferecemos e entregamos em meio magnético ao então prefeito de Uberaba a gravação do canto do Tesourinha que está guardada no acervo histórico da cidade. Recentemente disponibilizamos também no “you-tube” para que os interessados possam ouvir e cultivar o canto do grande campeão. Ele se foi, não deixou filhos mas deixou, uma grande amizade, muitas saudades e por nossa sorte seu melodioso canto preservado.
https://www.youtube.com/watch?
Aloísio Pacini Tostes
Bonfim Paulista – Ribeirão Preto SP
Multiplicar para Conservar
www.lagopas.com.br



CONFERE CONFERIU


CONFERE – Em 1986, recebi uma ligação de Nazaré das Farinhas BA, havia um curió super repetidor por lá e o dono resolveu me oferecer. Ouvi o bicho pelo telefone, era um Vi-te-téu de 30/40 repetições. Fechamos o negócio. Como estava chegando minhas férias, combinei com ele que dentro de uns dez dias iria buscar e levaria o numerário em dinheiro, na mão.
E assim fiz, chamei os amigos Walter Peba e Roberval Gambirinha e fomos viajar 1.400 kms só para lá chegar, numa veraneio à gasolina. Foram quase 4.000 kms viajados, ida e volta. Tudo para buscar um só curió, coisa de doido. Saímos de Brasília DF, viajamos dois dias, passamos no tal “Morro do Pai Inácio” de noite, um “cagaço danado” de repente um vento frio, senti calafrios, uma escuridão esquisita e apavorante. Parecia que estávamos chegando num lugar mal assombrado. Nesta viagem aconteceram muitas outras coisas estranhas. Algumas até inconfessáveis. Posso até contar no particular, mas escrever jamais, rsss.
Bom, depois de todo esse esforço, lá chegando o “home” nos disse: “o senhor é o sô Aloísio, pensei que não vinhas, vendi o curió ontem para um cabra de Salvador”. Respondi “o senhor está brincando, não é verdade”. Mas era verdade, não estava mais com o bicho. Levei um balde de água fria, me senti um idiota. Relutei um pouco, porém bom cabrito não berra, o que fazer. Veio a intuição: “fique frio, há males que vem pra bem”. Mesmo assim, por indicação dele adquiri até bem mais barato de um vizinho um “pintão” muito repetidor também, mas que nunca cantou em Brasília, dei de presente para um amigo de Santa Catarina.
Emburrei, travei e perdi o entusiasmo. Disse aos companheiros, não quero nem ver mais curió para comprar. Se vocês quiserem, vamos passear por aí, só vou “andar à toa”. E assim foi. De lá para Itabuna, Porto Seguro e depois subimos para Salvador, não sem antes comprar bastante farinha “da boa”, em Nazaré.
Vi muitos bons curiós pelo caminho, mas sem o mínimo interesse. No entanto, gostei de um em Itabuna que o dono estava tentando esconder, quando escutei o bicho cantando e repetindo dentro de casa. Disse ao Gambirinha: “o que é bom tá guardado e apontei pra dentro da casa, rsss”. Aí, não teve jeito, ele adquiriu o curió que estava amoitado. Em seguida, pegamos o caminho de Salvador. De repente, da estrada vimos umas gaiolas penduradas numa casa.
Com os Baianos, não tem muito “lero-lero”, “esse é de Painho, mas é tanto”. Vi um curió, também lindo, cantando rápido naquele canto gemido: “til-til-rém-rem” o famoso “Baiano Gemedor”, canto mais feio é difícil. Cantoria que era comum no litoral sul baiano. Mas quem gosta de roda não se importa com isso. O bicho tem é que cantar muito e retomar
rápido. Gostei demais, mas me contive. Falei Gambirinha: “vai fundo que este é bom, não tem erro”. Deu certo, ele pegou o curió.
Dali, fomos para Salvador, atravessamos de balsa a ilha de Itaparica, teve gente tão bêbada que supunha que estávamos num estacionamento durante a travessia, rsss. Lá chegando, comemos Acarajé “bem quente”, menos eu. Ficamos duas noites em Dias D’ávila. Ganhei um curió e o trouxe, cantador mas não se destacou. De lá passando ainda em Barreiras, com o Gaguinho arrumei um bicudo espetacular, o Bateria. Enfim voltamos para Brasília depois de uns dez dias, ufa!!!
Boa viagem, me senti, um tanto chateado mas recompensado pelo Bateria. Alguma coisa continuava a me dizer que tudo iria terminar da melhor qualidade. No mais, é só lembrar das passagens e dar muitas risadas. Que foram momentos muito divertidos foram. Logo em seguida peguei o curió repetidor de Itabuna, aquele “amoitado”. Era realmente fantástico, tinha um belíssimo futuro, inclusive na roda. Era rápido, com boa retomada. Mas, infelizmente veio à óbito de repente, não deu tempo para salvá-lo.
Passado um ano mais ou menos, fui a uma periferia de Brasília. Um cabra havia me oferecido um curió que dizia cantador, valente e muito bom. Fui lá, num sábado de manhã e qual não foi a minha surpresa. Era aquele que estava na casa da estrada, rodou por vários criadores até parar naquele lugar. Peguei o bicho e levei para casa, feliz da vida. Que sorte, por pura casualidade veio parar na minha mão.
Lá chegando, coloquei uma fêmea do lado e ele começou a cantar feito louco: “Til- til-rém-rém”, chiando rato uma fêmea de “quem-quem” linda do bico branco. A paixão foi recíproca e imediata. Tanto que levei ele no treino no outro dia e já se apresentou a contento. Percebi, no entanto, que ele tinha medo de estaca, se fosse de madeira pior ainda.
Faltava o nome, chamei o Gambirinha para ver: “é ele, sim confere, é aquele da estrada lá da Bahia” Aí, tava o nome CONFERE. Não conferiu apenas na origem, conferiu na qualidade e nas performances na roda. Pós Casinha, estava sem curió de ponta, ele preencheu o espaço pois cantava sempre para cabeça. Foi campeão do Brasil Central em 88 e Vice Campeão Brasileiro, só perdeu na classificação para o Trovoada do Marlon do Rio.
Lembro-me bem de algumas passagens, ganhou o torneio do Césio 157 em Goiânia, quando muitos ficaram com medo de dormir na cidade. Eu, ficava rindo de tanta bobeira, pareciam crianças, acreditando em assombração. Achavam que não podiam beber água, comer ou dormir em qualquer lugar da cidade, estava tudo contaminado, sic. Quase todos, menos eu só vieram no domingo. Estavam lá duas feras o Trovoada e o Corrupto que foram
batidos, neste dia pelo CONFERE e devidamente preparado desde sábado, sem precisar viajar de madrugada.
A outra, era a vontade de ganhar o primeiro torneio realizado na ACPB em 1988, clube havíamos criado, com muita luta a sede própria e condizente para realizar torneios de fibra e canto. Fizemos um esforço danado para realizar o torneio naquela sede e conseguimos. Queríamos ganhar a fibra curió, mas não deu certo, Trovoada (um show de curió) ganhou, o CONFERE ficou em segundo, cantou muito mas não deu. Neste mesmo ano, em Ribeirão Preto ficou em segundo lugar, empatado com outro curió da Lagopas o Cintila. Muito interessante nesse dia, foram quatro curiós da Lagopas entre os cinco primeiros, menos o primeiro lugar: Confere, Cintila, Carreta e Conserva.
Com essas e outras despertou a atenção de muitos. Depois da muda em 89, passei na Vice-Versa do amigo Celso Neves e ele me propôs: “me cede aquele teu curió, te dou o Calunga por ele e te volto o que é de direito”. Fiquei, calado e estupefato por alguns momentos. Sabia que o Calunga tinha muito mais volume mas estava desacertado porque a fêmea tinha morrido. Pensei “acertar ele com aquela minha fêmea é mole” Fizemos o negócio imediatamente, fui buscar o CONFERE (dei a fêmea certa, e avisei tem algum medo de estaca tem que ter cuidado ao colocar). A viagem que começou mal, estava se encaminhando para ter um final feliz, estava com o extraordinário Calunga na mão.
O amigo, não teve o cuidado devido com o CONFERE, o primeiro torneio era Goiânia, estaca de madeira. Não quis saber, colocou na estaca de qualquer jeito e deixou ele se bater, desacertou de vez; “Aloísio, sê me matou, num quento isso não”. Mas logo depois, num torneio em Cuiabá MT, foi o melhor colocado de Brasília, provou que mesmo fora de forma conferia. A paciência do Celso foi pouca, passou para o Rio e lá ele desapareceu. Também, não deixou filhotes, uma pena. Me lembro bem dele com muito carinho, só cantava pra cabeça, era um ótimo curió, recompensou e salvou a viagem maluca a Bahia.
Aloísio Pacini Tostes
Bonfim Paulista – Ribeirão Preto SP
Multiplicar para Conservar
www.lagopas.com.br




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