PRINCIPAL NOTÍCIAS LINKS FORUM DOWNLOAD CONTATO
  
   Bem vindo, visitante!    Login  
Menu


Publicidade

(1) 2 3 4 ... 12 »
Coleiros e Trincas :  ACAP-ES INÍCIO TEMPORADA DE TRINCA FERROS 2014
Enviado por jlouzada em 04/07/2014 15:40:00 (100 leituras)

A ACAP-ES comunica o início da temporada de trinca ferros 2014 a partir do próximo sábado dia 05/07/2014.
Desde já agradece a participação de todos.

Comentários?
Coleiros e Trincas : ANILHAS CAPRI
Enviado por jlouzada em 29/05/2014 23:14:26 (100 leituras)

Anilhas SISPASS/CAPRI



Prezado Criador Amador,

Verificamos que não foi solicitado todo o seu limite de anilhas para temporada.

Informamos que está chegando ao fim o prazo para solicitação do seu limite de anilhas para a temporada de criação 2013 que vai até 31/07/2014.

Caso seja solicitada anilha na temporada 2013 e não seja utilizada, elas poderão serem utilizada nas proximas temporadas de criação, e você ainda terá a renovado o seu limite de anilhas em 31/07/2014 para mais 35 anilhas conforme a IN10.

Adiante o seu pedido de anilhas para não perder o limite de anilhas para temporada.

Para conseguir fazer seu pedido de anilhas clique no link abaixo:

http://www.anilhascapri.com.br/siscapri.htm

Caso tenha alguma duvida a equipe Anilhas Capri fica a disposição para esclarece-la.

F: (11) 3076-7878

atendimento@anilhascapri.com.br

Anilhas Capri

Boa Criação!!!!

Comentários?
Coleiros e Trincas : AMANTES DE CURIÓ - ESPECIAL
Enviado por jlouzada em 17/05/2014 00:15:37 (155 leituras)

Amantes de Curió – Especial

https://www.youtube.com/watch?v=QpnwM1guqEE&list=UUIw94HBD5Gkbxl1_-izJN-Q

Muita gente havia me pedido o trabalho que se originou naquele CD “Cinquenta Anos de Curió’ que fizemos há cerca de quinze anos e que já serviu para conservar a maioria e os mais importantes dialetos que temos. Resolvemos, então, efetuar este trabalho em vídeo para repassar aos amantes do curió o acervo que na realidade pertence a todos aqueles que admiram o canto desse maravilhoso pássaro das Américas e que consegue produzir diferentes sons conforme o ambiente que vive.

Utilizamos a nomenclatura a partir de informações que tínhamos e que podem de repente não ser a mais adequada. Estamos há anos compilando os dialetos, uns de altíssima sonoridade, outros nem tanto. Há, logicamente muitos destaques mas que tiveram o tratamento igual, pois a idéia maior é a divulgação equivalente de todos. Infelizmente, perdemos muitos mas ainda bem que deu para juntar esses aí num só arquivo e dar conhecimento amplo aos interessados.

Abraços

Aloísio Pacini Tostes

www.lagopas.com.br

Comentários?
Coleiros e Trincas : PEDIDO DE ANILHAS
Enviado por jlouzada em 12/05/2014 23:23:56 (97 leituras)




Anilhas SISPASS/CAPRI


Prezado Criador Amador,

Informamos que o tempo limite para solicitação de anilhas para temporada de criação 2013/2014 vai até 31/07/2014. Verificamos nos cadastros, que vários criadores ainda não solicitaram anilhas para o período de criação.
Não perca o prazo para solicitação de anilhas, adiante o seu pedido agora mesmo.
Para conseguir fazer seu pedido de anilhas clique no link abaixo:
http://www.anilhascapri.com.br/siscapri.htm
Caso tenha alguma duvida a equipe Anilhas Capri fica a disposição para esclarece-la.
F: (11) 3076-7878
atendimento@anilhascapri.com.br
Anilhas Capri
Boa Criação!!!!


Comentários?
Coleiros e Trincas : A estória do BROTERO
Enviado por jlouzada em 02/05/2014 23:20:00 (363 leituras)

BROTERO – Morando em Brasília, em 1981 de manhã em horário de expediente, recebi um telefonema, do Galego que queria falar comigo pessoalmente de forma urgente. Estava trabalhando, mas mesmo assim saí em disparada pensado ser um problema de saúde, ou um desentendimento em família e que poderia de alguma forma ajudá-lo. Ele morava em Taguatinga DF, bem longe de onde estava, mas naquela época não havia trânsito forte e radar, rsss. Cheguei rapidinho, cheio de gente e numa sexta feira, estranho demais. Qual não foi minha surpresa quando o saudoso Galego disse: “não é nada não, é só uma coisa que quero te mostrar” Fiquei assim, meio tonto, sem entender direito. Em seguida entrou em sua casa e saiu com uma gaiola bonita e um bicudo maracajá dentro. Pendurou o bicho numa das estacas que lá havia e balbuciou: “veja isso aí, vais cair duro, é um brotinho”. De repente, o bicudinho começou a cantar o Canto Goiano Clássico (CGC) com todas as notas, repetindo entre dez a quinze cantos. A maviosidade de seu canto, a voz era de estontear, parecia que estava diante de uma virtuose da música, e era mesmo. Aí, realmente perdi a fala, uma loucura total, pura fascinação. Me aproximei, ele batia fogo, dava “quem-quem”, cheio de penas pardas, tinha o bico rajado e cabeça bem chata, cara de guerreiro. “E aí, gostou”? Dizia ele. Esperei um pouco, respirei fundo, respondi: “lógico, quanto é? Ele veio com a ladainha: “olha reservei para ti, te chamei porque tem muita gente que ficou interessada, me oferecendo isso e aquilo, mas só tem duas pessoas que passarei, ou tu ou o Ataliba que vai chegar aqui daqui um pouco. Resolves logo porque senão vai para ele, faço qualquer negócio contigo, me dá um bicudo e o que é de direito de volta”. Realmente percebi que ele tinha grande apreço por mim, pois estava facilitando a transação. Foi bicudo, curió, uma espingarda, gaiolas, rádio, ferramentas, filhote de cachorro e uma pequena quantia em dinheiro. Fizemos o negócio, de brotinho virou BROTERO na hora. Encapei o bicho e fiquei por ali mais um pouquinho e todo o pessoal me cumprimentando, todos dizendo: “fizeste um negocião, este bicudo só vai te dar alegria”.
Já ia embora quando chegou o Ataliba, perguntando: “Galego, cadê o material que ias me mostrar”. “Tá aí”, respondeu ele apontando para mim. “É amigo, peguei o bicho”. E ele: “Deixa-me ouvir ele cantar”. Desencapei e pendurei novamente na estaca. Foi aquele show: tremendo as asas, abriu com catorze cantos e depois nove, e depois doze, sem errar uma nota. Fiquei trêmulo, e todos espantados com a performance. Realmente, de admirar. Brincando falei para o Galego: “arruma outro pra ele”, riso geral. Ficou tudo bem, havia um apreço recíproco em mim e Ataliba. Mas o prazer, naquele momento, foi quase sexual, rssss Alguns dias depois, voltei lá e perguntei ao Galego sobre a estória dele: “Maciel é que sabe direito, diga aí”. O amigo Maciel que estava presente: “olha, ele veio lá de Brasilinha, divisa do DF com Goiás pra lá de Planaltina do DF. Já cantava assim desde pardinho, não teve professor, até porque é difícil alguém ter um bicudo de canto tão perfeito como esse”. Senti firmeza no relato porque havia a referências de vários bicudeiros daquele tempo que o CGC provinha daquela região entre Brasília e Formosa, passando pelas duas Planaltina do DF e de Goiás. Confirmado havia também informações efetivas sobre outros bicudos antigos oriundos daquelas cercanias, tais como: Brioso, Bicolor, Bolsinha, Melodia, Geladeira e mais uma porção deles. Eram poucos, localizados, porém volta e meia se via outros CGC inclusive nas rodas de fibra. Esses também emitiam notas invertidas parecidas com as chamadas “alteadas” do canto praia grande de curió. Sabia também que aquele bicudinho deveria ser um dos últimos com aquele tipo de dialeto. O estrago já estava feito anteriormente, poucos tinham preocupação com a questão ambiental, supunham que os recursos naturais eram inesgotáveis. Dessa época para frente é que se iniciou com força a reprodução doméstica de bicudos e que se pode ao contrário da ameaça que estava sofrendo para efetivamente livrá-lo da extinção. Bom lembrar que não havia domínio sobre o manejo de reprodução ex situ de pássaros nativos e mesmo a prática.
Batia a informação, era sabido, só bicudos oriundos dessas região tinham uma característica vocal ímpar: dar “alteada”. Uma raridade, um melindre, uma dádiva para os aficionados de canto de bicudo. Hoje se sabe que elas fazem parte de um bloco de notas: “gam-kem-tim-tim- tó-ki-tó”. Explicando melhor: para emitir a alteada “Tim-Tim” (um agudo forte) ele tem que fazer a preparação em grave “Gam-Kem” e depois a saída em “Tó-Ki-Tó”. O Brotero dá um Ki a mais que o exigido. Se observarmos o sonograma vamos perceber que são as duas únicas notas subindo (de baixo para cima no quadro), invertidas, vão do grave para o agudo ao contrário de todas as outras. Esse é o charme e o grande grau de dificuldade. Havia também muitos que chamávamos de Goiano Liso (bem mais comuns), que seriam do outro lado da região de Brasília indo para o lado de Anápolis GO, de onde veio o Dois de Ouro, o Africano, Bereco e muitos outros que cantavam parecido. Estava acostumado com o canto dito “Corrido” que havia em Uberaba semelhante ao de Ribeirão. Podemos afirmar, então que se extrairmos o bloco da alteada do CGC ele ficará parecidíssimo com qualquer um desses cantos que aqui referimos. As demais notas são praticamente idênticas diferem pouco. É só fazer montar um sonograma e comparar o gráfico das notas e evidenciar suas semelhanças. Voltando a falar do Brotero, em casa lá no Lago Norte, tinha a companhia de Batuque que cantava bem parecido com diferença na entrada de canto, na voz, entonação e na saída da Alteada o Ki a mais. Ficaram juntos por três anos. Um segurava o canto do outro. No início, comecei a andar com o Brotero mais para mostrar aos companheiros e para ouvi-lo cantar, porque não aprontou devidamente para roda que era a intenção final. Custei para conseguir acasalá-lo, demorou para aceitar fêmea. Enquanto isso, passei a levá-lo em torneios de canto, que estavam sendo implantados naquele tempo. Em quase todos sempre na cabeça, também com aquele canto lindo e repetindo, era demais. Só restou uma grande mágoa num torneio em
Campinas SP ele se apresentou como nunca, repetiu e deu o verdadeiro show foi aplaudido mas ficou classificado em terceiro lugar, num torneio de canto cheio de bicudo dando defeitos e tudo o mais. Uma coisa de louco. Fiquei igual uma onça de brabo e não o trouxe mais por esses lados. Por essas e outras, nunca fui muito fã em participar em torneios de canto. Infelizmente há muita subjetividade e isso prejudica a justiça nos resultados. Por isso é sempre foi motivo de muitos desentendimentos entre os expositores, há de se encontrar uma forma de resolver essa complicada questão para se promover efetivo estímulo aos cultivadores de qualidade de canto. Fiquei com o dilema o canto diferenciado do Brotero, mas continuava com a intenção de colocá-lo na roda. O achava muito novo, por isso não estava forçando a situação. Como treinamento o levava de um lado para o outro, afim de que ele se acostumasse a viajar. Todavia, houve um fato que alterou o encaminhamento referente escolha da modalidade de participação do campeão. Dizem que as coisas não acontecem por acaso. Pois é, um dia o levei a um treino na antiga sede da ACPB na 907 Sul. Coloquei Brotero na roda de fibra, ele cantou durante duas horas seguidas sem ir no cocho, um verdadeiro show. Aí aconteceu um fato que gerou a preservação do CGC. Estava por lá o amigo Paulo Borges que observando a roda chegou perto de mim e disse: “Aloísio, você não devia colocar esse bicudo em rodas de fibra, já observou que não há mais bicudos com esse tipo de canto, agora é só esse canto comum Goiano (Liso) e esses “Tchau-Tchau” que estão aí, só os seus é que cantam assim, você tem que gravá-los”. Fiquei espantado e argumentei: “isso não tem jeito, não dá certo”. Aí, o amigo Alberto Santos Marques o Betão, que também estava perto interferiu: “como não, tem, o Luis do Brasília Radio Center que dá um jeito nisso ele tem um estúdio e sabe tudo de gravação”. Fiquei espantado, pensei será? “Vamos ligar agora para ele”, Afirmou Betão. E assim fizemos, ligamos de imediato para o Luis, ele atendeu e disse no ato: “que isso, podemos sim fazer e fica bom, já gravei pássaros e vamos aceitar esse desafio juntos”. Atônito, fiquei animado e comecei a raciocinar: se não fizer a gravação, será o fim deste canto com alteada porque só o amigo Ataliba é que possui ainda o Bolsinha e outro. Seria a extinção total. Realmente, havia uma preocupação muito grande quanto a ele estragar o canto, perder a alteada ou começar a dar “tchau-tchau”. De uma nota para duas era só o tempo passar o risco era grande. Os bicudos que estavam chegando de fora em sua maioria davam esse defeito. Uma verdadeira praga, um som dissonante.
Daí, marquei com Luis e começamos o processo de gravação. O fizemos com alguma dificuldade por causa do local do estúdio, muito escuro e desajeitado para um pássaro lá cantar com desenvoltura. Queríamos um local externo para gravar naquele tempo era quase muito custoso e teria que levar uma parafernália muito grande, tinha que ser no estúdio mesmo. Ia para o local de madrugada para evitar o ruído do trânsito, um grande sacrifício. Levamos cerca de seis meses para concluir a gravação primeiro do Batuque e logo do Brotero, em fitas de rolo da melhor qualidade importadas e não dava para fazer edição com a facilidade que se tem hoje nos meios eletrônicos. Naquela época, há 30 anos atrás, era meio físico sem qualquer ajuda tecnológica, volume, reverbe, ruídos eram complicômetros difíceis de serem contornados. O custo altíssimo, mas conseguimos e as produções estão aí, preservando o CGC. Suponho que hoje todos os que existem vieram dessas duas produções que fizemos. A nossa maior alegria é que está sendo motivo e estímulo a um grande número de criadores a produzirem bicudos em ambientes controlados. Cada um que canta o dialeto me emociona, sentimos um ponta de orgulho e de satisfação. Enquanto isso, a fama do Brotero se irradiou por todos os lados, quem o ouvia ficava deslumbrado em qualquer oportunidade, por isso logo despertou o interesse em muitos. Começaram então a surgir propostas de todos os lados. Resisti, tinha uma grande inteiração e um carinho absurdo com ele. No entanto, tinha resolvido a não colocá-lo na roda, com aquela excelência de canto e repetição, seria um crime. E assim foi até que houve uma grande insistência, foram quase um mês de ligações duas a três todos os dias. Não aguentava mais, até que em 84 aceitei passa- lo para o amigo Antonio Carlos Carone de Belo Horizonte MG. Não teve jeito ele quase me deixa doido. Prometeu que iria cuidar dele da melhor forma e que iria morar em sua suíte junto com a sua feminha. O estimado Carone andou levando Brotero em vários torneios, onde foi ganhou com sobras, inclusive no Estado de São Paulo. Ele falava grosso e se impunha pela sua simpatia e persuasão. Brotero, com aquela repetição e a maviosidade no canto, e a voz era para arrasar. Passado algum tempo haveria um torneio em Uberaba, estava lá o campeão. Larguei a roda e fui correndo para ver a apresentação. Aconteceu o que tanto temia, ele havia perdido a alteada. Deu um show, repetiu, foi aplaudido efusivamente por todos. Menos por mim, fiquei amargurado.
Hoje me arrependo de ter tido a reação que tive. Cheguei perto do estimado Carone, já em outro plano, e disse: “você estragou o bicudo, agora virou um canto comum, sem alteada, eu te avisei para não deixar ele perto dos outros”. Ele retrucou “você acha que só os seus é que prestam, agora que ele não é mais seu vem me dizer isso”. Lamentável, ficamos com as relações estremecidas por algum tempo. Devia ter me contido, pois era evidente que aquilo iria acontecer. Carone tinha um monte de bicudos de canto, cada um melhor do que o outro, fazia questão de qualidade. Mesmo assim, Brotero era o seu destaque, todos reconheciam. E assim foi durante algum tempo, até que vem a péssima notícia. Um gavião comeu o campeão. Mas como? Veio a explicação: “fui tomar banho e o coloquei para tomar sol na janela de meu quarto, de repente, veio um gavião e o pegou na gaiola e deixou só a cabeça, quase morri junto, foi um duro momento de minha vida, entrei em depressão por muitos dias”. O que fazer foi uma fatalidade, tivemos que aceitar. Passados alguns anos escrevi ao Carone, dizendo que me arrependia da atitude lá em Uberaba e que se Brotero havia servido para estreitar nossa amizade ele não poderia de forma alguma ser motivo para o afastamento recíproco. Ele entendeu e me perdoou, voltamos à boa. E mantivemos, afinal, muitos contatos amistosos e respeitosos. Essa foi a estória do excelente bicudo Brotero, que infelizmente não deixou descendentes, pois não era prática à época. No entanto, graças ao alerta do amigo Paulo Borges, deixamos o seu canto goiano clássico, um presente que a natureza nos deu, registrado em gravação que fizemos em 1982, conforme link abaixo. Produção essa que imortalizou a maviosidade de seu canto e a inconfundível voz entre nós amantes e conservadores dessa extraordinária ave, o bicudo. https://www.youtube.com/watch?v=DZTWWvXYhi4&list=UUIw94HBD5Gkbxl1_-izJN-Q
Aloísio Pacini Tostes Bonfim Paulista – Ribeirão Preto SP Multiplicar para Conservar www.lagopas.com.br

Comentários?
Coleiros e Trincas :  TESOURINHA - Nasceu a Paixão
Enviado por jlouzada em 22/04/2014 23:00:00 (115 leituras)

TESOURINHA – Em 1957, mudamos de Ribeirão Preto para Uberaba MG, minha mãe resolveu estudar Pedagogia e lá havia a respectiva faculdade. Já gostava demais de todo tipo de passarinho, mas os meus eram somente coleirinhas e canários da terra. Volta e meia, ficava intrigado porque havia o Dr. Rocha que morava perto de casa e andava com um pássaro esquisito com a gaiola na palma da mão, subindo e descendo a rua Silva Jardim, e ele cantava muito bonito e alto.
Um dia, perguntei: Dr. esse bicho é muito caro? Respondeu: Ah, menino isso é um bicudo e não é pássaro pro cê, é muito caro e difícil, mexa com canário!!! É fiquei na minha e pensando: “realmente não tenho um vintém no bolso como querer um bicudo, isso é só pra Dr.” Daí, comecei por curiosidade a perguntar para alguns passarinheiros sobre o bicudo. Cada um ressaltava mais ainda: é bicho caro, só quem tem muito dinheiro pode ter um, se tiver com intenção de ter um tire da tua cabeça”. Realmente, tirei da cabeça, mas não do coração.
Passado um tempo, já estava eu com 14 anos em 1958, quando sentado em carteira na sala de aula no Colégio Diocesano em Uberaba MG, escutei um “buchicho” atrás de mim falando em “bicudo”. Perguntei “tão falando daquele passarinho preto do bico branco?”. “É sim, dizia um outro colega: “Paulinho tem um que é fera, né Paulo!!”. “É meu bicudo é muito bom, domingo tem um torneio aqui e ele vai ganhar!!!” Quer ir lá em casa para ver o bicho? Fiquei meio estupefato e admirado. Bicudo para mim, era que nem um caviar “só vi, só ouvi e não é pra ti, já dizia o Dr Rocha”.
Então, naquele momento, para minha surpresa o Paulo Borges meu colega de classe, – embora ele já tivesse 19 anos – vejam só, era uma pessoa que tinha “bicudo” e era muito simpático e afável. Até que enfim poderia sentir um bicudo de perto. No mesmo dia, fui até a casa dele para ver seus bicudos. Nascia uma grande amizade, embora ele tenha me tomado o Carequinha uma belo canário que tinha em troca de um “cheba”. Tudo bem, ele era mais velho, tive que pagar esse “mico”, rssss. Muito tempo depois teve acerto.
Havia lá uns cinco bicudos, entre eles um tal TESOURINHA, o deslumbramento foi total, perdi até a fala diante de um bicudo daquele naipe. Em seguida ele me narrou a estória dele. “O João Botica, o havia pegado na Água Limpa um povoado perto da cidade – hoje é zona urbana e nome de avenida em Uberaba - lá havia um brejo com bicudos que cantavam o Suim-Suim. Passou seis anos na casa dele, que tinha outro bicudo o Fuzil do qual o Tesourinha tinha respeito. Lá ele não tinha fogo, respeitando o bicudo véio. Cantava muito mas piava mole e não abria”.
Paulo Borges, com ajuda do amigo Onofre, percebendo que o bicho era diferenciado, o pegou. Continuando a descrição: “assim que foi chegando em casa ele, sem sentir mais o canto do Fuzil, já começou a trincar de fogo. Subindo a escada passou a voar aprumado. Em dez minutos, começou a dar “quem-quem” e ficar ereto em posição de atenção. A flor estava desabrochando!!!!” Seu canto, maravilhoso, o que havia de melhor à época denominado o “Suim-Suim”. Além de cantar bonito, ele era repetidor e dividia o canto no “cocotil”. Uma beleza total. Seu nome TESOURINHA foi posto porque estragava ponta do rabo de um lado, parecendo que havia sido cortado por uma tesoura. Além disso, não entrava na banheira.
Pouquíssimo tempo depois de adquirido, seria o Torneio de Uberaba onde afluíam criadores de Ribeirão Preto, Franca e Barretos, em especial. Paulo, continuou me contando: “resolveu levá-lo depois de ter se apresentado bem num pequeno treino que havia feito durante a semana. Ganhou o torneio, para espanto geral de todos. O João Botica quase morre do coração, seu Fuzil não cantava na roda.” Começou aí a carreira incrível do campeão.
Voltando então, ao episódio do meu primeiro contato com o Tesourinha na casa de Paulo, dali para a frente passei a acompanhar e a compartilhar as performances do campeão. Passei a ajudar levar os bichos ao brejo de uma forma bem interessante: para levar quatro bicudos utilizávamos dois bambus compridos escorados nos ombros com um deles em cada ponta. Era até engraçado mas ajudava a não irritá-los demais. Logicamente toda atenção era dedicada ao Tesourinha.
Na semana seguinte para minha alegria, seria o Torneio de Uberaba, nunca tinha visto um. Fui para casa do Paulo de madrugada, naquela época os torneios se iniciavam às seis horas da manhã. Dezenas de bicudos, vindos de todos os cantos, para mim uma loucura total, fiquei maravilhado. Mas já percebi o “frisson” dos criadores: cadê o Tesourinha; nossa ele está aí; estamos perdidos ele está aí” e assim por diante. Neste dia conheci o saudoso amigo o simpaticíssimo Roberto Benedetti de Ribeirão Preto, ele era o líder e o organizador dos torneios. Queria ver o Tesourinha antes de iniciar a roda, Paulo o colocou em cima do carro, o bicho danou a repetir e voar de lado para o outro, sensacional.
Daí, um pouco o torneio, um verdadeiro show Tesourinha não parava de cantar, as vezes no gogó, daí a pouco esguelhado e assim em diante. A marcação da final era por meia hora, encheu a ficha e não dava para marcar mais. Realmente demais. Uma festa danada em comemoração, se serviam chopps, pasteizinhos e salgadinhos no final, era costume. Desse dia em diante nasceu minha grande paixão por bicudos. Passei a me sentir um pouco o dono do Tesourinha por causa da amizade de irmãos que fiz com o Paulo.
E assim foi, naquele ano Tesourinha ganhou todos os torneios. Franca, Ribeirão, Uberaba, só em Barretos que foi segundo porque ficou um tanto espantado com as árvores em volta da roda. Lembrar que as viagens naquele tempo eram complicadíssimas, quando não era poeira demais, quando chovia vinham os atoleiros, sem dizer dos autos que eram verdadeiras carroças. Tinha que levar os bicudos no colo, os solavancos eram muitos. Para Franca de trem, Maria Fumaça chacoalhando de um lado para o outro e o bicudo na mão. Sofrimento misturado com diversão, rsss
No ano 60 as coisas complicaram, o Paulo mudou-se para Ouro Preto MG para estudar e eu sofri um grave acidente no “Pasto do Pereira”, perdi uma vista e só não morri porque não era hora e também pelas ajudas de todos os lados, da família, do saudoso Dr. Guerra, espiritual de Chico Xavier e da necessária interveniência Divina. A tristeza era grande, sem o amigo Paulo e sem ver o Tesourinha que ficou algum tempo amoitado em casa.
Paulo, para Ouro Preto e eu com a minha família de volta para Ribeirão Preto. Notícias quase nenhuma, naquele tempo não havia a facilidade de hoje para comunicação. Só via carta, nada de contato. Até que através de bicudeiros de Ribeirão que já havia conhecido soube que o Tesourinha estava em Goiânia com um senhor por nome de Fião. Estive em seguida no torneio de Ribeirão, onde encontrei o Roberto Potoca, falando pelos cotovelos dizendo que o Tesourinha tinha virado vaca e que era um bicudo corrido.
Estranhei demais, e corri para perguntar ao pessoal de Uberaba, o que era aquilo. Deram- me uma explicação meia truncada mas tinha algum sentido: “O Fião havia comprado o campeão e um tal de Louquinho de Brasília que estava no auge e o Tesourinha não havia se adaptado com a nova mexida e estranhado muito o local e assim não estava aprontando bem para roda. Fiquei deveras chateado com a notícia “não é possível, isso é demais, balbuciava”.
Soube que o Paulo Borges também ficou revoltado com a informação. Os criadores de Uberaba mais amigos também. Isso tudo, fez com que estimado Geraldo Fidélis, dono do Hotel Regina, fizesse um esforço muito grande para trazer Tesourinha de volta para Uberaba. Ainda bem, voltou e chegou com tudo logo retomando a forma e passando agora a ganhar torneios novamente.
O tempo passou, mudei para Santo André SP em 63, passei ter muitas dificuldades a ir a torneios porque tinha que vir de ônibus para Ribeirão para depois com os companheiros daqui viajar para os locais dos eventos. O companheiro que mais me deu carona foi o amigão já falecido Luis Andrade. No entanto, ficava sempre interessado e acompanhando o desempenho do Tesourinha, sempre em alto nível.
Foi assim até que num torneio em Barretos, ano de 66, Geraldo me chama para ver o Tesourinha lá no quarto do hotel. Quando entrei tive um susto, o bicho estava “grosso” e amuado. Hoje sei que pela aparência era um alto grau de coccidiose, infelizmente. Ele me disse: “quer ficar com ele”. Chorei de tanta emoção, mas me contive. Fui para o meu quarto e não sai mais naquele dia, amargurado que estava. Ninguém sabia lidar com essa doença naquele tempo. Pressenti que ele iria à óbito de forma iminente. Dito e feito dali alguns dias o campeoníssimo morreu.
O canto Suim-suim também extinto. Havia dezenas de bicudos com este canto, mas ninguém se preocupou em conservar. Os bicudos silvestres morreram, não se tirou filhotes, uma grande perda em todos os sentidos. A verdade é que não se vislumbrava nenhuma ação que se poderia fazer para preservar. Reproduzir não dava certo, era o sofisma que todos acreditavam. O pior é que a mesma situação ocorria em Franca, Barretos, e Ribeirão, os berços, para nós, dos bons bicudos de fibra e de canto. Estávamos naquela época num grande dilema. O que faríamos, não se sabia direito qual a direção tomar.
Soube, então que Paulo Borges mudou-se para Santo André logo depois que de lá sai, uma pena. E assim foi. De novo para Ribeirão Preto em 68, participei em alguns torneios e dei
uma parada de mexer com bicudos. Mudei para Brasília em 73, o tempo se passou quando já na década de 80 estava num super mercado e avistei o Paulo Borges por lá fazendo compras. Assustado, perguntei: “o que estás fazendo aqui?? Respondeu: “Estou morando em Brasília” !!! Ora que bom, vamos retomar nosso convívio!!” E assim foi. Ele com muitos bicudos e eu também. Depois me arrumou o Bicudo Paiakan para tirar filhotes resgatando a questão do canário Carequinha, daí esqueci completamente a “manta” que havia levado, rsss.
Numa visita em sua casa, lá no Lago Sul e conversando sobre o Tesourinha, comentamos: “Paulo, lembra que na época do torneio de 58 lá em Uberaba tocava na Rádio o canto dele e que o locutor falava”: “povo de Uberaba, domingo haverá o Torneio de Canto de bicudos na Exposição, todos estão convidados a entrada é de graça”. Paulo disse: é verdade, essa gravação está com o Geraldo e guardada em seu cofre. Na mesma hora ligamos e houve a confirmação a fita existia.
Ficamos felizes, sem muito esforço o amigo Geraldo nos disponibilizou a gravação. Só que quando vimos fita toda se desmanchando sentimos que seria difícil recuperar o som. Pensamos, pensamos até que surgiu a ideia de ir a Radio Nacional de Brasília. Fomos lá numa noite e por muito tempo, com a ajuda de um técnico de muito boa vontade conseguimos ir recompondo o canto emendando pedaços da fita com o módulo de entrada e o de repetição.
Depois disso, com alguma dificuldade mas bem orientados fomos aos poucos conseguindo editar e montar o canto original tal qual ele cantava para finalmente obter as frases do canto Suim-Suim Uberaba do Tesourinha originário da Água Limpa. Uma vitória que muito comemoramos, foi uma grande festa regada até a champanhe.
Para completar nosso trabalho de resgate, com o auxílio do amigo João Salles oferecemos e entregamos em meio magnético ao então prefeito de Uberaba a gravação do canto do Tesourinha que está guardada no acervo histórico da cidade. Recentemente disponibilizamos também no “you-tube” para que os interessados possam ouvir e cultivar o canto do grande campeão. Ele se foi, não deixou filhos mas deixou, uma grande amizade, muitas saudades e por nossa sorte seu melodioso canto preservado.
https://www.youtube.com/watch?
Aloísio Pacini Tostes
Bonfim Paulista – Ribeirão Preto SP
Multiplicar para Conservar
www.lagopas.com.br



CONFERE CONFERIU


CONFERE – Em 1986, recebi uma ligação de Nazaré das Farinhas BA, havia um curió super repetidor por lá e o dono resolveu me oferecer. Ouvi o bicho pelo telefone, era um Vi-te-téu de 30/40 repetições. Fechamos o negócio. Como estava chegando minhas férias, combinei com ele que dentro de uns dez dias iria buscar e levaria o numerário em dinheiro, na mão.
E assim fiz, chamei os amigos Walter Peba e Roberval Gambirinha e fomos viajar 1.400 kms só para lá chegar, numa veraneio à gasolina. Foram quase 4.000 kms viajados, ida e volta. Tudo para buscar um só curió, coisa de doido. Saímos de Brasília DF, viajamos dois dias, passamos no tal “Morro do Pai Inácio” de noite, um “cagaço danado” de repente um vento frio, senti calafrios, uma escuridão esquisita e apavorante. Parecia que estávamos chegando num lugar mal assombrado. Nesta viagem aconteceram muitas outras coisas estranhas. Algumas até inconfessáveis. Posso até contar no particular, mas escrever jamais, rsss.
Bom, depois de todo esse esforço, lá chegando o “home” nos disse: “o senhor é o sô Aloísio, pensei que não vinhas, vendi o curió ontem para um cabra de Salvador”. Respondi “o senhor está brincando, não é verdade”. Mas era verdade, não estava mais com o bicho. Levei um balde de água fria, me senti um idiota. Relutei um pouco, porém bom cabrito não berra, o que fazer. Veio a intuição: “fique frio, há males que vem pra bem”. Mesmo assim, por indicação dele adquiri até bem mais barato de um vizinho um “pintão” muito repetidor também, mas que nunca cantou em Brasília, dei de presente para um amigo de Santa Catarina.
Emburrei, travei e perdi o entusiasmo. Disse aos companheiros, não quero nem ver mais curió para comprar. Se vocês quiserem, vamos passear por aí, só vou “andar à toa”. E assim foi. De lá para Itabuna, Porto Seguro e depois subimos para Salvador, não sem antes comprar bastante farinha “da boa”, em Nazaré.
Vi muitos bons curiós pelo caminho, mas sem o mínimo interesse. No entanto, gostei de um em Itabuna que o dono estava tentando esconder, quando escutei o bicho cantando e repetindo dentro de casa. Disse ao Gambirinha: “o que é bom tá guardado e apontei pra dentro da casa, rsss”. Aí, não teve jeito, ele adquiriu o curió que estava amoitado. Em seguida, pegamos o caminho de Salvador. De repente, da estrada vimos umas gaiolas penduradas numa casa.
Com os Baianos, não tem muito “lero-lero”, “esse é de Painho, mas é tanto”. Vi um curió, também lindo, cantando rápido naquele canto gemido: “til-til-rém-rem” o famoso “Baiano Gemedor”, canto mais feio é difícil. Cantoria que era comum no litoral sul baiano. Mas quem gosta de roda não se importa com isso. O bicho tem é que cantar muito e retomar
rápido. Gostei demais, mas me contive. Falei Gambirinha: “vai fundo que este é bom, não tem erro”. Deu certo, ele pegou o curió.
Dali, fomos para Salvador, atravessamos de balsa a ilha de Itaparica, teve gente tão bêbada que supunha que estávamos num estacionamento durante a travessia, rsss. Lá chegando, comemos Acarajé “bem quente”, menos eu. Ficamos duas noites em Dias D’ávila. Ganhei um curió e o trouxe, cantador mas não se destacou. De lá passando ainda em Barreiras, com o Gaguinho arrumei um bicudo espetacular, o Bateria. Enfim voltamos para Brasília depois de uns dez dias, ufa!!!
Boa viagem, me senti, um tanto chateado mas recompensado pelo Bateria. Alguma coisa continuava a me dizer que tudo iria terminar da melhor qualidade. No mais, é só lembrar das passagens e dar muitas risadas. Que foram momentos muito divertidos foram. Logo em seguida peguei o curió repetidor de Itabuna, aquele “amoitado”. Era realmente fantástico, tinha um belíssimo futuro, inclusive na roda. Era rápido, com boa retomada. Mas, infelizmente veio à óbito de repente, não deu tempo para salvá-lo.
Passado um ano mais ou menos, fui a uma periferia de Brasília. Um cabra havia me oferecido um curió que dizia cantador, valente e muito bom. Fui lá, num sábado de manhã e qual não foi a minha surpresa. Era aquele que estava na casa da estrada, rodou por vários criadores até parar naquele lugar. Peguei o bicho e levei para casa, feliz da vida. Que sorte, por pura casualidade veio parar na minha mão.
Lá chegando, coloquei uma fêmea do lado e ele começou a cantar feito louco: “Til- til-rém-rém”, chiando rato uma fêmea de “quem-quem” linda do bico branco. A paixão foi recíproca e imediata. Tanto que levei ele no treino no outro dia e já se apresentou a contento. Percebi, no entanto, que ele tinha medo de estaca, se fosse de madeira pior ainda.
Faltava o nome, chamei o Gambirinha para ver: “é ele, sim confere, é aquele da estrada lá da Bahia” Aí, tava o nome CONFERE. Não conferiu apenas na origem, conferiu na qualidade e nas performances na roda. Pós Casinha, estava sem curió de ponta, ele preencheu o espaço pois cantava sempre para cabeça. Foi campeão do Brasil Central em 88 e Vice Campeão Brasileiro, só perdeu na classificação para o Trovoada do Marlon do Rio.
Lembro-me bem de algumas passagens, ganhou o torneio do Césio 157 em Goiânia, quando muitos ficaram com medo de dormir na cidade. Eu, ficava rindo de tanta bobeira, pareciam crianças, acreditando em assombração. Achavam que não podiam beber água, comer ou dormir em qualquer lugar da cidade, estava tudo contaminado, sic. Quase todos, menos eu só vieram no domingo. Estavam lá duas feras o Trovoada e o Corrupto que foram
batidos, neste dia pelo CONFERE e devidamente preparado desde sábado, sem precisar viajar de madrugada.
A outra, era a vontade de ganhar o primeiro torneio realizado na ACPB em 1988, clube havíamos criado, com muita luta a sede própria e condizente para realizar torneios de fibra e canto. Fizemos um esforço danado para realizar o torneio naquela sede e conseguimos. Queríamos ganhar a fibra curió, mas não deu certo, Trovoada (um show de curió) ganhou, o CONFERE ficou em segundo, cantou muito mas não deu. Neste mesmo ano, em Ribeirão Preto ficou em segundo lugar, empatado com outro curió da Lagopas o Cintila. Muito interessante nesse dia, foram quatro curiós da Lagopas entre os cinco primeiros, menos o primeiro lugar: Confere, Cintila, Carreta e Conserva.
Com essas e outras despertou a atenção de muitos. Depois da muda em 89, passei na Vice-Versa do amigo Celso Neves e ele me propôs: “me cede aquele teu curió, te dou o Calunga por ele e te volto o que é de direito”. Fiquei, calado e estupefato por alguns momentos. Sabia que o Calunga tinha muito mais volume mas estava desacertado porque a fêmea tinha morrido. Pensei “acertar ele com aquela minha fêmea é mole” Fizemos o negócio imediatamente, fui buscar o CONFERE (dei a fêmea certa, e avisei tem algum medo de estaca tem que ter cuidado ao colocar). A viagem que começou mal, estava se encaminhando para ter um final feliz, estava com o extraordinário Calunga na mão.
O amigo, não teve o cuidado devido com o CONFERE, o primeiro torneio era Goiânia, estaca de madeira. Não quis saber, colocou na estaca de qualquer jeito e deixou ele se bater, desacertou de vez; “Aloísio, sê me matou, num quento isso não”. Mas logo depois, num torneio em Cuiabá MT, foi o melhor colocado de Brasília, provou que mesmo fora de forma conferia. A paciência do Celso foi pouca, passou para o Rio e lá ele desapareceu. Também, não deixou filhotes, uma pena. Me lembro bem dele com muito carinho, só cantava pra cabeça, era um ótimo curió, recompensou e salvou a viagem maluca a Bahia.
Aloísio Pacini Tostes
Bonfim Paulista – Ribeirão Preto SP
Multiplicar para Conservar
www.lagopas.com.br




Leia mais... | Mais 20209 bytes | Comentários?
Coleiros e Trincas : AMEAÇAS À VIDA SELVAGEM DO BICUDO E DO CURIÓ
Enviado por jlouzada em 04/04/2014 22:20:00 (97 leituras)

AMEAÇAS À VIDA SELVAGEM DO BICUDO E DO CURIÓ
É certo que, se não houvesse poluição ambiental, não estaria a sociedade toda preocupada com esse assunto. É a ameaça que paira sobre todos. Durante os últimos cinquenta anos, mais de oitenta espécies de animais tiveram sua extinção provocada, ou pelo menos apressada, pela ação predatória do homem.
A verdade é que todos os animais silvestres, todas as plantas e organismos vivos estão seriamente ameaçados. A continuar da maneira que está sendo conduzida a questão, não vai demorar muito para que isso aconteça. A causa maior da progressiva extinção de espécies tem origem na perturbação geral da ecologia terrestre, ocasionada pelo crescimento geométrico da população humana e da ocupação de áreas cada vez maiores que os homens vêm disputando com os animais selva- gens, considerando, ainda, os efeitos colaterais indesejáveis causados pela multiplicação das atividades agropastoris e industriais.
É fácil entender, então, que deter e controlar a progressiva poluição do ar, das águas e do solo é um dos principais desafios da sociedade moderna. A vida e a permanência do homem na Terra estão debaixo de sério risco. Diante disso, então, os animais, para se defender, estão cada vez mais procurando abrigo nos pontos mais inacessíveis do planeta, tão longe quanto possível da ação nefasta de todos os tipos de poluição ambiental.
No Brasil, a degradação ambiental, os desmatamentos indiscriminados e a agricultura predatória, cujos exemplos maiores são as lavouras de arroz, cana-de-açúcar e soja, em geral praticadas em vastas extensões territoriais, estão provocando nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste um verdadeiro desastre ecológico. É a prática da monocultura que a natureza não aceita e contra o que sempre reage. Esse tipo de exploração exige a crescente utilização de agrotóxicos para combater as plantas daninhas e os insetos nocivos que a natureza vai deixando proliferar para se antepor à monocultura. E as pulverizações com DDT efetuadas às vezes pelo próprio poder público, é responsável pelo desaparecimento de imensas populações de aves, principalmente aquelas que habitam brejos e mangues, como é o caso do bicudo e do curió.
Uma máxima popular que trata da questão ecológica diz com muita propriedade: Se planejamos para um ano, devemos plantar cereais; se planejamos para daqui a dez anos, devemos plantar árvores; e se planejamos para toda a vida, devemos treinar e educar os homens, notadamente para a questão ambiental. Fica a pergunta, será que há alguém pensando nessa última hipótese? Não adianta ficar nessa de ensinar a dançar, a representar e ser músico. Tem que produzir, tem que se preparar para a realidade da vida a cuidar da terra em que vivemos.
Esperamos que algum acontecimento desperte as pessoas, para te- rem, doravante, consciência da degradação irreversível que estão causando à natureza e assim partam efetivamente para conter sua indiscriminada ação predatória. É lógico que a humanidade precisa se alimentar e é obrigada a ocupar novos espaços, não sem antes buscar melhoria na produtividade nas áreas já degradadas. Urge que se encontrem formas de cultivo e ocupação menos agressivas à natureza.
Examinando o levantamento aerofotogramétrico feito por satélite no centro e sudeste do Brasil, teremos uma ideia da devastação ambiental a que estão submetidas as citadas regiões. Necessário se faz que em qualquer tipo de empreendimento, tanto rural como urbano, se analise o tão falado impacto ambiental e, caso sejam comprovados prejuízos consideráveis ao meio ambiente, o projeto deve ser abandonado ou revisto.
Vamos citar em seguida os principais agentes na devastação ambiental a que é submetida a natureza brasileira e que tem relação direta com a vida silvestre do bicudo e do curió, a saber:
Lavoura de arroz - O tipo de lavoura que causou e continua causando maiores estragos à vida dos bicudos e curiós é a cultura do arroz. Infe- lizmente, para que o arroz tenha maior produtividade, mistura-se a semente com inseticidas para eliminar as pragas tipo cigarrinhas, cupins e outros insetos, proteína animal essencial e muito usada na alimentação dos filhotes dos bicudos e curiós. O veneno penetra na seiva da planta e fulmina todo o ser vivente que se atrever a utilizar o vegetal como alimento. Aquele que ingerir as sementes que sobram na superfície ou que a chuva descobre das covas, morre instantaneamente. Tem-se notícia de populações inteiras de aves dizimadas pelas lavouras de arroz. O pior de tudo está ainda no fato de que, em geral, as lavouras de arroz estejam ocupando, de preferência e continuadamente, cada vez maiores áreas de terras de baixadas, brejos, beiras de rios e várzeas, principais hábitats dos bicudos e curiós. As de arroz irrigado simplesmente impossibilitam a existência de qualquer tipo de ave nas cercanias. Tudo é derrubado, canais são abertos, os brejos drenados e a aplicação de inseticida intensificada. Grandes projetos do governo de incentivo à irrigação, tipo Provárzeas e Profir, causaram tantos prejuízos à ecologia que temos dúvida sobre sua adoção se fosse observada a questão ambiental.
Lavoura de Soja - A lavoura de soja tem uma característica básica; normalmente se estende por grandes extensões de terra. Começou no Rio Grande do Sul e hoje já adentrou pelo Sudeste e todo o Centro Oeste, chegando à parte oeste da Bahia, e agora até a Amazônia, áreas onde existiam em abundância o bicudo e o curió. Os agricultores desse cereal têm o costume de não deixar uma só árvore em pé, dizem que dificulta o trabalho da colheitadeira. Como, normalmente, não são pessoas nascidas no lugar, não têm o menor respeito e apreço pela natureza das terras onde estão cultivando a soja. Não há nenhuma preocupação ou mesmo lembrança com a questão ecológica. Observem as grandes fazendas de produção de soja. Será que tem jeito de alguma ave ali viver? O pior é que a constante e crescente ocupação de novas áreas não vai parar, é preciso exportar, o mercado mundial está sempre comprador. É sabido que a soja assume papel de destaque entre os alimentos básicos para saciar, hoje, a crescente fome de seis bilhões de pessoas do planeta. O interessante é que alguns supõem que não se alimentando de carne de animais só de vegetais de soja, em especial, estarão ajudando o meio ambiente. Ledo engano, pois as lavouras de soja provocam muito mais degradação ambiental do que uma área de pasto para bovinos. Lavoura de Cana-de-açúcar - O açúcar para adoçar e o álcool para movimentar nossas máquinas. O preço é muito amargo para o meio ambiente. Vinhoto nos rios, milhões de hectares de áreas rurais utilizadas, incêndio provocado nos canaviais e agrotóxicos despejados por avião. É demais. Não há natureza que aguente. O Norte do Paraná, grande parte do Estado de São Paulo, Alagoas e Pernambuco têm hoje o privilégio de possuírem um deserto, o deserto verde. Onde estão as matas ciliares e a parte de vegetação natural exigida por lei? Só o Estado de São Paulo possui 4,5 milhões de hectares plantados em cana. Por que a sociedade não reage contra as violações e os exageros? Tudo foi derrubado, as pequenas propriedades, os sítios, os pomares, as chácaras foram destruídas pelas correntes dos poderosos tratores cada vez mais sofisticados. Em seus lugares surgiram as verdejantes lavouras de cana-de-açúcar. Nem uma árvore diferente, nem um arbusto; é um verde uniforme, triste e apavorante. E o fogo que ateiam, cercando todos os lados dos canaviais, na época da colheita, é um absurdo. Explicam dizendo que o Brasil é muito grande e há lugar de sobra para ser explorado. Será que alguém, ligado à produção de açúcar e álcool, está preocupado com a sobrevivência dos animais silvestres? Supomos que, diante do atual quadro, a natureza vai logo, logo, reagir. Aí, certamente, toda a sociedade e o poder público vão ter que fazer algo.
Poluição das Águas dos Rios - Os agrotóxicos utilizados nas lavouras acabam entrando no lençol freático ou são carregados pelas águas da chuva, que os leva para os cursos d’água. Quase todos os rios brasileiros próximos às grandes culturas de cereais e cana-de-açúcar estão poluídos pelos agrotóxicos. A vida das aves em suas margens está muito dificultada. Além disso, nas regiões inexploradas, há a poluição por mercúrio dos garimpos e, nas zonas urbanas, pelos metais pesados oriundos de dejetos industriais. A questão mais perigosa da poluição das águas para nossos pássaros é que o Brasil é um dos maiores centros do mundo em produção de aves industriais (para alimentação humana), isso é bom, traz riquezas para o País. Acontece porém que quase todos os dejetos são lançados nos rios, até para alimentação de peixes. E as bactérias, os protozoários, os vírus e demais microrganismos estão se multiplicando descontroladamente e atingindo ambientes supostamente selvagens ajudando a exterminar nossas aves. É difícil, ainda, encontrar um agricultor mais esclarecido que respeite as margens dos rios e as matas ciliares, o que está provocando o assoreamento dos leitos d’água, reduzindo a lâmina d’água, favorecendo o crescimento indiscriminado de algas que consomem oxigênio e inviabilizam a vida dos peixes e de outros animais ribeirinhos. Até porque há pouco tempo o próprio governo incentivava o produtor rural a limpar as margens dos rios para evitar malária e outros “males”, aí ficou a cultura e a impressão de era salutar a “limpeza” nas matas ciliares, sic. Outros tipos de poluição da água importantes são: a do esgoto sem tratamento e o lixo doméstico das cidades, lançados água abaixo. Essa mistura acumula tanta matéria orgânica e espuma de detergentes que o rio - cuja missão também é de levar a vida - se torna um carrasco, espalhando desgraça e morte para o vizinho de baixo. A observação das águas poluídas de um rio é um espetáculo dos mais deprimentes que se possa ver e sentir. O mau cheiro característico é a prova evidente da irresponsabilidade e da falta de noção do mínimo de cuidado com a substância água - a razão da vida na Terra. Quem já observou a nascente de um rio com o correr de suas águas límpidas e cristalinas fica chocado e revoltado com essa questão. Muitos consideram que o maior crime que se pode cometer contra a natureza é provocar a poluição das águas dos rios e depois correr o risco da falta de água potável vendo correr a sua frente um mundão do precioso líquido todo poluído. O maior exemplo no Brasil é o Rio Tietê na cidade de São Paulo. O pior é que, estando à vista de todos, pouco se tem feito para resolver esse grave problema, fundamental para melhorar a qualidade de vida dos animais que vivem em suas margens, principalmente dos racionais. Não adianta falar e explicar, até quando esperaremos uma solução para isso?
Poluição do Ar - A poluição do ar também tem colaborado para a dizimação de nossa fauna e de nossa flora. A chuva ácida, a fumaça de queimadas e os compostos de enxofre. Isso tudo acaba se depositando sobre as plantas, criando uma camada de sujeira sobre elas, carregando-as de materiais muito prejudiciais à saúde das aves. Essas substâncias tóxicas vão também se incorporando aos alimentos consumidos pelos homens; a água, assim poluída, também não poderá mais ser utilizada. Se não houver a conscientização das pessoas, se não forem tomadas providências pelas autoridades, se as leis existentes não forem cumpridas sistematicamente com a finalidade de coibir a degradação ambiental pela poluição do ar, talvez daqui a alguns anos já seja muito tarde para reparar o mal que está sendo feito.
Inundações por excesso de chuvas - As inundações sempre causaram muitos prejuízos aos bicudos e curiós, pelo hábito que têm de fazer os ninhos nas beiradas de brejos à baixa altura. Os ovos ou filhotes são, assim, levados correnteza abaixo. Há também a registrar que, hoje em dia, com o assoreamento e desmatamentos das margens dos rios, as inundações se tornaram mais frequentes, devastando temporariamente os navalhais, dificultando a alimentação dos pássaros e obrigando-os a migrarem de seus territórios exatamente na época da procriação.
Hidrelétricas - As hidrelétricas brasileiras quase sempre foram construídas exatamente nos maiores hábitats dos bicudos e curiós. Quem não se lembra do famoso Canal de São Simão, na divisa dos Estados de Minas com Goiás, da Cachoeira dos Índios, na divisa de Minas, São Paulo e Goiás, da Cachoeira do Marimbondo, na divisa de Minas com São Paulo, entre outras? As terras inundadas são a parte mais baixa do relevo, compreendendo lagoas, brejos, várzeas etc. Ademais, como a barragem regula a vazão d’água, o ciclo natural é interrompido, a parte que fica à jusante da represa também fica prejudicada. Os brejos secam, as lagoas desaparecem e o capim navalha escasseia. A solução para as aves é migrar.
Queimadas - O insensato hábito de incendiar as áreas de terra para desmatar, limpar as roças, para formar pastos etc., tem contribuído para colaborar com o extermínio de inúmeros tipos de animais, bem como destruir toda a vegetação nativa existente na região atingida. Ambientes que a natureza demorou longos períodos para montar são destruídos para sempre, em poucas horas. É mais um absurdo inexplicável praticado pelo homem do século XXI. Os navalhais nativos dos brejos são um alvo muito procurado para se atear fogo, porque não é um bom alimento para os rebanhos e dificulta o trânsito das pessoas nas várzeas e nos cerrados. Com isso, vai se reduzindo cada vez mais o número de locais que se prestam à morada dos bicudos e dos curiós. Acresça-se a isso o fogo por combustão natural e espontânea que é, na época da seca e calor, comum nas regiões de cerrado e campos gerais brasileiros. Assim, extensas áreas naturais, repletas de capinzais do capim navalha, são também destruídas.
Caça predatória - Depois de tudo que foi dito, ainda falta mencionar outra irresponsabilidade: caça predatória que também colaborou para dizimar populações inteiras de aves em certas regiões. A falta de escrúpulo, de sentimento, de amor e educação, infelizmente, levam um segmento de pessoas a praticar esse tipo de ação. A coisa está muito ligada também à miséria e à nossa condição educacional, em que a maioria das pessoas é desinformada. Obter-se lucro com o aprisionamento de animais silvestres é muita crueldade e insensibilidade. O mais grave ainda é que a maioria dos animais capturados morre em consequência dos maus tratos a que é submetida no trajeto, até ser colocada em lugar mais adequado. Há, ainda, o estresse causado pelo trauma do choque sofrido no momento do aprisionamento. Infelizmente a caça foi responsável pelo desaparecimento de grandes populações de pássaros de seus ambientes naturais; não podemos concordar com isso, e temos que fazer de tudo para que esta ação predatória não continue mais. A caça realizada com rede, então, é a mais prejudicial de todas e responsável pelo desaparecimento de extensas populações de aves em todo o mundo.
É muito difícil conter as ações dos caçadores profissionais, porque normalmente agem em regiões de difícil acesso. A fiscalização intensa nas estradas, contudo, talvez seja uma boa forma de coibir o tráfego dos animais capturados.
O Tráfico - A comercialização ilegal, o tráfico está num processo de arrefecimento, pela ação dos órgãos fiscalizadores, conscientização da população e leis mais rígidas. Mancha a imagem do criador sério, é um grande problema que a sociedade toda tem que combater. É exatamente a comercialização ilegal que alimenta e estimula a caça predatória. As famosas feiras livres têm sido muito perseguidas pelos fiscais. Outro fator que está ajudando é a pressão da opinião pública, horrorizada com as barbaridades praticadas contra os animais, focalizadas periodicamente nas telas dos principais jornais televisados do país. Os criadores em ambiente controlado também tem colaborado bastante com suas crias provindas da alta genética e que por isso provocam o desinteresse por aves sobre as quais não se conhece a origem. Esse é o maior trunfo que temos. Essa é, com certeza, a maior arma que se tem contra o tráfico. Os criadores que se preocupam com a qualidade de canto não querem nem ouvir falar em ave silvestre. Elas não aprendem mais o dialeto que se quer ensinar. Louve-se também o trabalho dos ambientalistas bem intencionados que, sem dúvida, ajudam na ação de exterminar o comércio ilegal de animais. Como no caso da caça predatória, a melhor forma de impedir esse comércio é exercer intensa fiscalização consciente nas estradas, educação ambiental nas escolas e conscientização das populações mais carentes.
Os predadores naturais - Falamos de vários tipos de ações predatórias. Nossos amigos ainda são obrigados a sofrer ataques de seus inimigos naturais, tais como aves de rapina (anu, caboré, gralha e gaviões), serpentes, lagartos, macacos e outros animais predadores. É muito comum bicudos e curiós serem vítimas desse tipo de ataque, com a agravante de que o desequilíbrio ecológico os deixa mais expostos ainda. Quando são filhotes, estão muito mais vulneráveis porque, inclusive, não podem voar para fugir do perigo. Outra ocorrência comum consiste na ação do berne da mosca varejeira, que penetra na pele dos filhotes, como é comum acontecer com outros pássaros, mutilando-os, prejudicando o crescimento, e, muitas vezes, levando-os à morte.
Depois disso tudo, ainda há as questões ligadas ao comportamento intrínseco das espécies de que tratamos e que muito acontece no ambiente do território, em especial na época da reprodução:
Brigas mortais - Os bicudos e curiós são muito agressivos e qualquer motivo, principalmente na época do acasalamento, serve para levá-los entrar em vias de fato. Tanto os machos como as fêmeas brigam para defender seu território. Deve ficar claro, porém, que em situações normais respeitam o espaço do outro, porque sabem que entrar ali é agressão certa. Se têm que passar pelo território do vizinho, voam por cima, o mais alto que podem, para não serem alcançados ainda dentro da área. Quando perdem o/a companheiro/a por algum acidente, vão logo procurar outro/a. É nessa hora que acontecem os embates. Entram em choques violentos, que muitas vezes acabam em morte e, mesmo que isto não aconteça, se machucam tanto que as sequelas são sempre muito graves. Quando estão em luta, ficam à mercê das ações dos predadores, que aproveitam a desatenção momentânea para agir. Quando estão agarrados na luta, não enxergam mais nada à sua volta e é muito comum caírem n’água, onde são engolidos por peixes como a traíra, por exemplo. Quando estão “enfezados” ficam cegos e a luta vira vida ou morte, com seu bico poderoso o entrevero termina em óbito e o vencedor, em geral, fica aleijado com falta de dedos, cego de um olho ou com marcas indeléveis na cabeça ou na face.
Isto posto, viver em paz e em segurança é muito difícil para eles. É uma luta diária. As aves sofrem como vimos, em sua vida silvestre, dificuldades de toda ordem. Os que estão aí, são, na verdade, os remanescentes. Aqueles que a sorte ajudou a preservar.
Em contra partida, sabemos evidentemente que estas espécies estão salvas da extinção, são milhares deles produzidos em ambientes controlados cujo manejo foi estritamente desenvolvido pela ação dos criadores abnegados e sem qualquer ajuda oficial. Trabalho esse que serve de exemplo do Brasil para o mundo em face do sucesso obtido na efetiva conservação de aves nativas de origem silvestre como é o caso do bicudo e do curió duas joias da natureza.
Texto original publicado em 1997 no Livro Criação de Bicudos e Curiós do autor
Aloísio Pacini Tostes Bonfim Paulista – Ribeirão Preto SP Multiplicar para Conservar www.lagopas.com.br

Comentários?
Coleiros e Trincas : POLIGAMIA EM PÁSSAROS
Enviado por jlouzada em 26/03/2014 21:40:00 (85 leituras)
Coleiros e Trincas



POLIGAMIA NA CRIAÇÃO DE PÁSSAROS
A criação, ex situ, de pássaros canoros nativos brasileiros obteve um grande incremento a partir da década de 90, em especial depois da publicação das Portarias 131/88 e 118/98 do IBDF/IBAMA que regulamentaram a utilização de anilhas para os criadouros amadoristas e depois para os comerciais. Com efeito, com muito custo, a partir dessa base regulamentar, os criadores vem desenvolvendo técnicas cada vez mais eficientes para melhorar seu manejo e para obter filhotes de alta genética com perfeita sanidade sem o menor auxílio ou estímulo oficial, pelo contrário. Antes porém, muitas pesquisas, dificuldades, erros e acertos. É um trabalho complexo, não é como criar galinhas. Exige muita dedicação e determinação, uma verdadeira ciência. O fato de poder conhecer o comportamento diferenciado de cada espécie, de cada indivíduo, é um grande estímulo e motivo de muita paixão. Lógico que há uma base para todos mas cada tipo de pássaro tem um manejo reprodutivo diferente. Na natureza, embora vivam em comunidade, em grandes bandos, ficam todos juntos só quando não estão em fase de reprodução. Pois, nossos pássaros nativos são monogâmicos, extremamente territorialistas, tanto os machos como as fêmeas, na época do choco. Por isso, não aceitam, nesses momentos, ficar ou se aproximar de outro diferente, independente do sexo. Passam por um processo para formar o casal. Primeiro se conhecem no meio do bando, brigam entre si para escolher o parceiro, em seguida vem a corte que tem todo um ritual, namoram, depois escolhem a morada ou voltam ao território e logo vem a definição e localização do ninho. Aí, ficam acasalados e sempre juntos, se saúdam vocalizando (sussurros, gorrichados e macheados), um protege o outro. Permanecem assim, enamorados com muito carinho recíproco, até o final do período reprodutivo. No próximo ano, nova batalha, novo processo ou para recompor o casal ou para formar novo par. Essa é uma situação recorrente na natureza e que a princípio teria que ser adotada na criação em ambiente controlado para se obter sucesso na empreita. No início, a respeito desse tipo de criação havia muitas dúvidas, como fazer? Primeiro, pensava-se muito difícil, quase impossível. Poderia ser em grande viveiros, tentando recompor um ambiente natural, seria o melhor jeito. Ainda mais, se o bicho (filhote) sobrevivesse seria um animal estranho, sem os instintos naturais e características da espécie. Um ser abobado seria produzido e não serviria para nada, um enfeite. Ora aparência para os passericultores de canto e fibra não tem a mínima importância. Sem dizer ainda que não sabíamos nada sobre manejo, não havia ninguém com experiência positiva para ensinar ou demonstrar algum tipo de sucesso. Essa era a consciência que tínhamos lá pelos anos 70. Então, estávamos num “mato sem cachorro”. Isto porque já dava para sentir que os exemplares capturados na natureza começavam a escassear e já vigia a Lei de Fauna 5.197 de 67 que passou a considerar os animais silvestres como propriedade do Estado. Pela lei não se podia buscar mais pássaros na natureza, realmente um contrassenso e um crime ambiental. Para “salvar a pátria” e encaminhar para melhor, surgiram então criadores abnegados, pesquisadores, inteligentes e verdadeiros “quebradores de lança”. Em primeiro lugar o Mestre Marcílio Picinini em Matias Barbosa MG, nos curiós e o saudoso Ernesto Scatena em Ribeirão Preto, nos bicudos. Ai, começou-se a ter uma nova ideia sobre a criação doméstica, primeiro o estabelecimento da poligamia, depois a evidência que o bicho produzido não tinha nada de abobado. Herdava sim, as características dos seus genitores e conservavam o instinto selvagem e o comportamento inerentes às respectivas espécies. Está provado hoje que mesmo em décima geração conservam todos os atributos inatos a raça. Ficou claro então que estávamos procurando o caminho do melhor manejo e que era possível produzir-se passeriformes com viés de comportamento para serem ótimos cantadores, valentes e fibrados como seu primo nascido em habitat natural com instinto silvestre. O Marcílio ainda mais, contrariando tudo que existia, montou uma infraestrutura de prateleiras onde as curiolas ficavam lado a lado separadas por uma divisória de forma que no momento da gala o macho era trazido para fecundar essa ou aquela fêmea. Do mesmo jeito o Scatena fazia só que as bicudas ficavam em gaiolas piracicabas número cinco comuns no beiral de residência (bem mais rudimentar). Esse tipo de processo revelou-se fundamental para uma boa produtividade e também para evitar-se a morte de filhotes porque na hora do nascimento o pai e a mãe ficam com o sentimento de proteção exacerbados e por isso entram em conflito por causa da proximidade que há com outro casal. Neste caso, passam na maioria das vezes, a se agredir mutuamente ou matam os respectivos filhotes.
Conclusão, a poligamia é um procedimento fundamental ao incremento da criação de passeriformes canoros em ambientes controlados. Quase todos os criadores a praticam e também por vários outros motivos. Levando em conta, inclusive que, as fêmeas por não estarem acasaladas mas com a libido em alta, na maioria das vezes, aceitam a gala de um macho desconhecido para ela. Em nossa experiência na manutenção de pássaros constatamos que na fase de reprodução os machos dão pelo menos uma galada por dia em sua fêmea, notadamente quando acordam. Pegam-na quando ainda estão meio que dormindo, estejam ou não no cio. Na natureza, dá, também, para perceber quando ele voa mais para o alto ele a persegue e a agarra, os dois chegam a se embolar caindo alguns metros é o momento do ato sexual diário. Na questão qualidade de canto é fundamental que as fêmeas fiquem longe dos machos porque como é complicadíssimo obter-se espécimes de canto clássico perfeito o nascituro não pode escutar um canto com detalhes, só a produção sonora que é editada sem qualquer impropriedade. Bom lembrar, também, que criamos em recintos reduzidos e que o espaço tem que ser bem aproveitado, então, se usarmos cinco a seis fêmeas para um macho teríamos um ganho significativo, que muito representa em termos de custo fixo. Todavia, há aqueles que preferem produzir com casais em viveiros grandes e isolados uns dos outros, desse jeito também pode dar certo, só que o manejo é bem mais complicado, a produtividade é prejudicada e os custos serão bem mais altos.
Quem não trabalha qualidade tem muita dificuldade em transacionar as crias, então, o importante de tudo é o desenvolvimento de altíssima genética a partir de um macho de reconhecida qualidade na modalidade requerida pelo criador (fibra, propensão para aprender canto ou repetição). Ele pode galar uma fêmea todos os dias, no máximo duas (excepcionalmente) durante toda a temporada de choco sem qualquer prejuízo a respectiva fertilidade. Lógico, temos já a comprovação que referidos atributos e que se deseja são herdados. Para tanto, um raçador com as características exigidas tem alto preço no mercado além de difícil disponibilidade. Fêmeas de qualidade são sempre mais fáceis de aquisição, tem menor preço e bem mais ofertas. Estamos falando, em especial dos pássaros: Bicudos, Canários da Terra, Curiós, Coleiros e Trincas. Produzir exemplares de qualidade, diferenciada, desses bichos, é o que mais estimula a reprodução em ambiente doméstico. Certamente por isso, a atividade vem cada vez mais despertando alto interesse nos aficionados por pássaros canoros brasileiros. Passados apenas vinte anos, quem hoje, em sã consciência, teria interesse em um exemplar capturado, ilegal, de qualidade duvidosa, uma verdadeira perda de tempo, e mais oriundo do tráfico e assim o cometimento de crime ambiental. Isto posto, fica bem claro que a busca da alta genética na questão comportamento dos passeriformes nativos é a maior arma que há contra o tráfico e que a prática da poligamia é um fator preponderante para o sucesso que a classe tem conseguido no verdadeiro uso sustentado de nossa biodiversidade.
Aloísio Pacini Tostes
Bonfim Paulista – Ribeirão Preto
www.lagopas.com.br
Mar/14

Comentários?
Coleiros e Trincas : CLASSIFICAÇÃO FINAL CCAP-ES - PRÉ-TEMPORADA 2013 - TRINCA FERROS
Enviado por jlouzada em 25/08/2013 16:30:00 (487 leituras)

COLOC____PÁSSARO________PROPRIETÁRIO__________CIDADE_______PONTUAÇÃO
1º LUGAR__TRIUNFO_________CLEDSON_____________V. VELHA______1988_PONTOS
2º LUGAR__CIPÓ____________GIRAFA_______________VITÓRIA______1811_PONTOS
3º LUGAR__VENENO__________ELTON________________CARIACICA___1495_PONTOS
4º LUGAR__FAISCA___________PAULO B. OLIVEIRA____VILA VELHA____1407_PONTOS
5º LUGAR__BIN LADEN________ROBERTO MOURA______VILA VELHA____1251_PONTOS
6º LUGAR__CHICO___________ISAAC _______________SERRA________1244_PONTOS
7º LUGAR__MOSKITO_________ADRIANO______________SERRA_______1053_PONTOS
8º LUGAR__THANDERA________BADEJO_______________GUARAPARI____959_PONTOS
9ºLUGAR___LEÃO BRANCO_____PAULO BERGER________VILA VELHA____939_PONTOS
10ºLUGAR__ELÉTRICO________FERNANDO____________VITÓRIA_______934_PONTOS
11ºLUGAR__FORMIGA ________EVERALDO OLIVEIRA ___SERRA_________907_PONTOS
12ºLUGAR__SANSUNG________LEO/ÁLVARO__________SERRA_________343_PONTOS
13ºLUGAR__STYLO___________FERNANDO ___________VITÓRIA_______836_PONTOS
14ºLUGAR__PREDADOR_______CLAUDIO SILVA________VILA VELHA____831_PONTOS
15ºLUGAR__MAXIMUS________LUANE________________GUARAPARI____807_PONTOS
16ºLUGAR__BOUKA__________JEER__________________CARIACICA____667_PONTOS
17ºLUGAR__BARRERAS_______IVAN_________________SERRA_________564_PONTOS
18ºLUGAR__GLADIADOR______EDMAR ______________SERRA_________563_PONTOS
19ºLUGAR__TITANIUN________TIAGO________________GUARAPARI____510_PONTOS
20ºLUGAR__RIO ALTO________MARCELO_____________VILA VELHA_____479 PONTOS

Comentários?
Coleiros e Trincas : TORNEIO - COMUNICADO CCAP-ES E ACAP-ES
Enviado por jlouzada em 19/05/2013 15:52:07 (476 leituras)

COMUNICADO CCAP-ES e a ACAP-ES
A CCAP-ES e a ACAP-ES comunicam, que a partir do dia 01/06/2013 as inscrições para participação nos torneios será de R$15,00 por cartela.
Desde agradecem à compreensão de todos os participantes.

Comentários?
Coleiros e Trincas : TORNEIOS AOS SÁBADOS CCAPES
Enviado por jlouzada em 31/03/2013 13:20:00 (525 leituras)
Coleiros e Trincas

A CCAPES CONVIDA E COMUNICA, QUE A PARTIR DO DIA 06/04/2013 TAMBÉM REALIZARÁ TORNEIOS AOS SÁBADOS.
LOCAL: CLUBE NÁUTICO BRASIL.
LOCALIZADO À AVENIDA SANTO ANTÔNIO Nº 111
CEP.: 29025-645

Comentários?
Coleiros e Trincas : RESULTADO FINAL TEMPORADA 2012/2013 CCAP-ES
Enviado por jlouzada em 17/03/2013 16:36:17 (625 leituras)

COLOC____PÁSSARO____________PROPRIETÁRIO________CIDADE_______PONTUAÇÃO
1º LUGAR__K1_________________GEORGE BONFIM______V. VELHA______990 PONTOS
2º LUGAR__FAÍSCA ZERO HORA___RÔMULO_____________V. VELHA______796 PONTOS
3º LUGAR__TIGRÃO_____________EDUARDO MARTINS____VITÓRIA______787 PONTOS
4º LUGAR__SEEDORF____________TETÊ________________VITÓRIA______546 PONTOS
5º LUGAR__FAVORITO___________WAGNER LYRA________VITÓRIA______529 PONTOS
6º LUGAR__FABULOSO___________RONALDO____________VITÓRIA______516 PONTOS
7º LUGAR__SALVAÇÃO___________NELSON D ANTÔNIO___VITÓRIA______499 PONTOS
8º LUGAR__SCOTH______________FABRÍCIO____________V. VELHA_____425 PONTOS
9º LUGAR__7 ESTRELA___________LUIZ CARLOS_________CARIACICA____402 PONTOS
10ºLUGAR__CHEK MATE__________TONINHO BARRETO____VITÓRIA______387 PONTOS
11ºLUGAR__METÁLICO___________DIEGO_______________CARIACICA___379 PONTOS
12ºLUGAR__ROMANO____________GERVÁSIO____________V.VELHA_____343 PONTOS
13ºLUGAR__AC_________________NELSON CAFÉ_________VITÓRIA_____326 PONTOS
14ºLUGAR__XAMEGO____________CARLOS(BABÃO)_______CARIACICA___310 PONTOS
15ºLUGAR__GUERREIRO__________MARCELO TUFÃO_______V. VELHA____310 PONTOS

Comentários?
Coleiros e Trincas : PEDIDO DE ANILHAS
Enviado por jlouzada em 25/02/2013 00:43:38 (536 leituras)

Anilhas SIPASS/CAPRI

Prezados Criadores,

Informamos que o sistema IBAMA/SISPASS já está liberado para solicitação de anilhas para esta temporada.

As anilhas serão fabricadas diretamente pela Anilhas Capri e enviadas para o seu endereço pelos correios.

Não deixe seu pedido de anilhas para ultima hora, pois a fábrica trabalha com prazo de fabricação de 30 dias mais tempo de envio.

Para saber mais como fazer a sua solicitação de anilhas veja o manual no link abaixo:

http://www.anilhascapri.com.br/manual_capri.pdf

Adiante seu pedido de anilhas, e não corra risco de não receber as anilhar a tempo de anilhar os filhotes.

O pedido deve ser feito exclusivamente pelo sistema.

Boa Criação!!!!

Equipe Anilhas Capri

ww.anilhascapri.com.br

atendimento@anilhascapri.com.br

F:(11) 5641-9074

Comentários?
Coleiros e Trincas : CALENDÁRIO TORNEIO NACIONAL 2013
Enviado por jlouzada em 25/02/2013 00:40:00 (655 leituras)

CALENDÁRIO DOS TORNEIOS


DATA .............CIDADE.........................CATEGORIA

25-08-2013......BRASÍLIA DF.................Completo + Fibra Cur Pardo

08-09-2013......MINEIROS GO................Fibra Bicudo Curió + Fibra Curió Pardo

08-09-2013......VITÓRIA ES...................Fibra - Coleiro e Trinca

22-09-2013......RIO DE JANEIRO RJ........Fibra Completo menos Fibra Cur Pardo

13-10-2013......RIBEIRÃO PRETO SP.......Completo + Fibra Cur Pardo

27-10-2013......CONTAGEM...................Completo - + Fibra Cur Pardo

10-11-2013......CAMPO GRANDE MS.......Fibra - Bicudo Curió + Fibra Cur Pardo

10-11-2013.......RECIFE PE...................Fibra Canário e Coleiro + Incentivo Fibra Bicudo

24-11-2013......FLORIANÓPOLIS SC......Completo + Fibra Cur Pardo

15-12-2013......MONTES CLAROS MG....Fibra Completo + Fibra Cur Pardo

Comentários?
Coleiros e Trincas : BICUDO BALELA
Enviado por jlouzada em 22/04/2012 23:09:49 (973 leituras)

MENSAGEM QUE NOS FOI ENVIADA PELO ALOISIO P. TOSTES PRESIDENTE DA COBRAP - CRIATÓRIO LAGOPAS

O BICUDO BALELA
Pelos idos dos anos 80 possuía a bicuda Capitã Gancho que havia vindo de Araguari, trazida por Sineide Guarino, mas que tenha sido provavelmente coletada pelos lados de Vazante MG – segundo disseram à época, no mesmo brejo do Sobe-e-Desce. Parecidos pelos menos eles eram, o mesmo tipo físico. Ela tinha esse nome porque lhe faltavam pedaços de dois dedos do pé esquerdo, trauma que sofreu quando chocava em viveiro com essa horrível tela de sextavada de pintinhos. Mas a deficiência em nada atrapalhava seu comportamento. Valente, enorme e do bico branco, cabeça chata, “sonho de consumo” de quase todos que a conheciam. Tinha um grande problema, apesar de histórico de excelente chocadeira, não era qualquer macho que tinha a coragem de galar.
Na casa de Santiago onde esteve emprestada para chocar “a meia” não deu certo. Lá não tinha jeito mesmo, com todo respeito a sua memória. Pregou o pau nos bicudos e nos foi devolvida, dizia ele: “não dá, não tem bicudo que gala, ela é brava demais e pode até matar os bicudos”. Bom, então, ficou durante algum tempo lá no Lago Norte, na “Academia do Lago”, origem da Lagopas – o
lago dos pássaros -. Acompanhava o bicudo Carijó – o Bunda-Roxa - em suas apresentações nas rodas de fibra a viajar de Kombi pelo Brasil afora.
Depois de algum tempo o Chico Bernardes – Chico do Ônibus – me disse que “dava conta” de gala-lá e que tinha um bicudo do General Oliva o “Canuto” que era um Magnirostris, vindo do Norte do Brasil, muito valente e cantador. Observando o pássaro, realmente dava para perceber muita aptidão para a fibra. Cantava bem de cara, era realmente diferenciado. Aí, concordei em levar a Capitã Gancho de novo para tentar tirar filhotes, dada a sua excelência. Em seguida, boa notícia o Chico me telefonou e disse: “consegui galar a bicha, deu certo”. Ótimo, passado alguns dias fui lá ver, havia nascido apenas um único filhote. Fiquei contentíssimo, o Chico havia me ofertado: “esse é seu, na próxima choca fico com o outro para compensar”.
Muita alegria. Daí alguns dias precisava anilhá-lo – já havia a exigência da anilha fechada -. Eu nunca tinha feito isso, o Chico também não. Tentei e não consegui passar a anilha. Por azar, o Toninho Goiano, estava por perto e disse: “deixa comigo, sei fazer e muito bem”. Embora toda a sua boa vontade, ele o fez da pior forma, torceu o dedo de trás do pé esquerdo e aleijou o filhote. Passado alguns
dias quando fui a Taguatinga ver como estava o pássaro, para minha indignação ele estava realmente com o dedo de trás do pé esquerdo torto e defeituoso. Ao observar aquilo, fiquei muito contrariado e revoltado. Disse ao Chico “pode ficar com ele, não quero o bicho desse jeito. Faça bom proveito”. A Capitã entrou em muda e não quis chocar mais.
E o tempo passou. Seis meses depois Paulo Roberto, o “Carioca” me falou: “estou com um bicudo pardo das suas fêmeas que é ótimo, repete e canta goiano limpinho”. Não dei nenhuma importância, sabia lá, quem seria: do Santiago, talvez. Pois havia bicudas minhas com o Santiago, Jorginho e Chico Bernardes.
Bom, passado algum tempo, marcamos o primeiro torneio de qualidade de canto de bicudos para um sábado na sede da ACPB na 907 Sul, da qual era presidente, na oportunidade. Fui bem cedo para lá para ajudar nos preparativos do evento. Sentei-me numa cadeira ao lado do juiz, se não me engano o Dr. Barbusse.
Daí um pouco, iniciado o torneio, o Carioca veio com um bicudo encapado e perguntou “agora é minha vez?”. Sim era a vez. Aí ele desencapou o bicho. Para minha surpresa, parecia que estava vendo a Capitã, fiquei meio atônito. Igualzinho, até o bico branco e a mesma postura e
jeitão. Pendurou e se dirigiu a mim: “chupa essa manga”, gozador como era, coisa de carioca, rssss. Mas não foi para rir não, quase chorei, depois. O bicho começou a cantar. Na primeira deu mais de trinta cantos, começou no “gogó” e foi levantando o canto, sem errar notas e dividindo com risada. Sempre tremendo as duas asinhas, cantou a segunda vez mais 35 cantos e assim foi até fazer dez minutos. Fiquei, pasmado, boquiaberto, espantado e com a maior cara de bobo.
Essa cena não me sai da cabeça. “Tá vendo, desprezou o bicho só porque ele tinha um pequeno defeito no pé! Toma!”. Eu com a cara de idiota e a turma toda me gozando. Em especial, o Carioca e o Salazar que havia acabado de comprá-lo por uma fortuna. Foi batizado naquele momento de “Potoca” uma alusão a si próprio que gostava de falar demais e muito alto. Tive que chupar a manga, fazer o quê? No entanto, esse foi só o primeiro momento.
Daí em diante, quando se falava em bicudo o Potoca tinha que estar na conversa. Cada vez mais famoso foi enfim, comprado pelo Daniel Lemos que o colocou na casa do Wilson Mineiro para tirar filhotes aproveitando sua excelência na repetição. Ia muito à casa de Mineiro que era meu conterrâneo de Manhuaçu MG, e ficava lá no
sofá, tomando café e de rabo olho admirando o bicho. Não dava para adquiri-lo, muito valorizado. Alguns filhotes foram tirados, mas pelo jeito morreram, não se sabia direito cuidar de pássaros jovens, a coccidiose matava quase todos.
Passado quase um ano veio a notícia o Chico de Sobradinho comprou o Potoca, já preto, mas com algumas penas ainda pardas. Logo me ligou e disse: “vou desbancar o Batuque, no primeiro torneio de fibra vou colocar do lado e quero ver!” Pensei: tá ficando doido, colocar do lado do bicudo mais agressivo que já apareceu até hoje no sentido de desafiá-lo. Vai amofinar o bicho e estragá-lo. Chico dizia isso porque em pequenas rodas que havia à época o Potoca dava show, tremendo as asas cantava muito e repetindo até vinte vezes.
Aí, veio o choque para mim, primeiro torneio do ano em Taguatinga no Clube Primavera. Coloquei o Batuque e distraidamente fiquei ali conversando com os companheiros. Tinha presente que quase todos fugiam de colocar bicudos perto do campeoníssimo porque era “caixão”. Difícil agüentar, precisava ser muito bom e calejado. A maioria “miava”. Em seguida, quase oito horas lá vem Chico com Potoca com ainda algumas penas pardas e o coloca do lado. Entrou cantando na surdina e
tremendo as asas para os adversários. Batuque, em resposta, logo começou com seu costumeiro comportamento: vindo à grade todo arrepiado dando aquele seu quenquém característico e despejando canto e virando de costas em seguida. E assim foi até por perto de 11 horas.
Implorei ao Chico para tirá-lo do arrocho porque iria acontecer a intimidação do bicho e ele ficar daí para a frente traumatizado com a roda. Ainda bem que o Chico, num momento de lucidez resolveu tirá-lo. O Batuque já estava nos seus quase quatro anos de experiência, engolindo o Potoca. Mas mesmo assim, percebi a qualidade de guerreiro dele. Na minha cabeça ficou mais uma vez o pensamento: “sou um idiota, como pude desprezar esse maravilhoso pássaro”.
O tempo passou infelizmente o amigo e companheiro Chico se foi, vítima de uma violência sem par, morto que foi por um seu protegido. Pensei!!!, “agora seria a hora de pegar o Potoca com a viúva”, mas ela queria caro. Aí, na minha indecisão, o Celso Neves foi mais rápido, comprou o bicho. Todavia, logicamente a fêmea tinha sumido. Ela era um aborto e isso é fatal para um bicudo novo: afastá-lo de sua fêmea. Não estava aprontando bem na mão do
Celso, percebi que ele não estava satisfeito com o nosso enfocado.
Jeito não tinha de comprá-lo, a faixa de preço muito acima de minhas posses. No dinheiro não havia como. Bom, aí veio a ajuda “Do Lá de Cima”. Meu bicudo Branquinho, filho de Estilingue, estava dando o que falar. Muitos primeiros lugares e sempre com um bom desempenho. O havia comprado por uma bagatela do amigo Roberval. Fomos então ao torneio em Barra do Garças MT, na volta meu carro quebrou, queimou junta de cabeçote e fundiu o motor. Teria que gastar um dinheiro para levá-lo até Brasília e consertá-lo. Para minha surpresa, encontrei na viagem o Celso perto de Morrinhos GO. Ele disse: “quer dispor o Branquinho, rindo? Dou o Potoca, o Ping e conserto o teu carro.” Dito e feito fizemos o negócio. Bom para ele que foi campeão várias vezes com o Branquinho.
A felicidade foi muita, consegui pegar o Potoca e também o Ping – filho da Paraguaia – que foi mais tarde para o Paraná na mão de Pité com o nome de Pirulito pai do Rio Branco, campeoníssimo de flauta com repetição. Quer dizer, com todo respeito ao Branquinho a troca foi vantajosa para mim. Sentia-me, recompensado agora com
bicudos filhos de minhas excelentes bicudas a Capitã e a Paraguaia.
Já virando o ano, mudei seu nome de Potoca para Balela, ficou do bico preto, de bom tamanho e muito manso, atacava a mão no momento do trato. Acasalei o bicho direito e participei no ano de 89 de 23 torneios onde ele se classificou em todos. Naquele que deveria ter tirado primeiro lugar em Monte Alegre de Minas, foi travado por um companheiro de Brasília que o marcou tirando dois cantos a cada cantada de quatro ou cinco. Fiquei indignado, mas não tinha jeito de fazer nada. Na roda repetia menos. Bem, minha intenção com ele não era roda queria simplesmente torná-lo um galador em meu projeto futuro de montar um criadouro assim que pudesse aposentar daí pouquíssimos anos.
E assim aconteceu, mudei para Ribeirão Preto e montei um o Criadouro Lagopas e o Balela era um de nossos carros chefe. Começou a funcionar em 94 e uma das primeiras ninhadas foi o cruzamento de Balela X Fininha – vinda de Campo Grande do Antonio Cursino -. Daí nasceu uma ninhada de três, Olé, seu irmão e Olaia e outro que ainda pintado por manejo incorreto de Célio Elias que o levou da Lagopas com uma capa preta,
mudando-o de gaiola naquele momento. Aí, o bicho assustou-se e debateu-se até vir a óbito, lastimável.
Olé se tornou um campeão na mão de Batista oito primeiros lugares ainda pintado. Passava na roda até um minuto e meio cantando no gogó, tremendo as asas como o pai, um verdadeiro espetáculo. Passado ao Dr. Drumond de Petrópolis, Olé lá não fez boa figura, não chegou a ser um grande destaque, embora tenha ganhado alguns torneios. Ora, ficava em Petrópolis RJ, num quartinho frio junto com quatro outros bicudos de destaque. Assim, não há bicudo de fibra que agüente. Lamentável, ver um bicudo com aquele potencial ser capado pela má condução. Aí, pior, com o falecimento do amigo Drumond, ficou alguns anos por lá, tratado por gente que não entende direito de manejo, esquecido e sem participar de nada. Para mim, no entanto, ficou a prova evidente que o Balela era um bom raçador.
Depois disso, tirei o Badalo com a filha do Balinha a Sininha, presenteie, ainda filhote, ao Marcilio Picinini que depois de algum tempo, por causa de seu canto ruim, foi passado de mão e foi parar em Foz de Iguaçu PR, consegui reintegrá-lo ao plantel através do amigo Tanamati. Hoje está em plena atividade produzindo ótimos filhotes. Também o Batepau – excelente repetidor - que foi
campeão nacional de canto altamogiana com repetição. Que também está como galador produzindo filhotes diferenciados. Para não se esquecer da Olaia, hoje com 18 anos mãe de mais de trinta filhotes, embora tenha problemas no trato, perdi alguns dela porque tem o costume de bicar os filhotes a partir do 3º dia. Vem chocando sem parar nestes anos todos. Bom, o final foi sido feliz. Aquele bicudinho defeituoso e desprezado agora tem dezenas de descendentes de altíssima qualidade graças a possibilidade do uso sustentado e da efetiva criação doméstica de pássaros diferenciados. Moral da história, a balela, a potoca neste caso é uma verdade verdadeira representada nessa estória do saudoso Balela.
Aloísio Pacini Tostes
Lagopas.com.br

Comentários?
Coleiros e Trincas : IBAMA AGILIZA ATENDIMENTO COM SAC NO RJ
Enviado por jlouzada em 27/03/2012 09:27:59 (891 leituras)

Ibama agiliza atendimento com o SAC no Rio de Janeiro

Rio de Janeiro (26/03/2012) - A Superintendência do Ibama no Rio de Janeiro instalou Serviço de Atendimento ao Cidadão – SAC, no térreo do prédio que abriga o instituto, para orientar o público sobre demandas diversas, inclusive o protocolo de recursos a autos de infração. O serviço está em consonância com o Decreto de Desburocratização (Dec. nº 6.932/2009). “O SAC representa um marco relevante do programa Gespública que foi reativado na superintendência, visando a melhoria contínua da gestão pública”, afirma a superintendente Silvânia Gonsalves.

Comentários?
Coleiros e Trincas : Email do Sr. Aloisio Tostes sobre Ação Declaratória do Dr Weber Vilasboas
Enviado por jlouzada em 24/12/2011 19:55:10 (945 leituras)

Prezados,
Vejam a excelente peça jurídica produzida e efetivada pelo Dr. Weber VilasBoas de Uberlândia MG, em especial, no que diz respeito a obrigatoriedade de colocar as "notas fiscais" oriundas da aquisição de passeriformes no SISPASS. Um absurdo que está incomodando muita gente. No entanto, a não ser essa "Ação Declaratória", não tivemos notícias alguma a respeito de acionamento à justiça no sentido de defender seus legítimos direitos. Ele teve a coragem de entrar em seu próprio nome. Com base nesse modelo, seria de aqueles que estão na mesma situação acionem também a justiça por esse Brasil afora como forma de pressionar o IBAMA a recuar no que diz respeito a essa questão. Sucesso e abraços
Aloísio



EXCELENTÍSSIMO ( A ) SENHOR ( A ) JUIZ ( A ) FEDERAL
SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE UBERLÂNDIA
ESTADO DE MINAS GERAIS
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIÃO


WEBER VILAS BOAS ALVES, brasileiro, divorciado, advogado, residente e domiciliado nesta cidade de Uberlândia, Estado de Minas Gerais, na Rua Das Magnólias, 730 – Cidade Jardim – CEP 38412-128, portador do CPF 341.276.316-00 e RG M-1.591.158 SSPMG, inscrito no IBAMA pelo CTF 481.474-1, por si e para si, que Advogado inscrito na OAB/MG sob o nº 93.342, com banca profissional na Rua Coronel Antonio Alves Pereira, 400 – Sala 912 – Centro – CEP 38400-104, nesta cidade de Uberlândia, vem, perante Vossa Excelência, com o devido respeito, para propor a presente


AÇÃO DECLARATÓRIA CUMULADA COM ANULAÇÃO DE ATO JURÍDICO
COM PEDIDO URGENTE DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA


em desfavor do IBAMA – INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS, sediado no SCEN TRECHO 2 – ED. SEDE – CEP 70818-900 – BRASÍLIA – DF, por seu responsável legal;
em desfavor do IBAMA – INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS, também com sede regional na RUA MAX NORDAU REZENDE ALVIM nº 390 – CEP 38400-675 - nesta cidade de Uberlândia, Estado de Minas Gerias, através de seu Diretor, responsável legal; e,
em desfavor da UNIÃO, através de seu Responsável Legal, para responderem e defenderem-se das razões expostas e traduzidas abaixo enumeradas:
O Autor é proprietário de pássaros da espécie TRINCA FERRO ( Saltator similis ), quais adquiridos de Criadores Comerciais legalizados.
Estes pássaros são legalizados pela presença das Notas Fiscais emitidas, que perfazem das transferências em negociação entre o Autor e os Criatórios.
Os pássaros tem, quando da temporada de Torneios local, Regionais e Nacional, sempre a presença para disputa de Campeonatos de Cantos e, sua presença se faz legal acompanhados, cada um, da Nota Fiscal, documento hábil para referendar a tramitação do local de criação até local do Torneio, consequentemente a volta.
Isso se fez, com essa regra, do acompanhamento do pássaro obtido nos Criatórios Comerciais, pela Nota Fiscal, até a insurgência da Instrução Normativa nº 15, de 22 de dezembro de 2010, publicada dia após, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, por seu Presidente.
Daí, proveniente desta IN 15/2010, a regra passar a ser diferente, pois, o pássaro, agora, terá de ser incluso no sistema do IBAMA, ou seja, inscrever o pássaro no sistema do SISPASS do IBAMA; isso quer dizer que tornou-se obrigatório e imediata a presença do pássaro, obtido através dos Criatórios Comerciais, que são negociados através de Notas Fiscais, na relação de passeriformes do criador, seja ele amador ou comercial.
Identifica-se pelo artigo 8º, da IN 15/2010, a definição à origem dos pássaros que podem ser manejados pelos criadores amadoristas, e, nisso não existe nenhuma novidade:
Art. 8º. Os exemplares do plantel do criador amador de passeriformes podem ser oriundos:
I – de criatório comercial, devidamente legalizado junto ao Ibama e sem impedimento perante o Órgão no instante de sua venda, devendo o pássaro estar acompanhado da respectiva Nota Fiscal.
A única novidade existente é que o inciso II, do artigo 8º enfatiza que devam ser, por exemplo, com relação aos comerciais, daqueles que estiverem devidamente legalizados e que não tenham nenhum impedimento.
Essa regra, para gerar algum tipo de problema para os adquirente, que são legalmente protegidos pelos princípios da aparência e da boa-fé, e de maior força no âmbito do Direito Empresarial brasileiro, deveria ser obrigatoriamente acompanhada de uma outra providência, a cargo do próprio IBAMA, ou seja, de disponibilizar, no seu próprio endereço eletrônico, relação atualizada de criatórios comerciais legalmente habilitados e sem qualquer impedimento.
No artigo 11, da IN 15/2010, outra norma que é no mínimo, absolutamente incoerente. Ela determina que os pássaros de criadores comerciais, devam ser incluídos na relação ou plantel, através do sistema do SISPASS, como assim expressa:
Art. 11. Os Criadores Amadores de Passeriformes deverão obrigatoriamente incluir as aves oriundas de criadores comerciais no seu plantel através do SISPASS.
E, com essa regra, quem tem aves adquiridas ( criadores amadores ) de planteis de criadores comerciais, passam por uma situação deveras inusitada, pois, o IBAMA obriga a inseri-los no sistema do SISPASS, o que, no entanto, para a participação de Torneios realizados em qualquer parte do Território Nacional, o participante sendo amador ou comercial deverá ter a ave que participará no Torneio inscrita no sistema do SISPASS, como expressa na norma do artigo 42, de seu caput e parágrafo 4º:
Art. 42. Somente poderão participar de torneios os Criadores Amadores de Passeriformes e Criadores Comerciais de Passeriformes devidamente cadastrados no Ibama, em situação regular e com aves registadas no Sispass, ficando sob a responsabilidade da entidade organizadora do evento a homologação da inscrição dos criadores participantes.
§ 4º. Os pássaros presentes no evento deverão estar acompanhados do Criador registrado e devem obrigatoriamente constar na relação atualizada do Sispass.
Até porque a normativa interpreta uma razão bastante contraditória, pois, ao mesmo tempo, que tenta obrigar o criador amador a relacionar os pássaros das Notas Fiscais para o sistema SISPASS, ainda fica na última condição, de que além de incluir as aves relacionadas de Notas Fiscais no sistema, tem que serem, as aves acompanhadas das próprias Notas Fiscais, como trata o artigo 20, da IN 15/2010, em seu parágrafo único, assim descrito:
Art. 20. ( ... )
Parágrafo único. Os pássaros anilhados com anilhas invioláveis originários de criadores comerciais autorizados deverão estar acompanhados de sua respectiva Nota Fiscal.
A normativa discrimina, por seu artigo 16, que a venda do criador comercial ao criador amador, deverá ser registrada no SISPASS, além de emitir a registrada Nota Fiscal, como demonstra abaixo:
Art. 16. Toda venda realizada pelo Criador Comercial de Passeriformes deverá ser registrada no SISPASS, com número e data da Nota Fiscal, além de nome e CPF ou CNPJ do comprador.
Parágrafo único. Caso o comprador seja Criador Amador de Passeriformes, a transferência para seu plantel será feita diretamente pelo Sispass.
Mas, para o criador amador, principalmente, que tem sua participação em Torneios locais, regionais, estaduais e, quiçá, do nacional, terá que inserir seus pássaros de aquisição por Notas Fiscais, de criador comercial, em sua relação, no sistema SISPASS, isso demonstrado pela aquiescência do artigo 16, acima listado.
O simples ato de comercializar um produto, a empresa demonstra a atribuição de sua existência, ou seja, repassar um produto a um adquirente, tudo prescrito pela legislação civil/empresarial/consumidora, o que resulta a transferência do bem produzido pela empresa para outro comercial ou diretamente para o consumidor.
O produto aqui visualizado está definido em uma ave produzida pelo Criador Comercial, que é uma Empresa, que vende um produto, o que também se pode traduzir de: indústria. Produz e vende. Reproduz uma ave e a vende. Repovoa em número da quantidade de aves existentes a mais para o ambiente doméstico; doméstico porque é uma ave que terá todas as considerações para um competir, de seu canto, de sua característica de fibra, etc. Mas, mais uma no ambiente doméstico a contrário senso do conceito de inexistência no ambiente natural. É simplesmente uma conotação de que se reproduzindo a ave em ambiente doméstico ( comercial ou amador ), está-se povoando a existência da ave, seja qual for, porque, ditas inexistentes já nos locais de ambientes naturais, tudo por uma situação vexatória dos Governos que autorizam, em ratificações das organizações não governamentais, para os desmates das áreas de florestas, daí ainda quererem da existência de árvores e aves, ou seja, se desmatam a flora nativa, o que se espera para com a fauna silvestre ?
Desse modo, eis que se conclama para uma razão bendita, isto é, continuar sendo, pela Legislação Civil Federal a condição sine qua non para com a “propriedade”, ou seja, quem adquire um produto, este é totalmente daquele adquirente. No caso, em tela, que se enquadra uma ave adquirida de um produtor comercial, sendo aqui, de um criador comercial, que é simplesmente uma Empresa, que vende seu produto a qualquer cidadão, no que pode ser este um simples cidadão ou, ainda, um criador amador, que é registrado como criador amador no IBAMA.
Assim, se esse criador amador adquirente de um produto, isto é, uma ave, que veio de um plantel de um criador comercial, esta deve ser regida pelo sistema civil de propriedade, o que o IBAMA deseja modificar, tentando modificar a própria Legislação Civil Federal, com uma simples e inócua, com as desculpas, canetada de uma instrução normativa interna, dizendo que é obrigatório o adquirente de uma ave de criador comercial, a inserir essa na relação do criador de todos os outros pássaros registrados com anilha do IBAMA ou não.
Essa contemplação tem vetores, ainda mais, em se dizendo para com os Torneios. O IBAMA exigindo que seja inserido as aves, que participarão dos Torneios, nas relações dos participantes dos mesmos, tem a conotação de que para levá-los, terá também, esse criador amador e comercial a pagar TAXA para removê-los de sua residência/criatório até o local de realização dos Torneios, ao aspecto de transporte extraestadual.
E, ainda, na condição de intromissão na Legislação Civil Federal, descaracterizando a propriedade do produto adquirido pelo criador amador, do criador comercial, uma ou mais aves, que se encontram pela propriedade, através da demonstração das Notas Fiscais, no caso, em anexo, como também contendo, nos pés, dessas aves, as anilhas comerciais, referente a cada criador comercial, para cada ave. Não podendo de forma alguma essa interferência, pelo IBAMA, a sobrepor ao relacionamento legal e legítimo.
Pois, o Código Civil Brasileiro rege em seu artigo 104, como:
Art. 104. A validade do negócio jurídico requer:
I – agente capaz;
II – objeto lícito, possível, determinado ou determinável;
III – forma prescrita ou não defesa em lei.
Para tanto, o CCB, transmite em seu artigo 1.225:
Art. 1.225. São direitos reais:
I – a propriedade.
Corroborando com o artigo 1.228, que traduz:
Art. 1.228. O Proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, ( ... ).
Ora qualquer cidadão tem a mais ampla liberdade para escolher as atividades ou profissões que queira exercer. Assim, se alguém tem a faculdade de vender pássaros a que produziu ou reproduziu em seu Criatório Comercial e legalizado, com base nos dispositivos de Lei, não pode o IBAMA desejar que esta ave produzida em Criatório Comercial, repassada, transferida através de Nota Fiscal ao adquirente, que este repasse, agora, para o IBAMA, ou seja, colocando-o no sistema do SISPASS, o que relevante, pois, o IBAMA faz com que aquela ave que é de “propriedade” do adquirente, que pagou ao preço que mercantilizara, no que houve uma transação de transferência negocial, e a propriedade nova houve-se de um negócio jurídico, havendo agente capaz, objeto lícito, possível e determinado e, ainda, de forma prescrita em lei, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente encontra-se, pela novata normativa, exaurindo em todos os sentidos legais.
Daí há de interpretar pela situação única de propriedade, porque, o produto, ou seja, a ave nascera em um Criatório Comercial ( Empresa constituída ), reproduzida, conforme preponderantemente legal, e transferida no negócio jurídico legal, novo proprietário com os direitos de uso, gozo e dispor, através da Nota Fiscal. E, agora, o IBAMA exige que exista tão somente a “posse” ? Isso é simplesmente um retirar dos direitos de propriedade e, alienar a legislação federal, sobre a qual não pode perante sua normativa interna, querer mudar a coisa de mãos de forma sem ter a posição máxima que é a formalidade.
Se, desse dispor o novo proprietário não deseja que outro tome posse ou ainda tenha o gozo sobre o produto adquirido, este proprietário tem todas as condições para continuar o ser proprietário da coisa. Isto é, se o proprietário não deseja que o IBAMA ou a UNIÃO sejam os proprietários do bem que adquirido, somente se transmitirá se ocorrer a transferência desse proprietário para o IBAMA ou a UNIÃO; agora o que não pode ocorrer é que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente venha através de uma de suas normativas internas e coloque “em xeque” o proprietário do bem adquirido, pago e transacionado legalmente, no que conduz a Nota Fiscal, o que não se pode admitir que esta Nota Fiscal seja lançada a “Bel prazer” do Instituto – IBAMA, porque, agora, diante da IN 15/2010 imprimir que seja de forma tal.
NÃO, Não e não !!! E sem qualquer razão o IBAMA através desta IN 15/2010. Pois, é “mais ao menos” o seguinte, p. ex.: Se alguém tem um cavalo, ou seja, dono deste cavalo – de raça – que este é participante de competições, e para a inscrição em qualquer torneio a que participe é deveras diretamente do proprietário para com a organização do evento de competição; mas, de repente passa a existir uma normativa em que predomina, porque o animal é regido também pelas regras internas do IBAMA, deste Instituto surge a ideia obrigacional em normativa para que animal competidor, não mais seja inscrito diretamente pelo proprietário, para com a organização da competição, mas tenha que passar pelas normas novatas do IBAMA que rege em ditar regra a que o animal esteja inscrito nos sistemas do IBAMA, para que então o “dito” proprietário do animal participe, contudo, não mais proprietário, mas posseiro. É neste ponto em que se traduz da normativa da IN 15/2010, isto é, aquilo que é de propriedade, pelas relacionadas Notas Fiscais, passa a ser diretamente inscritas – as aves – no sistema do IBAMA, o que relaciona que as aves passam a ser diretas da UNIÃO e de posse daquele que as detem. Isso é incidir contra qualquer relação de propriedade, porque, o Instituto quer com a normativa que, como é a relação, dos pássaros nascidos e que carregam as anilhas do IBAMA, estes tem a incidência das normativas do IBAMA, mas, com relação aos que nascidos e tem as anilhas de Criatórios, o IBAMA não tem qualquer relação, no que desejam agora ter, no que invadem toda a norma do Direito Civil, agredindo até a inteligência do homem médio. E onde fica, do exemplo, do cavalo de competições ? É a mesma questão para com a ave tida de Criatório Comercial, que tem em registro pelas anilhas do Criatório comercializado !!! Criatório autorizado para comercializar pelo próprio IBAMA. Se autorizado a colocar as anilhas, nas aves, com registro não do IBAMA, mas do próprio criatório, estas são aves nascidas, procriadas e vendidas, ou seja, comercializadas, o que compreende sê-las mercadoria, para um produto final, ao adquirente, relação aqui de comércio, como dita agora no Código Civil, relação negocial de empresa a consumidor diretamente.
Pois, se inicia da Instrução Normativa 15/2010, a existente inocuidade, pelo seu PREÂMBULO, que é fácil perceber que, quando se refere ao artigo 225 da Constituição da República, que preconiza de a Fauna ser protegida de imediato o texto acrescenta: VEDADAS, NA FORMA DA LEI, as práticas que coloquem em risco a sua função ecológica, ou provoquem a extinção das espécies ou submetam os animais à crueldade.
De modo, é absolutamente indiscutível, que INSTRUÇÃO NORMATIVA, não se confunde com LEI, e FORÇA DE LEI, portanto não tem força alguma, fato que, sabidamente, é ou deveria ser do conhecimento do Senhor Presidente do IBAMA, que se presume seja preparado adequado e tecnicamente para o exercício do cargo que detem, daquele que assinara tal Ato Administrativo, ou ainda, daquele que exerça o cargo político.
Daí porque se poder acrescentar e concluir, desde já, que os Agentes do IBAMA, que derem cumprimento as normas ilegais e absolutamente exorbitantes, contidas no seio da Instrução Normativa 15/2010, por serem servidores públicos, e por não poderem desconhecer que nenhum funcionário está OBRIGADO a cumprir ORDEM ILEGAL emanada de superior hierárquico, ainda que contida em documento escrito, se sujeitarão as penas legais, pelo cometimento do crime de Abuso de Autoridade, ainda, que queiram alegar a seu favor, o chamado exercício regular do direito. A norma editada é de ILEGALIDADE TAO FLAGRANTE, que chega se constituir num verdadeiro ERRO GROSSEIRO DE DIREITO. Por isso se diz com tamanha certeza que o Presidente do IBAMA que assinara o Ato Administrativo que deu presença da IN 15/2010 cometera Abuso de Autoridade.
Erro grosseiro de Direito, porque inicia flagrantemente pela Competência Institucional do IBAMA, que vem definida através do Decreto 6.099/2007 que aprovou a sua Estrutura Regimental, e no qual deve se apoiar para executar as suas atribuições legais.
Encontram-se todas as atribuições e responsabilidades do IBAMA, tanto como órgão fiscalizador, como controlador.
E, não é difícil verificar que, nos artigos, a expressão NA FORMA DA LEGISLAÇÃO EM VIGOR foi repetida por vezes, o que implica em dizer que, essa repetição se faz necessária para que não haja a falsa ideia, de que o IBAMA seja um órgão com super poderes, intocável, e, com autonomia para fazer o que bem entende. NÃO O É !!!
E, tanto não é que em momento surge a expressão NORMAS AMBIENTAIS, a atribuição que lhe é reservada é a de apenas PROPOR, mas, nunca EDITAR, o que por si só, já derruba integralmente essa absurda pretensão exercida, por mero ATO ADMINISTRATIVO, sem qualquer validade ou eficácia jurídica. E esta, se crê, é a parte mais importante do pedido: comprovar e demonstrar que o IBAMA não detem o poder constitucional, institucional e muito menos LEGISLATIVO, para editar NORMAS que está impondo aos Administrados CRIADORES, seja através de PORTARIAS ou de todas editadas – do passado ou contemporâneas – de suas internas INSTRUÇÕES NORMATIVAS que, expõem normas PRIMÁRIAS ou normas com EFEITOS OBRIGACIONAIS.
Através da Lei 7.735/1989, o IBAMA é criado para executar ações das políticas nacionais de meio ambiente ( inciso II, do art. 2º ). Desse modo, na lei de instituição dessa Autarquia, cuidou-se apenas de dizer quais seriam as suas competências, como pessoa jurídica de direito público interno, ficando as demais questões para serem reguladas por Decreto.
Está, portanto, no Decreto 6.099/2007, todo acervo de responsabilidade, direitos e obrigações da Instituição e de seus Gestores, como de exemplo: edição de normas e padrões de qualidade ambiente ( inciso I, do art. 2º ); proposição de normas ambientais para a gestão ( inciso XVIII, do art. 2º ).
Sabendo antemão, que NORMATIZAR e DISCIPLINAR não são a mesma coisa, pode-se concluir, desde já, que a matéria contida na Instrução Normativa 15/2010, nada tem haver com padrões de qualidade nacional e que, pelos demais incisos que lhe dão competência para isso, não se extrai claramente, de nenhum deles, que a Instrução Normativa 15/2010, ali se enquadre.
Porém, e, além, é preciso lembrar, que as COMPETÊNCIAS definidas no artigo 2º, são as chamadas competências abstratas, porque as competências concretas atingem, ainda, a pessoa que as pratica.
Ora, o IBAMA é um órgão cuja Administração é chamada de tipo COLEGIADO, o que significa dizer que o seu Presidente, isoladamente, NÃO PODE TUDO !!!
Daí porque a necessidade também de se colocar os olhos nos artigos 6º e 7º do Decreto 6.099/2007 e, verificar se a Instrução Normativa 15/2010, além de não ser de competência do IBAMA, também foi editada com a observância das REGRAS contidas no Decreto, para sua validade, o que na realidade também não foi de nada observado.
E não se esgota pelo fato de que, a MATÉRIA, objeto da Instrução Normativa 15/2010, se insere no rol de atribuições que o Presidente do IBAMA deteria, apenas, com objetivos de efetuar PROPOSIÇÃO ao MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, a quem cabe EDITÁ-LAS ou exteriorizá-las para os Administrados do IBAMA, estes Criadores Amadores e Comerciais.
Deste modo, por não obedecer as prescrições legais contidas no Decreto 6.099/2007, o Presidente do IBAMA jamais poderia ter EDITADO a Instrução Normativa 15/2010, nos moldes em que foi publicada.
Assim, a prerrogativa administrativa que o Presidente detem, em relação a Edição de Normas, são simplesmente, as de caráter INTERNO, mas nunca, de âmbito NACIONAL. O Decreto não lhe dá competência para isolada e individualmente editar Atos Normativos externos e, muito menos, de abrangência nacional.
Até mesmo porque não seria crível, que o PODER EXECUTIVO, esfera máxima da Administração Federal, tendo um MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, viesse a conferir, por instrumento legislativo restrito, como seja um Decreto, poderes para o Presidente do IBAMA editar normas de obrigação geral por todo o País.
Presume-se vislumbrar a prática do Crime de Abuso de Autoridade, em todas suas letras, pelo Presidente do IBAMA em editar a normativa 15/2010. Coisa para o Ministério Público Federal investigar e apurar.
Assim, fica caracterizado que o IBAMA é órgão executor como se demonstra da legislação vigente, por sua vez o CONAMA é órgão consultivo e deliberativo ( Lei 6.938/1981 adaptada pela Lei 7.804/1989 – o CONAMA adquire a condição, o direito de criar normas ), sendo que para agir como deseja o IBAMA, extrapolou em seu Ato Administrativo que exteriorizara questão de nunca haver saído de onde partiu, ou seja, do Ato Administrativo que compôs a IN 15/2010, esta não pode existir, cabendo anulá-la, por motivo de que não pode, da forma que se encontra, com erros exagerados que defronta com a legislação civil federal, e com a Constituição da República, etc.
DO DIREITO

A “Lei da Fauna”, Lei 5.197/67 estabelece que o Poder Público deve incentivar a criação comercial da fauna silvestre. Contudo, em nenhum momento ela define que esse estímulo seria para o uso como animais de estimação. Com esse efeito, o incentivar a criação da fauna silvestre, pelos criadores, tanto amadores, como comerciais, tem a simples ideia do conservadorismo, ou seja, do repovoamento das espécies em extinção, colacionada pelo próprio Poder Público, isto é, dando vazão aos desmatamentos, isso coloca o homem médio em apuros, porque, se não da existência da flora, desregrada com a autorização pública aos desmates, quiçá a fauna, a qual necessita de autorização, sim, para o homem, como os criadores amadores ou comerciais, para introduzir no meio ambiente as aves que o Poder Público, autorizando o desmatamento, retirou estas de seu habitat natural.
Desse modo, a Instrução Normativa 15/2010, editada pelo IBAMA necessita-se de amparo de norma superior para dar-lhe legitimidade, o que demonstra acima, por editar normas primárias, não tendo qualquer competência para tanto.
A norma é de cunho complementar, regulamentar, no que se deve ser derivada, em sentido formal, o que não se encontra guarida a IN 15/2010.
Como não há nenhuma norma legal atribuindo ao Sr. Presidente do IBAMA tal competência, porque, o que se pode fazer, tão somente diante de lei expressamente, pelo motivo de submissão ao Princípio da Legalidade.
“A competência regulamentar do Presidente do IBAMA, prevista no art. 22, V, do anexo I do Decreto nº 6.099/2007, limita-se à edição de Atos Normativos internos relacionados às atribuições de planejamento, coordenação, controle, orientação e direção das atividades do IBAMA ( inciso II ), não lhe permitindo a edição de norma autônoma que imponha restrição de direitos de particulares.”
O IBAMA tem a condição de órgão executor das políticas ambientais, sendo totalmente fora de suas atribuições o exercício de competência normativa primária.
Órgão executor determinado pela Lei 6.938/1981, quando do artigo 6º, inciso IV, in verbis:
Art. 6º. ( ... )
IV – órgão executor: o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, com a finalidade de executar e fazer executar, como órgão federal, a política e diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente ( Redação dada pela Lei 8.028/90 ).
Portanto sua atuação é totalmente ligada à política ambiental definida por órgãos superiores ( SISNAMA e CONAMA ).
Por isso, a EDIÇÃO de NORMAS por parte do IBAMA deve ser feita em caráter subsidiário, ao respeito de competência ao CONAMA, como, por exemplo, a respeito da Lei 6.938/81, que estabelece a competência do CONAMA:
Art. 8º. Compete ao CONAMA:
I – estabelecer, mediante proposta do IBAMA, normas e critérios para o licenciamento de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras, a ser concedido pelos Estados e supervisionado pelo IBAMA;
( ... )
VII – estabelecer normas, critérios e padrões relativos ao controle e à manutenção da qualidade do meio ambiente com vistas ao uso racional dos recursos ambientais, principalmente os hídricos.
Compreendendo assim, que o CONAMA é o órgão responsável pela normatização do meio ambiente e recursos ambientais ( art. 3º, incisos I e V da Lei 6.938/81 ), cabendo ao IBAMA, tão somente, a propositura de supostas condições para o CONAMA e o SISNAMA referentes ao licenciamento de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras, a que as mesmas possam surgir efeito em que estes órgãos competentes exprimam em normativas o critério exteriorizar mandos a que se refira das matérias competentes para o IBAMA executar, o que simplesmente competindo-lhe em atuação limitada à legislação existente.

DOS PEDIDOS

Pela incompetência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA para editar normas primárias, por isso, é necessário a declaração de incompetência do IBAMA para estes Atos Administrativos, pela sua Presidência ou cargo outro qualquer, como o da Instrução Normativa nº 15, publicada em 23 de dezembro de 2010, porque para a matéria discutida, ao direito, eis que é necessária a interpretação para o sentido que o prazo para cumprimento de inserir as aves de Notas Fiscais corresponde a insuportável tempo para o Criador Amador a realizar obrigação, qual não se é obrigado o Criador Amador, mas agora, a que descreve o artigo 21, em seu parágrafo 5º, assim disposto:
Art. 5º. ( ... )
§ 5º. A atualização dos dados do plantel no Sispass deve ser feita no prazo máximo de 48 ( quarenta e oito ) horas após a alteração ocorrida.
Entretanto, já se encontra perto do tempo de início dos Torneios, como demonstra em documentos em anexo.
Assim, a pretensão do Autor, no pedido da Tutela Antecipada é simplesmente se resguardar da atuação de FISCALIZAÇÃO do Instituto do Meio Ambiente e suas vertentes que tem denominação de SISPASS LEGAL, qual vem ocorrendo no Brasil inteiro, e, não se torna diferente a este requerente, qual pode sofrer fiscalização e neste ato encontrar-se diferentemente da normativa atual, que seja a IN 15/2010.
Por outro lado, maior ainda, é o tempo que chega para as DATAS de INÍCIO dos TORNEIOS, que se dá em exatamente 24/JULHO/2011, onde o IBAMA imprime em todas as etapas dos Torneios sua fiscalização a todos os pássaros presentes ao evento.

PORTANTO, REQUER:

a) Desse modo presente o fumus boni iuris, representado pelos argumentos de toda esta peça exordial, a que os pássaros em NOTA FISCAL do Autor ( conforme: a) Nota Fiscal nº 000721 – Saltator Similis – BURITI.OFJ.06/07.3,5.030 – b) Nota Fiscal nº 000722 – Saltator Similis – BURITI.OFJ.08/09.3,5.101 – c) Nota Fiscal nº 000113 – Saltator Similis – GEVN.012.3,5.MG.489901 – d) Nota Fiscal 863 – Oryzoborus Maximiliani – 0298.WPS.GO.3,0 ) percorra com presença legal todas as etapas dos Campeonatos local, regionais e Nacional, sem que esteja inclusos no sistema do SISPASS do IBAMA e, do periculum in mora, pela guarda do prazo legal em JULHO/2011, quando inicia-se as Competições de Canto/Fibra em Torneios, estes legalizados pelo próprio IBAMA, tempo este que se chega rápido, dos Torneios locais, Regionais e Nacional ( conforme Tabelas em anexo ).

b) O declarar da incompetência do IBAMA para editar normas com efeitos obrigacionais;


c) O anular da Instrução Normativa nº 15, de 23 de dezembro de 2010;

d) O fixar de pena diária em caso de reiteração do ato;

e) O conceder da Antecipação dos efeitos da Tutela para declarar a nulidade da IN 15/2010 do IBAMA ou ainda, se não assim, o suspender da total eficácia desta Instrução Normativa até julgamento final desta propositura judicial, concedendo que, possa o Autor, conforme o item “a” - criador amador - a não ter a obrigação de lançar seus pássaros de propriedade com Nota Fiscal no sistema do SISPASS, principalmente para a participação dos Torneios de Canto e Fibra de pássaros da Fauna Silvestre brasileira, em todo o território nacional, o que para naturalmente, agir até que o órgão superior competente ( CONAMA/SISNAMA ) pronuncie em instruir, normatizar pela competência atribuída legalmente nas condições legais para permitir a criação e comercialização das espécies da fauna silvestre de passeriformes do Brasil, com a devida performance a que venha o criador ter condição de sobrevida para o exercício de ser criador amador ou comercial;

f) O envio via Ofício, desta com a antecipação da Tutela concedida, ao digno Representante do Ministério Público Federal, sob os efeitos da REPRESENTAÇÃO para apuração do eventual cometimento de Crime de Abuso de Autoridade, em razão da extravagância em normatizar e legislar, como também violação de Direitos Constitucionais como o da Ampla Defesa e Reserva Legal, por parte do ex Presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente, Senhor ABELARDO BAYAMA ;

g) O declarar o Autor, aos efeitos da tutela antecipada, para, se querendo participar de Torneios, no âmbito Nacional, Regional ou local, com os pássaros em relação que tem como propriedade indicada pelas Notas Fiscais e, ao Autor, também os poderes de não inserir para a relação cadastral do SISPASS – IBAMA, as aves que se encontram em Notas Fiscais ou como exposto no item “e” acima, pelo menos o suspender da eficácia desta instrução normativa até julgamento final desta propositura, concedendo que, o Autor incida na concessão da Tutela Antecipada para não inserir os pássaros que se encontram em Notas Fiscais, porque totalmente de propriedade do Autor e nenhum relacionamento, satisfação ou obrigação para com a União ou quiçá ao IBAMA, dessas aves, como representadas, em anexo, ou ainda que possa vir adquirir de Criador Comercial, ou ainda, pássaros que em Notas Fiscais, contem transferência em TERMO, para que não haja, diante de um Ato Administrativo fiscalizatório de Agente competente do órgão do IBAMA ou de suas adjacências ( Polícia Ambiental Estadual ), na aplicabilidade de uma ou mais supostas multas pelo não inserir na relação do SISPASS, ao fato de representar propriedade deste Autor e conforme a Legislação Civil Federal. É o que requer, pois, necessária a concessão da Tutela Antecipada, porque a atribuição fiscalizatória executará o pronunciamento do que consta da IN 15/2010, a que notar-se-á que do prazo para o Torneio já se faz muito perto, havendo o perigo eminente existindo.

h) Enfim, o declarar da total PROCEDÊNCIA desta ação proposta, com os auspícios de culminar contra os réus os direitos da sucumbência e demais realizações a que dos itens acima forem colacionados na Decisão, no que requer com os atributos das cominações legais.

i) Por fim, requer, conforme a legislação permitente, seja concedida a JUSTIÇA GRATUITA inicialmente, para, após e final, sê-la confirmada.


Modo que pede justiça, consequentemente, requer urgente deferimento.
Dá-se a causa, o valor de R$ 2.500,00 ( dois mil e quinhentos reais ).

Uberlândia/MG, 10 de junho de 2011.

Comentários?
Coleiros e Trincas : RESULTADO TORNEIO DE RIO BONITO NESTE DOMINGO 13/11/2011
Enviado por jlouzada em 15/11/2011 23:15:55 (1300 leituras)


COLEIROS
COL..................PÁSSARO.......................PROP...............CIDADE.................CLAS.........FINAL
1°....................NEYMAR........................MATHEUS...........NITERÓI.................85.............118
2°....................FURACÃO......................JORGE...............TANGUÁ ...............123.............110
3º....................PRETO1.........................ALEX.................ITABORAÍ...............85...............97
4º....................MAGO...........................GENESIS............RIO BONITO...........62...............86
5º....................RAMBO.........................JORGE...............TANGUÁ.................54...............83
6°....................CHACAL........................GENTIL..............NITERÓI.................58...............82
7°....................RESGATE.......................ANDRÉ..............RIO BONITO...........63...............80
8°....................BRASIL.........................BINHO..............SILVA JARDIM........101...............77
9°....................HOLLYOOD....................MARCIO LUIS....SÃO GONÇALO.........68...............72
10°..................PAREDÃO DE AÇO..........WALLAS............RIO BONITO............61...............63

TRINCA FERROS
COL..................PÁSSARO...................PROP...................CIDADE................CLAS.........FINAL
1°lugar..............PANCADÃO................THIAGO................TANGUÁ................//..............159
2°.....................SUPREMO..................JOHNN.................TANGUÁ................//..............155
3°.....................BUGATTI...................JARBINHA.............SÃO GONÇALO......//...............147
4º.....................FALCÃO.....................RODRIGO.............S P ALDEIA...........//...............143
5°.....................O MÁSCARA...............ALEXANDRE..........SÃO GONÇALO......//...............137
6°.....................EXTASE.....................AMANCIO.............ITABORAI.............//...............136
7°.....................MARUJO....................RUBINEI..............SILVA JARDIM.......//...............114
8º.....................MEL NA BOCA............CARLOS ANDRÉ....TANGUÁ...............//................113
9°.....................CORAGEM.................ALDO..................SÃO GONÇALO......//................112
10°...................POLEGAR..................DIEGO.................RIO BONITO.........//................110

Comentários?
Coleiros e Trincas : RESULTADO TORNEIO DE RIO BONITO DOMINGO 06/11/2011
Enviado por jlouzada em 15/11/2011 15:45:57 (1158 leituras)

COLEIROS
COL..................PÁSSARO.......................PROP...............CIDADE.................CLAS.........FINAL
1°....................FURACÃO.......................JORGE..............TANGUÁ.................109............191
2°....................BRASIL..........................BINHO................SILVA JARDM........116...........156
3º....................RAMBO..........................JORGE..............TANGUÁ..................91............129
4º....................TEST DRIVE....................WAGNER..........NITEROI..................57............116
5°....................SOMBRA .......................ANDERSON.......NITERÓI..................93............108
6°....................TNT...............................HUGO..............NITERÓI..................83............108
7°....................TOM JERRY....................OSWALDO.........NITEROÍ..................60............103
8°....................THOR............................LUIZ ANTONIO..NITERÓI..................48............103
9°....................FAISCA.........................LEONARDO........RIO BONITO............67............100
10°..................MEDALHA DE PRATA.......MARANHÃO.......RIO BONITO............43..............82

TRINCA FERROS
COL..................PÁSSARO...................PROP...................CIDADE................CLAS........FINAL
1°lugar..............MOLEQUE PIRANHA....MARQUINHO..........RIO BONITO...........//.............166
2°.....................INDOMÁVEL..............JOSÉ PORTO..........RIO BONITO...........//.............133
3°.....................BICO FINO................JARBINHA..............ITABORAI..............//.............129
4º.....................ATREVIDO................RODRIGO...............RIO BONITO..........//.............129
5°....................BICÃO.......................ALEXANDRE...........RIO BONITO..........//.............119
6°....................BUGATTI...................MARCIO LUIS..........RIO BONITO.........//..............115
7°....................PIU PIU.....................RUBINEI................ITABORAI.............//..............114
8°lugar.............FARRAPO...................CARLOS ANDRÉ......TANGUÁ...............//..............113
9°....................REVELAÇÃO...............LEO......................SÃO GONÇALO.......//..............112
10°..................MAESTRO..................DIEGO..................SÃO GONÇALO.......//..............110

Comentários?
Coleiros e Trincas : RESULTADO TORNEIO DE CACHOEIRO NESTE DOMINGO 13/11/2011
Enviado por jlouzada em 15/11/2011 13:52:07 (759 leituras)

COLEIROS
COL..................PÁSSARO...............PROP......................CIDADE.............CLAS..........FINAL
1º....................TERREMOTO...........RAFAEL...................CACHOEIRO.........78...............113
2º....................REVELAÇÃO............RAPHAEL.................CACHOEIRO.........80..............110
3°....................FARAÓ...................SCARP.....................CACHOEIRO.......123..............108
4º....................AR15.....................NILDO.....................ITAOCA...............72..............105
5º....................BOLADÃO..............MIGUEL...................ATÍLIA VIVAQUA....43...............87
6º....................PARDO..................LEANDRO.................MUQUI................72................85
7°....................XIXA.....................MARCIO. .................GUAÇUI...............50................76
8º....................GAVIÃO.................LUIZ.CARLOS...........CASTELO.............60................74
9º....................FALCÃO.................LUCIANO.................CACHOEIRO.........40................65
10º...................CORUJA................SÍDNEI....................CACHOEIRO.........46................63

TRINCA FERROS
COL..................PÁSSARO...............PROP...................CIDADE.................CLAS..........FINAL

1º....................ORIGINAL..............VOLTAIRE BRITO...CACHOEIRO............121.............158
2º....................JOIARARA ............TERCIO................ATÍLIAVIVAQUA.........66..............146
3º....................FURIA...................EVANILDO............CACHOEIRO............116..............150
4°....................DANONINHO.........SAULO..................CACHOEIRO.............72..............139
5º....................PÉGASUS..............ELIMÁRIO.............CACHOEIRO.............56..............137
6º....................PREDILETO...........LUIZ FERNANDO....CACHOEIRO.............94..............135
7º....................PELICANO............LEOCÁCIO.............CACHOEIRO.............79..............133
7º....................MINEIRO..............RICARDO..............CACHOEIRO............115..............131
8º....................XODÓ..................ÉLIO.....................CACHOEIRO.............84..............130
9º....................CHACAL...............SULO....................CACHOEIRO.............85..............126 10º..................NAMORADOR........LUIZ MARIO...........PRES.KENNEDY........91..............125



Comentários?
(1) 2 3 4 ... 12 »



Publicidade

Parceiros
Pesquisa
Pesquisa personalizada
Contador


PRINCIPAL NOTÍCIAS LINKS FORUM DOWNLOAD CONTATO

Coleiros e Trincas © 2008 Fabiano Louzada